MORRE PE. ÂNGELO NEGRI, UM DOS PRIMEIROS MISSIONÁRIOS DO PIME NO AMAPÁ

Morreu ontem, 04/10, dia de São Francisco de Assis, na cidade de Lecco, Itália, padre Ângelo Negri, que completaria no próximo dia 29 de outubro, 90 anos de vida, dos quais, quase 60 foram dedicados à Evangelização no Amapá, como missionário do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras (PIME), trabalhando em quase todas as paróquias da então Prelazia e hoje Diocese de Macapá. Pe. Negri permaneceu no Amapá até o dia 23 de abril deste ano, quando seguiu para a Casa de Repouso do PIME, na Itália, onde faleceu.

Filho de Santino Negri e Virgínia Bignami na cidade de Milão, na Itália a 29 de outubro de 1917. Cursou o primário na sua cidade natal e, logo em seguida, interrompeu os estudos. Trabalhou primeiro como aprendiz e depois como operário em várias fábricas de Milão. Com 18 anos ingressou no PIME cursando o ginásio nos seminários do Instituto de Treviso e Monza. Completou o Liceu em Genova e a Teologia em Milão. Foi ordenado sacerdote elo então cardeal de Milão. Enquanto, com sua prática de mecânica, atendia à manutenção das máquinas de tipografia do Instituto, iniciou seu Ministério Sacerdotal na cidade de Milão, cujo Cardeal que o ordenou era Dom Hildefonso Schuster a 29 de junho de 1947. Destinado à Prelazia de Macapá, embarcou em Genova aos 31 de outubro de 1948; aportou em Recife a 26 de novembro e a 15 de dezembro do mesmo ano chegava em Macapá.

Trabalhou, nos anos de 1949-50 como coadjutor na Paróquia de São José em Macapá e durante este tempo, por três vezes visitou as Ilhas de Macapá e Mazagão. Graças à sua prática de mecânica, a maior parte destas viagens conseguiu realizar de motor que, por mais velho que fosse, sempre conseguia manter em funcionamento.

Encarregado da Paróquia de Mazagão, a 10 de julho de 1950 passou-se para o Orfanato aberto e mantido pela Prelazia na Ilha de Santana e dirigido pelo Pe. Simão Corridori, com a tarefa de preparar a ida do padre ia para Mazagão em forma estável. Durante este período, o padre, residindo na ilha de Santana, ia para Mazagão Novo todo Sábado. Ouvia as confissões, rezava as missas dominicais, dava as reuniões e, na segunda-feira regressava para o Orfanato. Da Ilha de Santana saía também para as várias desobrigas às ilhas ou Terra Grande que, já programadas pelos padres da Sagrada Família, foram por ele mantidas e intensificadas.

No dia 1º de maio de 1951, foi empossado no cargo de Vigário daquela Paróquia. Quando o padre chegou lá, não encontrou nem casa nem sacristia. Foi comprada então uma pequena barraca na Praça da cidade que serviu como pousada para o padre durante suas visitas. Em 1952 foi comprada uma casa que o governo levantara para servir de Escola e que, em seguida tinha-se manifestado insuficiente. A nova casa era situada na mesma praça, bem ao lado da barraca - morada, do padre. Esta foi então transformada em Salão Paroquial e, numa puxada, ao lado, foi instalada uma pequena oficina. Como meio de transporte, o padre comprou um motor Arquimedes de 7 HP e um ubá lhe foi fornecido pelo Orfanato. A Paróquia compreendia toda a vasta área do Município de Mazagão Novo, uma Igreja em Mazagão Velho e duas Capelas na Ilha de Gurupá: a de Sacramento e a de São Sebastião na foz do Rio Tauary. Na Terrra Firme, não existia nenhuma Capela. O Pe. Negri, com um trabalho paciente e constante, conseguiu, sem provocar celeumas ou revoltas transferiu a sede de Mazagão Velho para Mazagão Novo, que era sede do Município, e com isso com um trabalho incessante que através da amizade, lhe mereceram credibilidade e honestidade em suas atitudes. Enquanto isso não descuidava do interior que visitava todos os anos com viagens bem programadas e organizadas.

