Compromisso do jornalista
Dalila Nogueira Pinto - acadêmica do 4° período de jornalismo

Interesses financeiros apagam do quadro do jornalista sua verdadeira função na sociedade: informar para formar. Acordos políticos parecem estar acima do seu compromisso em manter a população informada para refletir sobre os fatos e emitir julgamentos.

Essa parcialidade impede que vejam os fatos com a nitidez precisa. A notícia finda por mostrar apenas um lado da caixa notícia. Não vemos o fundo, não vemos o lado esquerdo, nem o direito. Muito menos por cima da caixa. Como diz a repórter da Agência Folha, em São Paulo, Fabiana Pereira, “uma boa reportagem deve ser multifacetada”. No caso em que jornalistas perdidos entre a ética profissional e o dinheiro, poucas fontes são ouvidas, poucos são os que dão a versão dos fatos, poucas informações são divulgadas. Qual é o rendimento dessa notícia? O que transformará na sociedade? De pouco se aproveita quase nada. Continuaremos caminhando, escolhendo e julgando de olhos vedados. Porque nossas bases serão incertas, tremeremos na estrutura do inválido, do questionável e mesmo assim vamos querer acertar o alvo.

Para que a notícia não mate pelas armas da injustiça é fundamental que o jornalista tenha consciência de sua função. O dever do jornalista é fazer uma cópia do mundo real, uma cópia dos acontecimentos, pois eles existem independentes de serem divulgados. Os fatos ocorrem independentes do observador, do intérprete, do jornalista. Ser profissional é divulgar os fatos de forma clara, sem julgamentos prévios, sem escolher o lado do qual irá ficar. O jornalista não deve estar nem no Norte nem no Sul. A ética deve norteá-lo a estar na linha divisória, nem um passo a mais.

Embora a questão da imparcialidade seja uma utopia o jornalista deve buscá-la incessantemente, até os últimos dias de sua carreira. Mesmo que a parcialidade exista, mesmo que o jornalista sempre esteja presente no texto, o profissional deve ser o mais imparcial possível. Qual é o limite? O limite é o jornalista escrever sem ultrapassar a linha de reflexão e conclusão do leitor. Se for para o jornalista escrever e concluir sobre o que foi escrito é melhor que ele escreva apenas para si, porque a sociedade não precisará pensar e nem formar opinião, tudo estará pronto e acabado. É importante notar que não invadindo o espaço do leitor o jornalista valoriza e constrói uma sociedade mais crítica e ideologicamente independente.

Diz a verdade aquele que diz despido de suas impressões, aquele que olha não apenas por dentro, mas aquele que olha o todo.

E você jornalista, o que irá dizer: a verdade ou a mentira? Qual é o seu compromisso: com o patrocinador ou com a sociedade?

Atenciosamente,

Dalila Nogueira Pinto.