Lembrança Ruminada
Para o saudoso Nilson, sambista do Laguinho)

Pensei que veria outra vez
O teu singelo sorriso
Contemplando a vida.
Pensei em tua cálida forma de viver.
Lembrei de quando
Atravessavas a praça
De pernas inchadas
A procura de um bar.
Eras calmo em tua essência.
Tiveste o privilegio
De nascer príncipe.
Passarinheiro,
Cantaste feito sabiá
Voaste feito rolinha.
Não posso dizer
Que te conheci,
Não cheguei a ver
O teu cantar
Na sede dos boêmios.
Mas vi no rosto
De um velho sambista amigo teu
As lagrimas caírem de tristeza.
Meu pai chorou tua perda
Feito criança abandonada,
Correu para o quintal em disparada
E cantou um samba em tua homenagem.
O domingo se fez de tristeza
Pois um choque fez parar teu coração.
Ruminante das esquinas,
Amas-te a escola e tuas meninas,
Vives-te a vida compreendendo a natureza
E hoje é lembrado como:
Sambista, amigo e parceiro.

Bruno Simões