Forrageira para pastos é tema de palestra na Embrapa Amapá

A busca de alternativas de forrageiras para formação de pastos no Estado do Amapá é o tema de um estudo do pesquisador da Embrapa Amapá, Paulo Meirelles, para a sua tese de Doutorado pela Universidade Estadual Paulista, campus de Botucatu (SP). Durante três anos, ele dedicou-se a analisar a produção e a qualidade da gramínea chamada cientificamente de Paspalum, que já é indicada como planta forrageira nativa e serve para alimentar animais herbívoros, como bois, ovelhas, cabra e cavalos. Nesta sexta-feira, 11, Meirelles fará uma apresentação da sua pesquisa, no Auditório da Embrapa Amapá, a partir das 9 horas.

No Amapá, onde a pastagem nativa apresenta baixa produtividade e valor nutritivo, existe uma grande procura por parte dos produtores. Atualmente, várias unidades da Embrapa dedicam-se ao estudo do gênero Paspalum e, segundo Paulo Meirelles, a expectativa é de que uma das forrageiras avaliadas esteja disponível para o mercado nacional no final de 2007.

Entre as 400 espécies de capim do gênero Paspalum, disponíveis no Banco de Germoplasma da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos/SP), Meirelles escolheu acessos, a fim de verificar seus comportamentos dentro das condições do clima e do solo do Amapá. O pesquisador também estudou a aplicação das mesmas espécies no campo da Embrapa Pecuária Sudeste. A
intenção era observar se os melhores acessos no Amapá seriam também os melhores em São Paulo. "Concluímos que os resultados foram diferentes devido às características de cada espécie e das condições de clima e solo". Meirelles explica, numa comparação, é como se uma mesma pessoa não se adaptasse às condições de clima de São Carlos (SP), e sim as do Amapá, ou vice-versa.

Outro objetivo da pesquisa foi identificar espécies nativas de forragens.
Paulo Meirelles ressalta que, no Brasil, os animais ruminantes são criados, geralmente, em pastagens cultivadas. Porém, as principais espécies de forragens são de origem africana e dois gêneros (Brachiaria e Panicum) concentram mais de 85% das sementes comercializadas no Brasil. A importância de se ampliar a oferta de espécies nativas de forrageiras é devido à vulnerabilidade das gramíneas importadas.

O pesquisador cita, por exemplo, que existem poucas espécies cobrindo grandes extensões, as quais se reproduzem de uma forma em que todas as sementes são clones da planta-mãe. A saída, então, é aumentar a diversidade genética do material (gramíneas) colocado à venda. E os
fatores que alertam para esta necessidade são o aumento da degradação das pastagens - causada pelo manejo errado -, o colapso de imensas áreas de pastagens nas regiões Norte e Centro-Oeste e ainda a suposta superação da resistência a pragas e doenças.

Dulcivânia Freitas