O poder das Palavras
Édi Prado -02.11.07

“As palavras influem na sua realidade
muito mais do que você imagina.
Veja como trabalhar com elas e aproveitar
ao máximo sua força.” (Deborah Epelman)

É um desafio antigo. Mas hoje é uma necessidade urgente compreender o Poder das Palavras. A palavra tem sentido, olfato, tato, sons. Quase sempre descuidamos ao pronunciá-la corretamente, ao não reviver o soletrar mental. As palavras só passam a existir, quando compreendemos o significado delas. Não só a intenção, mas o que ela expressa, na essência. Não é à toa que para os gramáticos, a palavra, os substantivos só têm valor enquanto proposta de intenção ao expressar emoções, sentimentos e expectativas, entre tantas formas de expressão do pensamento, dentro de uma oração. A oração é todo enunciado lingüístico que se estrutura ao redor de um verbo, apresentando, desta maneira e na maioria das vezes, "termos essenciais da oração, sujeito e predicado". E a compreensão dessa oração, às vezes depende dos complementos desta oração.

“Saber da importância das palavras nos alerta com
relação ao seu uso. Por isso, um sinal amarelo,
de atenção, deveria se acender quando
repetimos demais uma frase”. (Deborah Epelman)

Quando falo ou escrevo sobre este assunto, sou taxado de chato, metido a ser diferente, “só quer ser”, torcem os ouvidos e o nariz, os críticos incorrigíveis, entre outros adjetivos, ditos em tom de deboche, quando me retiro do recinto. As pessoas perderam o hábito de debater idéias de forma limpa, sincera, honesta e com a humildade de dizer: não sei, não estudei este assunto, ou outra desculpa. Ou ainda ser mais sincero ao assumir: O que aprendi foi assim e nunca me preocupei em repensar este aprendizado. Mas quando a Revista Bons Fluidos, edição de novembro de 2001, abre espaço para Deborah Epelman publicar o artigo: A força das palavras transforma sua vida, o tema passa a ser interessante e merece atenção. Deborah Epelman é especialista em neurolinguística, método psicoterapêutico criado nos Estados Unidos, que estuda a relação entre a linguagem e o funcionamento cerebral.

“Só de pensar no suco de limão sendo espremido
em sua boca, automaticamente vem à saliva,
tensão nos músculos faciais e
umas caretas, seguidas do
friozinho na espinha”.

Ela afirma que as palavras são tão importantes que chegam a condicionar a realidade. “Elas expressam nossos padrões de pensamento. E a vida que vivemos é, em grande parte, o resultado direto do que pensamos”. Ela sugere um simples exercício, como prova do poder da palavra na sua mente e no corpo. Quando alguém lhe pede só para imaginar espremer um limão bem suculento na sua boca. Você passa a sustentar essa imagem por alguns segundos. Certamente vai começar a salivar, sentir o arrepio que o azedinho do limão provoca e vai ensaiar umas caretas e dar sacudidelas no corpo, um tremorzinho. Principalmente se não é do tipo que não gosta do sabor ácido. E perceba que esta não é uma situação real e sim imaginária. E situações similares ocorrem com freqüência e nós nem percebemos, mas temos reações como se fosse real a simulação mental.

“Precisamos cultivar a consciência do poder da palavra
agindo dentro de nossa mente e corpo. Quando percebemos
esse “valor” pensaremos duas ou mais vezes antes
de pronunciar uma palavra.”

Deborah Epelman alerta sobre a importância do uso da palavra. Principalmente quando repetimos demais uma frase. “Se alguém, por exemplo, vive reclamando que sua vida é um inferno, está reforçando cada vez mais a idéia de sofrimento durante a sua existência”, destaca a especialista, afirmando que as constantes repetições levam a crenças. As crenças levam ao hábito. Os hábitos levam à formação do caráter e também à realidade concreta. “As palavras dão força de concretização ao pensamento. É por isso que se diz: cuidado com o que pedes - você pode ser atendido”, adverte.

“É preciso reverter esse quadro. Deve-se pensar no
que se vai dizer e o que as palavras significam.
O que elas querem dizer ou simbolizar”.

