'Carta Capital' revela esquema de Sarney com programa Luz Para Todos no Maranhão.

A revista “CartaCapital” desta semana revela, numa ampla reportagem, os elos políticos e financeiros do programa Luz para Todos com o esquema político-eleitoral do clã dos Sarney no Maranhão. A revista mostra que o ex-ministro Silas Rondeau, exonerado do Ministério de Minas e Energia sob suspeita de receber R$ 100 mil de propina da Gautama, agia como um operador do esquema do grupo Sarney dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Diz a “CartaCapital”: Apesar de disseminadas em 10 Estados, as prisões feitas pela Polícia Federal revelaram que o esquema funcionava com maior desenvoltura no Maranhão. A mais proeminente vítima das investigações, o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, afastado na noite do dia 22 de maio passado, é um dos afilhados mais próximos do senador José Sarney, patriarca do clã que, mesmo fora do comando do governo estadual, controla a política maranhense.

Sarney nadava de braçada dentro do programa Luz para Todos, de expansão de eletricidade para localidades miseráveis, uma das meninas-dos-olhos do governo Lula. Juntamente com o Bolsa Família, o Luz para Todos foi um dos carros-chefe da reeleição do petista, em 2006, por conta da abrangência e do sucesso da empreitada, sobretudo no Nordeste.

Para o Maranhão, o programa destinou R$ 300 milhões do orçamento de R$ 9,5 bilhões. Politicamente, Sarney tomou conta da verba. O senador indicou, ao mesmo tempo, o agora ex-ministro Silas Rondeau, o ex-coordenador nacional do programa, José Ribamar Santana; e o coordenador estadual, Luiz Adriel Vieira Neto.

A Operação Navalha, que prendeu 46 suspeitos de integrar um complexo esquema de fraudes em licitações públicas em 10 Estados, pegou o ex-ministro Silas Rondeau por acaso, mas agora tem elementos para investigar os meandros da aplicação do dinheiro do Luz para Todos no Maranhão. O então ministro entregou o cargo quatro dias depois de ter exonerado um assessor de confiança, Ivo Almeida Castro, capturado pela Polícia Federal no arrastão de prisões autorizadas pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, relatora do caso. A investigação foi parar no STJ porque, entre os presos, havia acusados com prerrogativa de foro especial. A rapidez com que o ministro se livrou do assessor incômodo só se compara à pressa do senador José Sarney de se livrar do mesmo ministro, em ritmo de queima de arquivo.

No inquérito da Polícia Federal, Ivo Costa aparece como atravessador do suposto pagamento de propina para Rondeau, de quem é velho companheiro. Quando Rondeau era presidente da Eletronorte, Ivo Costa coordenava a escolha de parceiros da empresa. Nas fitas gravadas pelo serviço de segurança do Ministério de Minas e Energia, recolhidas pela Polícia Federal, uma funcionária da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, foi filmada enquanto entrava no prédio com um envelope de papel pardo debaixo do braço. Dentro dele, acredita a PF, estavam os R$ 100 mil para o ministro.