Escola Agrícola do Carvão
ganha destaque nacional.

O Conselho Nacional de Secretários de Educação em visita recente è Escola Família Agroextrativista do Carvão - localizada no Distrito de Mazagão - Amapá reconheceu em artigo publicado no dia 02.06.2004 como Experiência em gestão compartilhada.

Leia o artigo na íntegra...

ESCOLA FAMÍLIA EXTRATIVISTA

Uma experiência em gestão compartilhada

Já em 1995, as lideranças comunitárias do município de Mazagão, no Amapá, já detectavam a grande necessidade de implantar um modelo de escola que atendesse a educação rural. Os jovens rurais da região migravam para as cidades ou, simplesmente, ficavam sem opção de prosseguir os estudos, uma vez que o poder público oferecia somente ensino formal até a 4ª série do Ensino Fundamental. Desta maneira, o setor rural ficava enfraquecido pela ausência de mão-de-obra familiar, a base de sua economia. Diante desta grave situação, o pequeno proprietário, preferia se estabelecer na periferia das cidades, o que tornava o jovem empobrecido e agredido do ponto de vista cultural.

Cada vez mais preocupados com a questão, as lideranças comunitárias de Mazagão, em 1996, passaram a iniciar uma discussão nas comunidades vizinhas sobre a possibilidade de se implantar uma escola agro-extravista, para oferecer aos jovens da região, oportunidades educacionais compatíveis com suas necessidades, sem afastá-los de sua cultura familiar. As discussões foram concluídas com a realização de uma oficina que reuniu várias lideranças comunitárias. No mesmo ano, um prédio para abrigar uma escola com estas características foi construído por meio de mutirões realizados com a participação das várias comunidades da região, sob a coordenação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Amapá - Sintra e com a cooperação técnica e financeira de organizações governamentais e não governamentais.

No início de 1997, os trabalhos de base nas comunidades tiveram continuidade, sendo, mais tarde, acompanhados por uma equipe de monitores - professores - com a finalidade de informar as famílias sobre a importância e objetivos da Escola Família Extrativista. Explicou-se às comunidades que a escola passaria a trabalhar com a Pedagogia da Alternância, com a proposta dos alunos permanecerem na escola, em regime de internato, durante a metade do mês e, na outra metade, permanecem em suas casas, onde aplicariam as aprendizagens desenvolvidas na escola.

Finalmente, em setembro de 1997, a escola recebeu a primeira turma de 5ª
série, com 14 alunos oriundos de dez comunidades, abrangendo três municípios. Em 2001, com quatro anos de funcionamento, a escola passou a desenvolver atividades com quatro turmas, de 5ª a 8ª série, num total de
113 alunos que representaram 49 famílias de 27 comunidades distribuídas em cinco municípios - Macapá, Santana, Itaubal, Mazagão, Laranjal e Vitória do Jari.

Com a implantação do Ensino Médio e do curso profissionalizante em Agroextrativismo, em 2002, a clientela da escola aumentou para 183 alunos, com envolvimento de 122 famílias e a inclusão do município de Porto Grande.

A pedagogia da alternância
Conforme indicado pelo líder do movimento para a criação da escola, Tomé de Souza, presidente do Conselho Fiscal da Associação Agro-extrativista do Carvão, o projeto educativo da escola foi definido e desenvolvido a partir da Pedagogia da Alternância, proposta educativa considerada adequada para a população atendida e que busca a formação integral da pessoa; sua qualificação profissional e legal; a priorização da experiência sócio-profissional, integrada ao ambiente; e a ênfase na formação dos alunos como pessoa, sendo orientado por todos.

Para tanto, esta pedagogia tem como pressuposto que a vida ensina mais que a escola e oferece os elementos básicos para a realização do processo
educacional, valorizando, portanto, a experiência sócio-profissional do dia-a-dia. A aprendizagem acontece, principalmente, a partir do prático para o teórico, mediante contínuos exercícios de sistematização do conhecimento.

Mas, embora ofereça uma solução criativa e de grande valor pedagógico para a educação no campo, a implantação da Pedagogia da Alternância sofre resistência, pois muitas pessoas entendem que escola de qualidade é apenas aquela que está localizada na cidade. Justamente por isso, a comunidade, a princípio, resistiu à idéia, sendo, no entanto, conquistada, pouco a pouco: atualmente a escola tem uma aceitação muito grande.

