Designer de moda lança coleção
“Mãe da Mata” no SESC Amapá

Amapaense radicada no Paraná valoriza fibra do “tururi” em roupasconceituais

"EXPOSIÇÃO MÃE DA MATA"
11 de julho, sexta-feira, 19 h

Galeria Antônio Munhoz Lopes

Centro de Atividades do SESC Araxá
Rua Jovino Dinoá, 4311 beirol,
Informações: 214 -1323 e 9965-5192 /9115-5802


Por Júnior Nery

A designer Izabel Miranda traz do Paraná para o Amapá uma moda diferente e conceitual, cujo inusitado da coleção está em confeccionar as peças com o “tururi” (fibra extraída do Ubuçu, árvore típica da Amazônia), e deverá ser apresentada aos amapaenses nos dias 10 e 11 de julho, em um evento intitulado “Mãe da Mata”, que acontecerá no Sesc Amapá, e pretende, ainda, reunir ao longo de julho publico fashion, música eletrônica, workshops, desfile e exposições.

Radicada no Paraná há 11 anos, Izabel Miranda saiu do Amapá por razões do coração. Mas é, no entanto, uma amante declara da terra natal e compartilha o seu amor com o marido paranaense, motivo de sua ida para o Sul. Mas seu envolvimento com a moda se deu por força da razão. Ao perceber que o mundo fashion precisava de algo inovador e interessante, Izabel se prontificou em levar para o Paraná um pouco da riqueza profusa da Amazônia.

Apresentado um estilo diferente e exótico, as roupas confeccionadas com o tururi começam a ganhar espaço no eixo Sul-Sudeste. E agrada o público sulista - tido como exigente quando o assunto é moda conceitual. As roupas feitas com a fibra extraída da Amazônia - da Ilha do Marajó (PA) -, conquistam de vez os fashionistas e Izabel logo começa a apresentar sua moda em grandes centros expositores como o Sesc Pompéia, em São Paulo.

Para a designer, porém, o tururi já não era tão novidade assim. Ela conta que a primeira vez que entrou em contato com a fibra foi na infância. Segundo Izabel, uma experiência não muito confortável. “Minha mãe me obrigava a usar aquelas bolsinhas feitas de tururi, por artesãos. Mas eu detestava porque pinicava muito, e aquilo me incomodava. Mas eu levei uma fibra comigo para o Paraná”.

Da pequena recordação, oriunda do Amapá, Izabel montou todo um projeto de pesquisa para suavizar a fibra tornando-a viável para o vestir. E transformou o rudimentar pinicar em um tecido suave e delicado. “Como o curso de design é 80% composto por criação de projetos, eu tinha de criar. E um design precisa pensar em forma e função, e tem que ser um trabalho inédito. Os meus professores nem sabiam da existência do tururi”, conta.

Meio-ambiente e desenvolvimento sustentável

Além de agitar o mundo da moda com o lançamento de um tecido de aspecto excêntrico, feita com a fibra de uma árvore amazônica, a designer tem uma preocupação em preservar o meio-ambiente, e ainda, subsidiar recursos aos moradores da Ilha do Maruim (PA) responsáveis pela extração da fibra que chega às mãos de Izabel. “Nós, nortistas, às vezes não ligamos, não damos valor à determinadas coisas da natureza. Foi com o projeto que passei a conhecer melhor a família do tururi”, conta.

E é graças a todo esse conhecimento adquirido que o trabalho da designer foi aprovado para participar do 2º Congresso Internacional de Pesquisa em Design, que acontecerá em outubro, no Rio de janeiro. Mostrando para o mundo um conceito novo de vestir, com peças fabricadas a partir da matéria-prima retirada da mata.

O tururi e tratamento das fibras

A fibra do tururi é farta na Ilha do Maruim, e cresce em floresta fechada. Para se chegar ao local de extração é necessário viajar cerca de 20 minutos por rio para se chegar ao lugar onde a fibra oferece grande quantidade. São recolhidas da floresta as folhas caídas no chão, e as que continuam na copa das palmeiras - família a qual pertence a Ubuçu - são extraídas pelo caboclo com a ajuda da peconha (utensílio rudimentar fabricado com a própria fibra do tururi que serve como um cinto onde se coloca o pé para subir ao topo da árvore).

Depois de retirada da árvore, e secada, a fibra passa pelo processo de amaciamento, sem utilização de produtos químicos, para alcançar a textura adequada para a composição das roupas. É feito um processo de remoção de impurezas, lavando-a com água corrente e depois a “mercerização”, colocando a fibra de molho em solução caseira para, em seguida, ser novamente enxaguada e posta para secar, para somente depois, iniciar o seu uso. “Trata-se de um processo simples que os moradores da Ilha poderão realizar, e evita que resíduos químicos sejam despejados na natureza”, incentiva a designer.

O lançamento da Coleção

No dia 10 um coquetel marcará o lançamento da coleção de Izabel Miranda, aberto somente à imprensa e convidados. Bem ao estilo amazônico e em homenagem à natureza exuberante da região, o evento será regado a bebidas e canapés preparados com frutas típicas da região, sem esquecer, claro, dos seres mitológicos, que realizarão performances envolventes, elaboradas especialmente para este dia.

O grande público conhecerá a coleção Mãe da Mata em meio a muita música eletrônica. “A Mãe da Mata EcoRave talvez seja o maior acontecimento que o SESC/AP promoverá nos últimos anos”, aposta Maikon Richardson, organizador do evento, o qual pretende reunir neste evento, no dia 11, cerca de quatro mil pessoas no Centro de Atividades Araxá. “Vários DJ´s já confirmaram presença, os quais se revezarão em sets elaborados especialmente para tornar o evento tipicamente fashion, com desfiles, exposições, música e performances com seres lendários da mata”, diz o organizador.

INFORMAÇÕES e FOTOS:

(96)214-1323 e 9115-5802



Doce Amazônia

Doces e licores
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Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.