Carta aberta à imprensa e Ministério Público Estadual
Liberdade de imprensa é ameaçada em Laranjal do Jari

Chico Terra

Venho por meio desta denunciar a situação que considero de extrema gravidade que está acontecendo no município de Laranjal do Jari. A apenas 20 dias da administração da atual prefeita Meire Serrão, o município está tomado por demissões de cunho eleitoreiro, insegurança e se não bastasse cerceamento da LIBERDADE DE IMPRENSA.

No final de Dezembro de 2003, fui convidado pelo então prefeito Reginaldo Miranda a prestar serviços como assessor de comunicação fazendo matérias e distribuindo à imprensa assuntos referentes ao município quer no âmbito administrativo, quer no cultural, quando pudemos mostrar uma face até então desconhecida daquele lugar: Sua rica cultura e exuberante natureza, assim como o comprometimento com as comunidades mais distantes e esquecidas daquela região, quando visitei lugares esquecidos pelo poder público.

Desde essa época, lá permaneci fixando residência na Av. Macapá 221C, bairro Castanheira, subsidiado pela prefeitura, onde ao mesmo tempo em que residia, trabalhava editando as já citadas matérias. No pequeno apartamento, duas camas de solteiro, duas mesas, três cadeiras, um ar refrigerado de 7000 Btus e um freezer pequeno, além de meus objetos pessoais, constituíam a mobília que me foi fornecida para que eu pudesse, com esse mínimo conforto realizar meu trabalho. Para viabilizar o envio das matérias pela internet de forma gratuita aos veículos de comunicação do estado e do país, mandei instalar uma linha telefônica que era paga com parte dos vencimentos que recebia da prefeitura.

No dia 26 de junho, dez dias após o afastamento do prefeito Miranda, tive minha linha telefônica SABOTADA, fato que comuniquei a delegacia de Laranjal do Jari, registrando ocorrência policial, pois, segundo o técnico da Telemar, o defeito na linha houvera sido provocado de forma intencional. Para minha surpresa, o técnico inquiriu de mim se eu tinha inimigos no Jari, eu disse a ele que achava que não. Passou.

Esta semana, procurei saber sobre meu pagamento referente ao mês de maio junto ao atual secretário de finanças e recebi dele uma negativa alegando a prefeitura estar sem recursos para quitar-se comigo. Na quinta-feira, 9 de julho, recebi a informação que o palco sócio-ambiental que serviu ao Festival Nhá Rin, estava sendo demolido e para o local segui, ora fotografando, ora colhendo informações e resolvi tirar o dia para o registro fotográfico do evento. Aqui, chamo a atenção da justiça da situação jurídica do palco que segundo informações que obtive, está sub-judice. Na parte da tarde, por volta das 15:00, as telhas da obra já haviam todas sido retiradas e operários demoliam as paredes da parte inferior do palco que abrigariam no futuro uma biblioteca ambiental. Quando resolvi adentrar, e comecei a fazer as fotos, um cidadão que a posteriori fiquei sabendo ser conhecido pela alcunha de Pé de Galinha, tomando as dores da atual administração resolveu me agredir com uma estaca de madeira. Para não ser atingido, sob execração dos demais operários que incitavam Pé de Galinha a me ferir gritando pega! pega!, corri, e me refugiei dentro de um supermercado que fica ao lado da obra. De lá, trêmulo e assustado, peguei o táxi do Sr. Antonio de Jesus Bonfim que me conduzia durante meu trabalho e presenciou o fato, e me encaminhei até a delegacia a fim de denunciar a agressão. Embora a Delegacia ficasse a poucos metros do palco, nenhuma providencia imediata foi tomada no sentido de flagrar o agressor, pois não havia viatura disponível, dando chance ao indivíduo a evadir-se do local.

Enquanto aguardava a volta do taxista que me serviria de testemunha, adentra a delegacia o Sr. Jorge Serrão, esposo da atual prefeita, dizendo-se Secretário de Obras do município e contra minha pessoa registrou uma queixa alegando que eu provocara o operário que trabalhava na obra chamando-o de irresponsável. Ressarci a versão apresentada pelo Sr. Jorge Serrão, pois ele não estava presente na obra e no seu depoimento ao agente que anotava a queixa, ele retificou dizendo que segundo os operários, eu provocara Pé de Galinha. Na delegacia, não havia nem escrivão, nem delegado para ouvir as partes envolvidas. Segundo o agente, somente na terça-feira seguinte o delegado estaria no município.

Durante uma pequena discussão que tive com o Sr. Serrão, ele, de forma sub-reptícia me fez sentir persona non grata em Laranjal do Jari, dizendo que eu já teria tido tempo de “fotografar as menininhas naquele palco” quando trabalhava com o prefeito, tentando denegrir a importância do registro jornalístico e fotográfico jamais realizado por um outro profissional de imprensa naquele município.

Desorientado e amedrontado, resolvi aconselhar-me com um amigo mais experiente na profissão que me aconselhou a afastar-me de Laranjal do Jarí dizendo-me que quando o repórter se confunde com a notícia está estabelecido o limite da segurança. Sem dinheiro no bolso, busquei ajuda entre amigos e para pagar o frete dos meus pertences até Macapá, vendi por R$ 250,00 meu aparelho de DVD, com o qual à noite, saí praticamente em fuga do lugar que sinto minha vida ameaçada.

Na sexta-feira, já em Macapá, recebi um telefonema da Secretaria de Educação cobrando-me os objetos que estavam sob minha guarda, pois, como eu não mais trabalhava para o município, eu perdera o direito às regalias. Autorizei a eles a retirada de tudo quanto houvera deixado lá reconhecendo a propriedade do patrimônio público, mas, sinto-me como se estivesse sendo expulso de minha própria casa e meus direitos de cidadão conspurcados.

Assim sendo, recorro aos meios competentes requerendo:

1- A garantia ao sagrado direito do trabalho, pois, fui vítima de afastamento sumário e a da livre manifestação conforme o artigo quinto da Carta Magna do país.

2- A garantia a minha segurança pessoal ameaçada

3- Meus Direitos Trabalhistas

4- Meu direito de lá voltar em segurança e exercer meu direito ao voto, pois, para lá transferi meu domicílio eleitoral.

Francisco Almeida (Chico Terra) 96 9963-9606



Doce Amazônia

Doces e licores
de frutas regionais.
Deliciosos.
0XX96 224 1491


Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433

Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.