Entre mortos e feridos, salvaram-se os debates e nenhum será assassinado.


Kelson Rocha

O PT sempre foi (re)conhecido como um dos partidos mais de democráticos do Brasil. Tal reconhecimento não foi construído do dia para noite, isso faz parte de um processo histórico que na verdade tornou o partido no maior instrumento de luta política cotidiana da classe trabalhadora brasileira, que ao longo de seus 27 anos, sempre primou por um profundo debate de idéias acerca da sua construção, e é assim que reivindicamos que ele permaneça.

Em dias de disputa interna - Processo de Eleição Direta (PED) - temos que ter muita calma e fazer uma analise mais detalhada do que esse PED representa para o conjunto dos/as filiados/as ao partido, até porque “a tentativa de assassinar” todo e qualquer debate não existe e nunca existirá dentro do PT.

Vale ressaltar, que quase todos os elementos levantados pelo companheiro Heverson Castro - candidato a presidente do PT em Santana - devem ser levados em consideração. No entanto, Castro erra ao tornar público alguns desses elementos e pelo menos um deles não condiz com a realidade, e do ponto de vista da luta de idéias é uma obrigação de todos/as que discordam desse elemento, escrever e se contrapor a movimentação feita por Castro, quando de forma falaciosa e tendenciosa divulga - publicado no Site do Correa Neto (http://www.correaneto.com.br/noticias/10/23_10_07heverson.htm) e em seu Blog pessoal (http://ptelhao.blogspot.com/) - um texto onde deixa claro que o “partido” e a “tropa de choque do governo municipal” tentam “assassinar o debate”, tentando convencer sei lá quem, de que não se fará ou está em processo de conspiração por parte do campo majoritário o “assassinato” do debate.

O que Castro não entende é que nesse PED ocorrerão ao mesmo tempo dois debates, um público e outro interno. No público, estarão de olhos abertos ao desenrolar dos debates, a mídia conservadora, os partidos de direita e todos os demais setores reacionários, que tentaram e tentam “acabar com essa raça”, e nesse caso, seu texto dialoga perfeitamente com esses setores. No interno, todos/as os/as filiados/as ao PT.

É por isso que no mínimo há uma grande contradição quando Castro escreve que estão “tendendo assassinar o debate”, pois no momento que ele escreve e divulga seu texto, Castro já estar realizando e travando o debate de idéias. Talvez Castro esteja falando de outra coisa, coisa esse que pode tentar alegar, nesse sentido torno de conhecimento do companheiro o item 28 do regulamento do PED que foi aprovado em reunião do diretório nacional do PT, no dia 05 de outubro.

Isto posto, todo cuidado é pouco, principalmente no debate público. Como já disse antes, muita gente quer saber o que ocorrerá nos bastidores desses debates, até porque neles, trataremos à forma como pretendemos dirigir o PT no próximo período. Acontece que, quem quer ser presidente do PT, no mínimo, além de fazer a defesa pública do partido, principalmente dos ataques da direita, deve ficar atento ao que fala, escreve e divulga, até para que num dia desses, essas mesmas (des)informações não sejam usadas por uma pessoa má intencionadas contra o próprio companheiro.

Muita das coisas que Castro levanta em seu texto, como a “aliança com os DEM”, será sempre combatida e esse sim deve ser publicizado, agora tornar público um debate que não condiz com a verdade, quando afirma que “A movimentação política desencadeada pelo governo não visava apenas construir (impor) uma candidatura pelo consenso da força dos cargos, dado pelos acordos esdrúxulos que visam um programa meramente eleitoreiro para 2008, de uso da máquina pública e partidária” e conclui “que com certeza se aprofundarão no decorrer do processo político do PED, mas também tinha como eixo principal, assassinar o debate político em torno da nova direção que vai dar os novos rumos para o PT de Santana no próximo período”.

Nesse sentido, a constatação é triste. Qual seja: a de que Castro ainda não possui as mínimas condições necessárias para ser presidente do PT em Santana. Quero deixar claro que não tem nada haver com o fato de Castro ser jovem (21 anos), conheço muitos jovens que possuem tais condições, o fato relevante e demonstrado nesse fragmento de seu texto, é o desequilíbrio emocional e político que fica claro no texto como um todo, e isso é no mínimo preocupante.

Tal afirmação é preocupante primeiro porque passa a imagem de que o PT ou setores do PT tentaram a qualquer custo além da “aliança com os DEM”, “construir (impor) uma candidatura pelo consenso da força dos cargos”, o que nunca ocorreu. Em sua analise acredita que os companheiros/as quiseram impor a esquerda petista uma esmagadora derrota, que na avaliação de Castro serviria para objetiva os fins do campo majoritário em Santana, que sinceramente não acredito que aconteça, apesar do fato dos DEM estarem hoje compondo o governo, alias sem qualquer deliberação do Partido, mais não acredito porque os operadores de tal movimentação sabem que com os DEM não tem conversa e nem consenso no partido para uma futura aliança eleitoral, e se por um acaso esses operadores tentarem impor isso, terão que enfrentar a resistência da militância petista de Santana em seu encontro, bater de frente com a resolução aprovada na reunião do diretório estadual no dia 01 de outubro e ainda, caso tudo isso aconteça, terão que pedir autorização para o diretório nacional, e sinceramente até todo esse processo acontecer à militância petista de Santana estará toda esfacelada. Acredito sim, que os operadores não serão tão embeiceis de racha o partido em pleno ano eleitoral, o que seria um desastre do ponto de vista da disputa, e segundo, pelo simples fato disso nunca ter sido objeto de debate até hoje no partido.

O fato de companheiros/as que estão no governo se movimentarem para disputar o partido não significa algo ruim, o que seria preocupante é se não o fizessem, o que tem que ficar claro é que esses companheiros/as pertencem ao campo majoritário do partido, e possuem a maioria no Diretório de Santana e como tais, tem toda a legitimidade de propor um consenso aos grupos minoritários no PT de Santana. Agora aceita quem quer e compõe quem avalia que terá ganhos políticos com isso, e se recusa quem avalia que terá perdas políticas e parte para a disputa interna. No PT, ainda bem que sempre foi dessa forma e felizmente não mudou.

Outra coisa que tem que está claro nesse debate, caso esses companheiros/as detenham novamente a maioria absoluta do diretório em Santana é de não se transformarem em mera correia de transmissão do governo, transformando o programa mínimo do mesmo, em programa máximo do partido, coisa que aconteceu no ultimo período, e que afastou o partido das bases. É isto que estará em jogo e que temos que debater e publicizar, ao conjunto dos filiados/as ao PT de Santana, para que o partido volte as suas bases.

Agora, diferentemente de Castro, em nenhum momento tentarei “assassinar o debate”, porque além dele já está ocorrendo nesse texto e de casa em casa, sei que ele sempre ocorrerá enquanto existirem no PT as diversas correntes de pensamentos que hoje o constroem.

Cabe agora ao companheiro Castro, falar, escrever e fazer avaliações menos desastradas, e produzir mais e mais debates, que girem principalmente em torno de alternativas que dêem conta minimamente de transformar o PT de Santana novamente em um instrumento político, que esteja a serviço da classe trabalhadora santanense.

Vamos à luta, porque o tempo não para e as ruas tem pressa.

Kelson Rocha é secretário estadual de Juventude do PT-AP