Gallazi e o Lobão

O que temos a aprender com o srº. Sandro Galazzi e com o cantor Lobão? O primeiro é conhecido no Amapá como um lutador social, envolvido com as causas dos despossuídos e por conta disso admirado por uns e odiado por outros. De suas ações dependem aqueles que não tendo conhecimento intelectual e meios possessórios para fazer valer seus direitos. E pela defesa intransigente desse tipo de causa Galazzi, desfrutava de uma biografia irretocável como lutador social na Amazônia.

Isso mudou de figura quando um dia a vida lhe fez um teste. Pego em uma armadilha do destino e da qual deveria ter em respeito às próprias barbas brancas, a hombridade e o discernimento político ideológico de se desvencilhar, fez ao contrário, aceitou de pronto o ilusório canto da sereia, e com a assinatura de um contrato, jogou por terra aquilo que levou a vida toda para construir: - sua reputação.

Não quero entrar no mérito da questão do fato desagradável em que se envolveu como membro do Conselho Estadual do Meio Ambiente. Meu objetivo ao me reportar ao ocorrido e discutir até que ponto temos a liberdade de nossos atos quando socialmente defendemos uma dinâmica certa social. Não pelo lado moral, mais sim pela postura ideológica. Sem essa neura bipolar do discurso capital versus socialismo, mas pela idéia, pela forma como construímos nossos diálogos e nossas ações.

No mundo moderno os homens são feitos por suas idéias. Esse é o maior problema. Vivemos a falta desses indivíduos nas terras brasileiras. Pessoas que pensavam e agiam como granmiscianos nos limbo dos movimentos sociais ao atingirem o ápice de uma estrutura da burocracia do Estado mostraram-se tacanhos, corruptos, negligentes e algozes dos mesmos que outrora diziam defender.

O que nos resta? Por que as nossas “caras novas” na política transformam-se no poder rapidamente em velhas práticas? Por que é tão difícil ao brasileiro ser diferente, no sentido de ligar-se inteiramente a sua prática como a folclórico Ademar de Barros que bradava “roubo mais faço”. Ao contrário nossos homens públicos - e os membros dos conselhos têm o dever ser definido publicamente - agora são todos honestos, porém, quando lhes escapa a podridão de suas ações vemos a que tipo de lideranças estamos entregues.

Em respeito a sua história de vida a tudo que falou e fez o srº. Galazzi jamais deveria ter aceitado a arapuca que lhe armaram. Ao contrário tinha que ter agido como o cantor Lobão quando uma multinacional que explora o serviço de telefonia fixa no Brasil lhe procurou para utilizar uma das suas composições em um comercial. De pronto o cantor popular bradou “não aceito trabalhar para uma empresa que explora o povo brasileiro”. Recusou uma oferta irrecusável para os padrões capitalista. No entanto, manteve-se em paz com a sua consciência e coerente com toda a sua trajetória como ativista.

Não quero aqui ser a palmatória do srº. Galazzi, a quem quero me solidarizar, pois entendo que de alguma forma toda esta história está lhe sendo muito caro. Porém, é pedagógico a todos nós que lutamos para que todos possam respeitar as leis, viver com dignidade e honestidade, defendendo uma postura social em que respeitando as diversidades possamos exercitar aquilo que temos como consciência coletiva moldado na Bíblia, na Escola, na Constituição, nos Partidos ou em nossas Famílias. Pois disso depende nossa atuação política que é a mola mestra para a construção do mundo que ideologicamente almejamos. Por isso, viva a ideologia que estar por construir e aqueles que dela não abrem mãos, nem que lhes coloquem saco plástico na cabeça ou que lhes retirem o prato de comida.


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