Ensina que devemos cultivar o hábito de repetir palavras ou frases positivas. Segundo ela, provoca um mar de imagens e emoções positivas. “E um mar de possibilidades de elas virem a se concretizar”. Compara o cérebro como uma programação de um computador. “Podemos alterá-la numa direção mais benéfica para nós e para os outros”, assegura Maria Olívia de Almeida, terapeuta neurolinguística, de São Paulo. Para compreender melhor este funcionamento cerebral, basta reprogramá-lo imaginando ou sugerindo vividamente, com bem detalhes o que queremos transformar em algo real e concreto.

“ É o ver e o sentir pela força e o poder da mente.
“E essa capacidade existe para todos,
quem deseja e quer “ver” o que ainda
não é concreto, tangível”.

Ela garante que quanto mais nítida é a imaginação, mais a mente a toma pela realidade. Essa capacidade pode ser aproveitada criativamente na formulação do futuro. “Nas sessões de neurolinguística, pedimos para a pessoa se ver no futuro, como se já tivesse realizado este sonho. Ela o reproduz com todos os detalhes, inclusive com as emoções que sentiria, como se tudo estivesse acontecendo na realidade”, relata a terapeuta Maria Olívia. Ela assegura que este exercício repetido muitas vezes, abre a possibilidade para que o fato possa acontecer. “Mas é preciso muito cuidado com o que se pede. Devemos evitar interferir na vontade dos outros”, aconselha.

“Temos uma agenda oculta, que nos
concede benefício inconsciente”.

Mas por que nem tudo o que queremos acontece? Maria Olívia relata que chegam muitos pacientes no consultório dela dizendo que querem emagrecer ou parar de fumar. Mas não conseguem. “Depois de uma série de perguntas, descobrimos que a pessoa tem uma agenda oculta. Isto é, o que ela ganha em benefício, inconsciente por manter a situação como está”, revela Deborah Apelman, decifrando os temores ocultos das pacientes. Exemplifica dizendo se a moça que não emagrece, por exemplo, pode estar com medo de novos relacionamentos amorosos - estar muito acima do peso pode ser uma maneira inconsciente de manter os homens afastados -. “ O que ela tem registrado no inconsciente é diferente do que ela diz. As duas vontades, consciente e inconsciente, estão desalinhadas. É por isso que o pensamento não se concretiza”, explica a terapeuta, acrescentando: “ As palavras têm mais poder quando o inconsciente está sintonizado com o consciente. Estar em equilíbrio é o ideal”, enfatiza Deborah Apelman.

Palavras mágicas:
Use-as ou evite-as.

Algumas expressões condicionam especialmente o cérebro e influenciam as ações. Veja quais você deve usar e quais evitar, segundo as especialistas de neurolinguística, Deborah Epelman e Maria Olívia de Almeida:

Ainda - Uma palavra positiva que abre muitas possibilidades. Por exemplo, na frase: “Não tenho namorado ainda”. Está implícita a idéia de que posso não ter ninguém nesse momento, mas que isso é só uma questão de tempo. Atenção: Evite dizer frases como: “ Com tantos assaltos por aí, nunca fui assaltado ainda”. Você pode estar atraindo ou desejando, até inconsciente, que isto venha a ocorrer com você.
Tentar - Verbo de má vontade, este. “Não sei, vou tentar”. Então, é ainda pior. É quase uma frase declarada de que é possível, tentar, mas é difícil conseguir. Denota claramente que você não tem interesse algum em encontrar solução para este problema.
Experimentar - Ótimo verbo. Dá mais ânimo. Experimentar inclui ação, curiosidade. Substitua a frase “vou tentar” por “ vou experimentar”. Por ser mais dinâmica, é um passo seguro rumo ao êxito.
É difícil - Expressão bloqueadora, paralisante. Ela retira a energia necessária para a ação. Troque pela expressão “é desafiante” ou “é um desafio”. Essa simples troca de proposta pode abrir maior possibilidade de sucesso.
Gostaria, queria - Usar esses verbos no futuro do pretérito distancia ainda mais o objetivo. Eles devem ser usados sempre no presente: “Eu quero. Eu gosto”.
Mas - “A gente só conhece o que uma pessoa realmente pensa das outras, depois do “mas”, diz um ditado americano. O “mas” suaviza o que foi dito até aquele momento e enfatiza o que vem depois. O ideal é dizer antes o que desaprovamos. Por exemplo: Ele é superficial, mas é inteligente e capaz”. E o mais grave é que o “mas” vem sempre acompanhado de uma virtude que é implodida em seguida. Tem-se a impressão que as virtudes descobertas servem apenas para enaltecer a falta das virtudes. Ou desmerecer as existentes.
Nunca, jamais, sempre - Expressões que restringem a realidade. Ninguém deve dizer que nunca fará ou será tal coisa. - não controlamos a vida a esse ponto. É como diz a minha mãe: Não nos governamos.
Não - O cérebro não registra o não quando acompanhado de uma imagem. Por exemplo: Quando se diz “não pense num gatinho”, a primeira coisa que se pensa é justamente num gatinho. - o não é simplesmente ignorado - Outro exemplo: Pessoas que dizem “não quero gritar igual minha mãe”. Cada vez que dizem isso têm, um flash de milésimos de segundos da imagem da mãe gritando. O que está sendo reforçado é essa imagem e não o contrário.
Negativa simples - O não só é registrado no cérebro quando é uma negativa simples - o “não quero” ou o “não posso”, por exemplo - e quando vem desacompanhado de uma imagem.
Releia e guarde essas expressões. Ajude a se ajudar. Use a força da palavra. Fale de forma que não deve ser outra que não seja o que você quer dizer.


