Papaléo diz que julgamento de Renan
não deve ser objeto de negociação política



O Senado e a Câmara dos Deputados realizaram, na manhã desta segunda-feira, dia 19 de novembro, na rampa do Congresso, cerimônia de hasteamento do pavilhão nacional para celebrar o Dia da Bandeira. O senador Papaléo Paes (PSDB-AP), que representou a Presidência do Senado na solenidade - o parlamentar é suplente do 1º secretário da Mesa -, disse que a tradição congressual de celebrar os símbolos nacionais estimula, em crianças e adolescentes, a busca pelo conhecimento da História do Brasil e o orgulho de ser brasileiro.

Após a solenidade, Papaléo falou com os jornalistas para dizer que o julgamento de Renan Calheiros (PMDB-AL) pelo Plenário deve ser focado nos autos e não envolver negociação política.
- Não vejo possibilidade de negociar o mérito desse processo com a renúncia dele à Presidência do Senado. Nesse caso, um julgamento que deveria ser de mérito passaria a ser político - observou.

O Plenário poderá decidir nesta quinta-feira, dia 22, sobre a representação em que o senador Renan Calheiros é acusado de ter utilizado laranjas para comprar, em sociedade com o empresário João Lyra, duas emissoras de rádio e um jornal em Alagoas. Na semana passada, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou o parecer do senador Jefferson Péres (PDT-AM) pedindo a cassação de Renan por entender que houve quebra de decoro no caso.

Papaléo recomendou que aqueles que acharem, com base nos autos, que não há comprovação de que Renan faltou com o decoro parlamentar, votem em favor de sua inocência. Indagado por um jornalista sobre a possibilidade de muitos senadores optarem pela abstenção por entenderem que não há elementos suficientes para a incriminação, Papaléo disse ser contrário a essa posição.
- Creio que nessa votação não deveria haver abstenção. Se abster é inocentar indiretamente. Esse processo resulta de denúncia feita pelo PSDB e pelo DEM. O julgamento vai acontecer. E se o governo se mobilizar, terá os votos da base a favor da absolvição, assim como também haverá, em Plenário, votos a favor da cassação. Pela matemática, acho que Renan deverá ser absolvido pelos votos que o governo tem. Seria 'desinteligente' para o governo não aconselhar seus aliados a votar a favor de Renan - acredita Papaléo Paes.

Na mesma entrevista, Papaléo reconheceu que Renan pode ser beneficiado se seu julgamento acontecer antes da votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prorroga a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). E expressou sua expectativa de que esse julgamento aconteça logo, seja aberto e capaz de fazer justiça.
- Não há mal maior que a injustiça - ressaltou.


Com informações do Gabinete do Senador e da Agência Senado

(Fotos J. Freitas/Agência Senado)