LOCADORAS E LOJAS DE CDs À BEIRA DA FALÊNCIA POR CAUSA DA PIRATARIA

As dificuldades que o setor fonográfico vem enfrentando há bastante tempo no país, tem como o reflexo o fechamento das empresas que trabalham com a venda de CDs e DVDs. Um fator determinante do problema é a pirataria generalizada, que se estende para setores como o de confecções de marca, remédios, brinquedos, relógios etc.

Aqui no Amapá é notória diminuição na venda de Compact Disc produzidos pelas fábricas, por causa do crescimento da pirataria. Apesar de alguma repressão, os vendedores de CDs piratas estão estabelecidos na zona comercial. Mesmo com a presença constante de policiais civis e militares esse comércio irregular continua sendo realizado abertamente.

O Leia Agora foi ver de perto como anda essa situação e flagrou um dos vendedores piratas abordando a freguesia bem ao lado da principal loja de CDs da cidade. Perguntado sobre a questão o funcionário da loja disse que o movimento é quase nenhum. Pouca gente ainda compra CDs e DVDs de fábrica. Daniel da Silva Rocha trabalha no estabelecimento há quase dois anos e acompanhou de perto a queda nas vendas: “Fregueses que costumavam vir todo sábado sumiram. Isso ocorreu por causa da prataria”.

Já na calçada da Candido Mendes abordamos um cidadão que estava ao lado de um mostruário repleto de CDs piratas. Ele pediu apenas para não ser fotografado, mas falou da necessidade de estar ali para sustentar a família. Maranhense, o vendedor disse que os artistas locais não lançam nada que interesse à população. Porém ao observarmos os discos expostos, constatamos alguns macapaenses do estilo brega, que estão perdendo dinheiro.

Quando perguntamos sobre o prejuízo que as gravadoras têm por causa da cópia dos seus produtos, ele falou que esse é outro problema. A falta de empregos no Brasil leva as pessoas à ilegalidade. Aqui mesmo no Amapá não tem emprego. Quanto à repressão: “Aqui no Amapá a repressão é muito grande. Em Belém as vendas são feitas em qualquer lugar da cidade sem nenhum problema”.

De repente o sujeito que conversava com a reportagem foi abordado por uma senhora que queria adquirir um DVD. Ele entrou na loja de confecções e surpreendentemente com a conivência dos funcionários, apanhou uma sacola onde estava uma grande quantidade de produtos piratas. Sem nenhum cuidado o produto foi mostrado à freguesa, que adquiriu um filme da moda e na saída disse que comprava pirata por que na loja os preços eram muito altos.

NAS LOCADORAS
Os problemas que o mercado fonográfico vem enfrentado são os mesmos das locadoras de vídeo. Várias campanhas educativas já foram deflagradas pelo Sindicato buscando conscientizar os usuários. Hoje existem 121 locadoras lutando para permanecer no mercado, mas só 65 estão sindicalizadas.

Miguel Ângelo de Souza Martins que é membro da diretoria do Sindvídeo disse que além da pirataria o setor enfrenta a falta de preparo e conhecimento de algumas pessoas que entram no mercado sem conhecer. Quando houve a explosão de consumo muita gente pensou que ganharia muito dinheiro. O aumento do número de lojas trouxe também a concorrência. Quem tinha que se deslocar ao centro para alugar um filme, hoje vai até a esquina e consegue sem problemas.

Sobre a pirataria desenfreada, Miguel Ângelo disse que já aconteceram algumas operações, mas não muito efetivas. Essas ações deveriam ser institucionalizadas: “Todo mundo sabe que pirataria é um crime passível de punição e as leis estão aí para serem cumpridas. Se o sujeito está vendendo produto pirata e o policial militar está bem ao lado olhando, ele tem que recolher o material e prender o infrator”. O empresário lembrou ainda que o crime não é só de quem vende, mas também de quem compra. O sindicato fez uma campanha no início do ano chamando a atenção do cidadão para o incentivo que ele dá ao mercado ilegal, ajudando na quebra dos negócios formais, desemprego, não recolhimento de tributos entre outros. Ainda segundo Miguel Ângelo os preços praticados pelas locadoras são acessíveis, mas os consumidores preferem o produto pirata, pois essa prática já se tornou uma cultura.

Ele destacou que os preços são cobrados dessa forma porque os filmes são na maioria estrangeiros e saem a 18 dólares dos Estados Unidos. Quando essa produção entra no Brasil a carga tributária onera muito e eleva os preços.

Na última quinta-feira o sindicato reuniu com os filiados para tratar de um ajustamento de conduta solicitado pelo PROCON e abordou também a questão da pirataria. Ficou decidido que a entidade vai cobrar ações mais efetivas do poder público na repressão à ilegalidade: "Se não for tomada nenhuma providência vamos à bancarrota, como já aconteceu com o setor fonográfico”, finalizou.