A neurolinguística na UDV
União do Vegetal

A União do Vegetal é uma religião nova do ponto de referência da recriação. Mas essa é uma conversa longa, específica e precisa de autorização dos Mestres para falar. Agora não tem “gancho”, que é uma expressão usada no jornalismo para justificar uma matéria. Mas admitindo ou não. Consciente ou não da incorporação de uma linguagem acadêmica, precisa, forte e decisiva como é a neurolinguística, A UDV incorpora e introjeta rigorosamente, a neurolinguística nos rituais e no dia-a-dia da Religião. Segundo os mestres, essa estrutura de linguagem adotada pelo Mestre Gabriel, recriador da União do Vegetal, vem de muito longe. Antes do Dilúvio Universal. E o Mestre Gabriel era um colono nordestino, sem formação acadêmica, estudou apenas o primário dentro da Escola convencional e viveu a maior parte da vida dele nos seringais do Acre. Quem foi ensinar neurolinguística para o Mestre José Gabriel da Costa, lá onde Judas nem quis ir? Na floresta, sobreviver é uma Pós-graduação para o doutorado de sobrevivente e de contador de história. Quem vai perder tempo em aprender neurolinguística em meio a tantos perigos?

Quem queria é porque não quer mais.
Se a pessoa não quer mais, vai se perder
tempo para quê, com quê objetivo?

E na União não se permite expressões: Eu queria. Com certeza ninguém vai te dar atenção. Porque quem queria não quer mais. E se não quer mais, vai perder o tempo com quê? Outra: Vai dar certo. Ora, se vai é porque está indo ou já foi. Na UDV deve-se usar sempre a expressão Vem dar certo. Está chamando a ação para aquela situação, não expulsando a ação ou o agente da ação. Os Mestres falam que a palavra tem mistério e força. E toda palavra ao ser proferida entre os membros da União, deve ser pensada, entendida o significado dela e o que ela simboliza. Não se deve usar a expressão não pode fazer isso e aquilo outro. Não pode, por quê? Está aleijado, amarrado, tem alguma coisa real se impedindo de fazer a ação, mesmo que ela não seja recomendada? Ao invés do não pode, recomenda-se usar não deve. A gente faz, a gente foi. A gente? Que agente é esse? De quem ou de quê ou sobre quem ou sobre o quê agente estamos falando? Porque não substituir por nós, que incluiu o maior número de pessoas? Além de ser bom neurolinguisticamente falando, não permite dúvida quanto ao comando da ação. Ainda existe o tal do cacófato, que juntando as palavras, que som horrível. É indispensável durante as sessões, sempre que se dirigir ao Mestre, deve-se pedir licença para fazer pergunta ou para falar com o Mestre. Mas se alguém perguntar se pode fazer pergunta se pode dirigir umas palavras ou se pode ir lá fora, vai deixar o Mestre intrigado. Quem sabe se pode ou não é quem está perguntando? Como é que o Mestre vai responder a uma pergunta se a resposta depende exclusivamente de quem perguntou?

Espero ter contribuído e desfeito a imagem de que eu quero consertar o mundo. Não quero consertar nada. Só não devo permitir que destrambelhem a minha cabeça.