GUIGA MELO E O TEATRO DE BONECOS

Quando Cia Viva chegou ao Amapá em 1989, pouco se conhecia do teatro de bonecos.

Imagine como foi a reação do público ao se deparar com uma forma de teatro onde o atuante é um boneco! As crianças, sempre abertas ao novo, adorando a novidade que chegava por aqui. Guiga, nesses quase quinze anos de Amapá, já apresentou o Raimundo e a Marieta em inúmeras escolas, trabalhando em inúmeros projetos sociais e educativos. È surpreendente presenciar em suas apresentações a transformações dos bonecos em presença viva, dotada de alma e sentimentos. Raimundo e Marieta são entidades reais diante do público!

Essa forma de teatro de animação, gênero em que se insere o teatro dos bonecos, tem uma origem difícil de localizar no tempo. Alguns historiadores afirmam que, já se praticava essa arte na pré-história, quando as pessoas brincavam com a suas sombras animadas pelo fogo dentro das cavernas. Apesar de não se ter precisamente uma data de origem, sabe-se que o teatro de bonecos esteve presente em várias culturas. Na Índia há registros, no Egito foram encontrados bonecos de marfim e barro e, na China, a tradição é praticada até os dias atuais.

No Brasil, principalmente no nordeste, encontramos essa manifestação entrelaçada com as feiras, praças e ruas, seduzindo e encantando as pessoas. Como disse o historiador Hermilo Borba Filho em seu livro Fisionomia e Espírito do Mamulengos: “o homem empresta sua alma ao boneco e junto fazem o milagre da transformação”. Quem nunca assistiu aos espetáculos de bonecos não imagina como esses seres inanimados se transformam pelas mão do manipulador. Pode-se dizer que os bonecos são “quase gente”. Mágicos e ágeis, as marionetes, fantoches e mamulengos são capazes de fascinar público de todas as idades com técnicas múltiplas e muita imaginação.

Atualmente vários grupos se dedicam a trabalhar e pesquisar essa forma de teatro de animação. Há os grandes mestres como o Mamulengos Sorriso de Pernambuco e o Giramundo de Belo Horizonte. Recentemente foi realizado pelo SESC Pompéia de São Paulo uma mostra de teatro de Fantoche. Compareceram 27 grupos de todo o Brasil. Qual o segredo do sucesso? Um participante da mostra, o pernambucano Sandro Roberto, resume o fascínio: “o boneco é mágico”.

Guiga Melo aqui no Amapá dá continuidade a tradição ministrando oficinas de confecção e realizando espetáculos.

Zeniude Pereira.

Acredita-se que o Teatro de Bonecos seja tão antigo quanto o teatro convencional. Segundo pesquisadores a essência do teatro de bonecos está na pré-história, quando os homens primitivos encantados com suas sombras nas paredes das cavernas, teriam desenvolvido o teatro de sombras na intenção de divertir seus filhos.

A partir daí a criatividade humana acompanha a evolução passando por várias etapas, começando pelo boneco de barro sem articulação e mais tarde os primeiros bonecos com articulação de cabeça e membros.

No Oriente, o boneco tinha caráter religioso e era visto com muito respeito. Para os orientais o boneco não era simples diversão, acreditava-se que eles tinham poderes mágicos chegando a substituir divindades, possuíam poderes mediúnicos. Sem falar na tecnologia perfeita, onde segundo algumas lendas chinesas, o imperador Wu que data a dinastia Han, desesperado com a morte de sua imperatriz teria oferecido uma fortuna a quem pudesse restituir-lhe a vida. Surgiu então um bonequeiro que, com uma réplica da silhueta de sua amada, apresentou-a ao imperador no teatro de sombras. O imperador, fascinado, passou a assistir todas as noites aos seus espetáculos.

No Ocidente, o boneco está ligado ao homem em sua realidade racional. Mantendo uma relação com o divino de forma meio fantástica, grotesca e até mesmo fantasiosa.

Sua história está ligada aos atores do teatro popular grego e romano. Na Grécia, os bonecos eram audaciosos, chegando a ridicularizar as lendas cristãs. Roma assimila a cultura grega fazendo com que o teatro de bonecos desenvolva-se por toda Europa.

Porém na Idade Média, como todas as outras artes, o teatro de bonecos também sofre perseguições, já que de início era utilizado nas doutrinações religiosas da época. Passa então a ser apresentado nas feiras livres das cidades.

Por todo o mundo o teatro de bonecos apresenta-se com uma determinada nomenclatura. Na Itália o Maceus que antecedeu o Polichinelo; na Turquia, Karagoz; na Grécia, as Atalanas; na Alemanha, o Kasper; na Rússia, o Petruska; em Java, o Wayang; na Espanha, o Cristovam; na Inglaterra, o Punch; na França, o Guinhol; nos Estados Unidos, o Mupptes e no Brasil o Mamulengo.

Foi por meio de seus colonizadores europeus que o teatro de bonecos chegou ao Brasil. Eles eram utilizados nos trabalhos de catequese. Mas foi no nordeste onde esta arte mais se desenvolveu, principalmente em Pernambuco. Nas cidades do interior da Paraíba o teatro de bonecos recebeu o nome de Babau e durante muito tempo foi um dos meios de comunicação mais eficiente, pois era através desta arte que os problemas sociais eram expostos para sociedade.

Espetáculo: “As proezas de Raimundo Passo Fundo”
Local: Teatro das Bacabeiras - Sala da Imagem e do Som.
Data e Hora: Dias 12, 14, 21 e 28 de outubro, sempre às 17h30.