Parentes do governador Waldez Góes envolvidos em saque indevido de recursos da saúde.

Macapá, 27/11/07 - O deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB) apresentou nesta segunda-feira, 26, na Assembléia Legislativa, cópia de documentos que podem comprovar retirada, de forma fraudulenta, de dinheiro da conta-corrente nº. 47.536-X, agência 4544-6, do Banco do Brasil, em nome do Caixa-Saúde do Hospital de Especialidades de Macapá. No dia 17 de maio de 2005, foram sacados R$ 30.913,15, sem a autorização da presidente do Caixa-Saúde, Luiza Renata Pinheiro Veiga de Carvalho, cunhada do atual secretário de saúde do Amapá, Pedro Paulo Dias de Carvalho.

A presidente Luíza registrou o fato em Boletim de Ocorrência (nº. 1621/2005, no dia 10 de junho de 2005, sustentando que o valor foi subtraído da agência 3851-2, ou seja, diferente da titular, através de cheque avulso. O saque foi feito mediante apresentação do Ofício nº. 20/2004 endereçado ao gerente do Banco do Brasil, Fernando Fernandes, supostamente assinado pela presidente e pela tesoureira do Caixa-Saúde do Hospital de especialidades Maria Elizabeth Gonçalves dos Santos, autorizando a transferência via DOC para a conta-corrente 5053-9 da agência 3851-2.

Assinaturas falsas - Da denúncia feita pela presidente do Caixa-Saúde, o gerente do BB, Fernando Fernandes solicitou à POLITEC e a outros órgãos fora do Amapá, exames grafotécnicos - para comprovar a veracidade das assinaturas -, obtendo a resposta de que as assinaturas, tanto da presidente quanto da tesoureira, haviam sido falsificadas. A fraude teria sido perpetrada por Carlúcio Mira Góes, filho de José Bento Pereira Góes, já falecido

Após a constatação, o gerente do banco enviou a José Góes, que era irmão do chefe de gabinete do Palácio do Setentrião, Alberto Góes, Ofício GEREN nº. 2005/210 informando que o titular da conta-corrente nº. 47.536-X, o Caixa-Saúde do Hospital de Especialidades, teria reclamado da retirada do valor sem que tivesse autorizado. “A perícia técnica concluiu pela falsificação das assinaturas contidas no documento”, diz um trecho do Ofício. O gerente ainda o notificou para que realizasse a devolução, no prazo máximo de três dias, dos R$ 30.913,15, pois teria sacado o dinheiro de forma “espúria” na conta 5053-9 titulada em nome de A. SANTOS DE MORAES - ME.

A referida empresa teria prestado serviços ao Hospital de Especialidades do ano de 2003 até março de 2005, segundo afirmou, via depoimento ao delegado Plínio Roriz Cunha Filho, o procurador da empresa, Edivaldo Carvalho dos Santos, no dia 11 de abril de 2006, ao Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOSP/CONGÓS).

Edivaldo contou ainda que foi procurado por Carlúcio Mira Góes, filho de José Bento Góes, o principal suspeito de ter forjado as assinaturas, “que não trabalhava na empresa e participava dos lucros”, o qual pediu para que a transferência fosse concretizada, sendo logo após também notificado pelo Banco do Brasil sobre as falsas assinaturas. O procurador da empresa, ainda segundo seu depoimento ao CIOSP, se encontrou com Carlúcio Góes, sustentando que avistou os formulários de transferência bancária, em branco, já constando em todos os documentos as “assinaturas” da presidente Luiza Carvalho e de sua tesoureira. Foi Edivaldo quem apresentou ao gerente do BB Fernando Fernandes os formulários que possivelmente tinham sido assinados de forma fraudulenta, documentos estes registrados nos Cartórios Jucá e Cristiane Passos, e requereu ao delegado que tanto Carlúcio quanto sua esposa, Ana Paula Góes, realizassem o exame grafotécnico.

“Parabéns” ao governo - O socialista Camilo Capiberibe, munido com as cópias do Boletim de Ocorrência, do extrato de conta-corrente, do Ofício fraudulento que pedia a transferência; do Oficio do Banco do Brasil e da cópia do depoimento de Edivaldo Santos, lamentou ter, mais uma vez que subir a tribuna para fazer uma denúncia. “Quantos escândalos seremos obrigados a suportar deste governo? Já tivemos o roubo de R$40 milhões dos cofres do setor de saúde pública, fora outros casos de corrupção descobertos pela polícia e agora temos mais este”.

O deputado do PSB ainda discordou dos parlamentares da base governista que lhe pediram para parabenizar o governador Waldez Góes pela sua “administração”. Camilo Capiberibe destacou matéria publicada no jornal paraense “O Liberal” que apontou o governador amapaense como campeão nacional do nepotismo. “Como eu poderia parabenizar um governo notório pela corrupção e pelo nepotismo que torrou dinheiro público da saúde em sua campanha para a reeleição? Como posso parabenizar um governador que gasta R$ 2 milhões por ano para pagar seus familiares que ocupam cargos comissionados?

O líder do PSB na AL, deputado estadual Ruy Smith, disse que o poder de governo de Waldez Góes “é o exercício de um poder indevido. Isso é coisa de família grande, é muita gente, muita cobrança talvez, e o governador que é fraco na questão da autoridade, acaba descambando para esta prática. Se aqueles que estão no poder não derem bom exemplo, por que acharão que a sociedade deverá cumprir com a Lei, já que eles mesmos a desrespeitam?

Investigação - Camilo Capiberibe afirmou que vai apresentar pedido de informações à delegacia geral de polícia como pedido expresso de remessa das cópias do inquérito policial bem como, uma vez dispondo da documentação oficial, vai ofertar denúncia ao Ministério Público Estadual.


Raul Mareco