O Pe. Negri, continuou como Vigário até fevereiro de 1956, quando foi nomeado, para o cargo o Pe. Mário Fossati. Permaneceu porém na Paróquia, como coadjutor até 1958, quando foi transferido, como coadjutor, para Paróquia de Amapá.

Chegou em Amapá dia 5 de agosto do mesmo ano. Permanecerá nesta paróquia até 18 de julho de 1961. Sua passagem por esta Paróquia, ficará na lembrança de todos, além da sua disposição pelo trabalho e da catequese rural que realizou em constantes viagens pelo interior, especialmente pela conclusão das obras de construção da Igreja de Calçoene. Depois de um período de férias na Itália, em 1962 foi destinado à Paróquia N. Sr.ª da Conceição no bairro do Trem em Macapá. Foi o braço direito dos vigários Pe. Vitório e Pe. Luiz de David, mas a seu trabalho e iniciativa, deve-se ao início do trabalho Pastoral no bairro do Buritizal, onde construiu a primeira Capela, a Escolinha e onde organizou também uma pequena escola profissional. Durante este período respondeu também, durante a ausência do Bispo, da Prelazia.

A 25 de abril de 1974, foi transferido para a paróquia de Porto Grande, lá permanecendo até dezembro de 1975, quando viajou de férias para Itália. Em fins de 1976 foi nomeado responsável pela economia da Casa do PIME em Florença, na Itália; e em agosto de 1979 foi chamado à Casa - Mãe de Milão com o encargo de auxiliar e orientar os padres que, voltando das missões necessitam de tratamento médico.

No período de julho/82 à fevereiro/83 exerceu a função de coadjutor da Paróquia São Benedito, logo em seguida exerceu a função de Vigário na Paróquia Nossa senhora de Fátima, em Macapá, até 09 de fevereiro de 1984, data em que foi nomeado Vice-Chanceler da Cúria Diocesana até dezembro de 1985 ao mesmo tempo em que acumulava também a função de coadjutor da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, sendo novamente nomeado vigário da mesma Paróquia em 25.10.84, ficando na função até janeiro de 1987.

No dia 13.12.93, foi nomeado Chanceler da Cúria Diocesana, ficando nessa função até 10.11.1992, acumulando também a função de Pároco da Paróquia São José no período de janeiro de 87 à agosto de 1990. De agosto de 90 à setembro de 1992 voltou a ser vigário da Paróquia N. Sra. de Fátima. De setembro de 92 à 06 de abril de 1993 foi vigário da Paróquia São Pedro. Em 06.04.1993 foi novamente nomeado Chanceler da Cúria Diocesana, onde exerceu a função até abril de 2007, (acumulando também a função de Coadjutor da Igreja São Paulo), quando viajou de férias para a Itália.

Além dessas funções exerceu também as atividades de Auditor e Vigário Judicial da Câmara Auxiliar de Macapá, no período de outubro de 1996 à junho de 2006.

Por todas as paróquias, por onde passou, edificou a todos - padres e fiéis, com seu espírito de abnegação e humildade.

No período que exerceu suas atividades na Cúria Diocesana atualizou todos os livros dos Sacramentos e demais documentos de arquivo da Diocese de Macapá. Possuía uma inteligência incomparável, mesmo com os seus 89 anos conhecia a localização de todas as Ilhas e sabia a que Paróquia pertencia cada uma delas. Tinha uma facilidade muito grande de encontrar os batismos mais antigos da Diocese.

Seu último trabalho que estava preparando era a 3ª edição do Histórico da Diocese que não chegou a concluir. O mesmo seria lançado no dia de seus 90 anos, 29 de outubro de 2007. Mas por motivo de doença precisou viajar para a Itália em abril/2007 onde passaria férias e faria tratamento de saúde. Infelizmente foi descoberto o câncer em estado avançado, e o mesmo não pôde retornar ao nosso convívio.

Pe. Ângelo Negri faleceu de câncer generalizado na Itália, em 04 de outubro de 2007.

A Diocese de Macapá sente profundamente a perda deste sacerdote que doou sua vida pela evangelização dos amapaenses. E a Cúria Diocesana se compromete em concluir o trabalho iniciado por ele, e lançará, em sua memória, a 3ª Edição do Histórico da Diocese tão logo sejam concluídos os trabalhos.