Amapalidade, registro de uma identidade.

A cultura, como manifestação da presença e operosidade do homem, teria obrigatoriamente que expressar uma das características essenciais a tudo o que é humano: a contradição, a diversidade, a multiplicidade.

Nada mais falso, em termos antropológicos, do que uma pretensa homogeneidade a atuar como cimento virtual de uma civilização que se pretenda forte e coesa.

Unidade é diferença e diferença é referencial civilizatório.

No continente amazônico, povoado por lendas e mitos, e por um fazer cotidiano onde se confundem o utilitário e o fantástico, tendo como pano de fundo o inconsciente coletivo que remonta talvez à cultura de maior ancestralidade das Américas, destaca-se uma região com manifestações tão próprias e culturalmente tão ricas que mereceram dos estudiosos o batismo de amapalidade.

É o resgate dessa cultura que o artista plástico Ralfe Braga, de raízes amapenses, está fazendo em suas telas onde predominam a fidelidade à temática regional e o uso da cor como elemento de expressão de uma sensibilidade muito aguçada. Agora, em sua quarta exposição, apresenta obras, onde se pode observar a evolução do artista e a pesquisa de uma linguagem própria desde as primeiras telas, será aberta ao público no hall do SEBRAE-AP, a partir do dia 9 de novembro, às 19 horas.

"O que faço como arte não é apenas um conjunto de elementos coloridos, organizados, equilibrando-se em perfeita harmonia. É sim o resultado de ações coerentes com as minhas raízes onde procura contar a história da origem cabocla, de uma terra do norte."