Outro problema que aumenta a resistência à escola rural é o fato dos livros didáticos não terem nada a ver com a realidade local. Por exemplo, por que o livro didático adotado no Amapá não apresenta nenhuma árvore de castanheiro?
Sendo assim, a a escola regular vem para negar o meio de vida das pessoas de determinadas regiões. O que se busca, portanto, com a experiência da Escola Família Extrativista é cultivar o princípio de fortalecimento de laços afetivos para desenvolvimento do meio.


Projeto educativo em dois momentos

Os dois momentos pedagógicos do projeto em questão ocorrem na escola, como é usual, e em casa. Na escola, ocorre a colocação compartilhada das experiências conjuntas, comparação, interpretação e generalização dos
conteúdos - os temas de estudo são definidos em assembléia com a comunidade.
O trabalho é realizado a partir de unidades demonstrativas, o que transforma a Família Extrativista em uma escola laboratório. Os ensinamentos desenvolvidos e sistematizados na escola são posteriormente aplicados na família. Sendo assim, o segundo momento pedagógico tem lugar em casa, caracterizando-se como experiência sócio-profissional familiar, com apoio social e técnico e acompanhamento dos alunos, pelos monitores, nos 15 dias que passam em casa.


A gestão da escola
"Temos um diretor por uma questão de formalidade, pois aqui todos assumem responsabilidade pelo que acontece na escola e trabalham com dedicação para o melhorar sempre a qualidade do ensino para os alunos", afirmou Henrique Vasconcelos, secretário executivo e procurador da escola, durante reunião de que participaram as lideranças escolares, entre as quais, Daniel Marques, diretor, e Railton Ramos, coordenador do curso técnico agro-extrativista.

Nesta ocasião, explicou-se como funciona o Conselho Administrativo - formado a partir de escolha em assembléia da Associação -, que resolve de forma compartilhada todos os problemas da escola. No desenvolvimento da escola "todo mundo discute e todo mundo aprende", afirmou o diretor Daniel
Marques.

A qualidade da gestão compartilhada da escola é fortalecida já a partir de suas origens, uma vez que a ela nasceu pelo empenho da comunidade em construir uma condição para o atendimento de suas necessidades educacionais.
Para a manutenção da escola, as famílias contribuem com uma pequena importância em dinheiro e os alunos assumem responsabilidade com a manutenção em ordem de todos os seus bens, além de trabalhar para o atendimento de suas necessidades de alimentação. "A escola nasceu de um movimento e um projeto social, em vez de nascer lá de cima", concluiu o coordenador Railton Ramos.

Parcerias em gestão e desafios
A Família Extrativista não sobrevive sem as parcerias, que lhe dão dinâmica
própria. Entre as entidades-parceiras, que dão suporte ao funcionamento da
escola, além da comunidade mais próxima, dos pais e dos alunos, destacam-se:
a Secretaria de Estado da Educação do Amapá; organismos rurais; a vice-governadoria do Estado do Amapá; as prefeituras de Macapá e Mazagão; e
outras entidades como Sintra, Rebraf, CNS, Embrapa, Comunidade Solidária, comunidades rurais etc.

A área de saúde foi considerada muito precária, uma vez que a escola não tem assistência médica e odontológica, o que é parcialmente suprido com uma horta medicinal. Mas o Conselho Administrativo da escola já está pensando em realizar um convênio para um plano de saúde. Outro problema é que muitos alunos chegam à escola sem documentos, o que exige um trabalho extra de cidadania para regularizar essa situação.

A implantação do Ensino Médio oferece desafios especiais, exigindo um novo salto de qualidade no trabalho pedagógico. A filosofia da escola deve ser mantida com o crescimento de seu quadro atual de oito professores. Os
docentes são preparados pelas universidades que não conhecem a realidade das comunidades e o seu trabalho - muito menos o valorizam. Por isso, é necessário, antes de tudo, trabalhar com o professor, para fazer dele um monitor de aprendizagem, de acordo com a filosofia e método da Pedagogia da Alternância.

Depoimentos de alunos
Os alunos Edmilson de Souza Roque, José Silva de Azevedo e Izaquel de Freitas Rosa identificaram que valorizam a escola, como uma oportunidade de realizar estudos que os ajudam a compreender melhor e valorizar o seu ambiente, as atividades de trabalho de suas famílias e a contribuir para melhorá-la, a partir de conhecimentos técnicos que desenvolvem. "Sabemos que nossas famílias fazem sacrifício para nos mandar para a escola e nós queremos tirar o máximo desta experiência", afirmou um deles.



Doce Amazônia

Doces e licores
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Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
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Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.