Arquétipo psicoeleitoral de um brasileiro

Lendo a última enquête do Jornal do Dia a respeito das eleições de 2010, para o Senado da República, onde figura o atual prefeito de Macapá, como um dos prováveis eleitos, sobrevieram algumas perguntas: O que quer o eleitor brasileiro quando vota? Nós gostamos de ruas esburacadas e poeirentas? De postos médicos sem remédio, gaze, álcool, seringa... Etc.? Achamos normal quando um governante emprega toda a sua família; Batemos palmas quando descobrimos seus desvios de conduta, desviando dinheiro público para formar seu patrimônio particular; vamos para frente do cárcere da Polícia Federal fazer vigília quando este está lá dentro detido para “averiguação”; Não fazemos nada diante de tantos absurdos por que somos burros ou por sermos cínicos?

Por ser verdade algumas destas inquietações, gostaria de traçar o arquétipo imaginário do eleitor brasileiro e/ou amapaense, em homenagem as eleições que se avizinham:

Quando meu marido for governador: - serei Secretaria Especialíssima de Governo, darei um jeito de encaixar em Cargos Comissionados, minha mãe, cunhado, irmãs, amigas, manicure, cabeleireiro, etc...;

Quando meu primo for governador: - serei presidente de tudo; o deputado mais votado e o membro mais influente do Estado. Exigirei que me chamem de doutor e em alguns casos mandarei mais que o governador;

Quando meu irmão for governador: - fraudarei a folha de pagamento com nomes de laranjas, montarei esquema ilícito de compra e vendas de carros e quando a polícia me prender, calmamente esperarei a defectiva ligação telefônica autorizando a minha libertação;

Quando meu compadre for governador: - serei nomeado Secretário de Saúde ou da Educação onde fraudarei compras e processos licitatórios. Passarei cinco dias no cárcere e de lá sairei nos braços do povo direto para o Congresso Nacional sendo muito grato ao Amapá;

Quando meu parente for governador: - serei nomeado para um Cargo qualquer de onde pedirei a nomeação dos meus parentes que também pedirão a nomeação de outros parentes;

Quando meu amigo for governador: - serei nomeado diretor de Escola e montarei uma firma para reformar escolas;

Quando um militante do meu partido for governador: - pedirei para me nomearem Diretor Presidente do Detran, de onde emitirei uma série de Carteira Nacional de Habilitação para todos os eleitores que votarem no candidato que contar com o meu apoio;

Quando meu irmão estiver no comando do governo serei nomeada para um cargo vitalício, de onde darei a todos, conselhos;

Dessa forma, não me afobo, estou apenas aguardando a minha vez de meter a mão grande nos recursos estatais. É só ter um vínculo com quem manda para eu mandar também. Farei pegas nas ruas; dirigirei embriagado; usarei linha telefônica oficial; tomarei wiscky nas alturas tendo uma visão panorâmica da cabine do helicóptero governamental... etc;

Pode parecer absurdo, mas é assim mesmo que pensa a maioria dos eleitores nacionais. Por isso, somos o país da piada pronta, quando se trata da relação política. Tudo aceitamos de nossos políticos, posto que se lá estivéssemos, faríamos tal qual. Assim pensa a maioria do eleitorado pátrio, por isso, estamos fadados à desordem, a miséria, a fome e o pior de todos os flagelos a corrupção institucionalizada.

Profº. Gil Barbosa - RG 026.991-AP; CPF 225.919.312-91

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