O Dia - PNAD - Perigo a céu aberto - Falta de rede coletora de esgoto aumenta mortalidade infantil

Rio - A mortalidade entre crianças de 1 a 6 anos é até 28 vezes maior em locais onde não há rede coletora de esgoto, revelou estudo divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para o Instituto Trata Brasil. A pesquisa mostra também que a falta de coleta e tratamento sanitário aumenta em 30% as chances de mulheres grávidas conceberem filhos mortos. Segundo o relatório, apenas 47% da população brasileira têm acesso à rede geral de esgoto.

Com o atual ritmo de investimentos em obras, ainda segundo a pesquisa, só em 2122 o País conhecerá a universalização do serviço. No Rio de Janeiro, 37,94% dos moradores vivem o problema. Na capital, esse índice cai para 24%.

As secretarias municipal e estadual de Saúde não têm estudos que confirmem o problema, pois registram apenas a causa das mortes de crianças que passam pelos hospitais públicos. Mas, de acordo com o coordenador da pesquisa, Marcelo Néri, as chances de uma criança moradora de áreas onde não há saneamento básico morrer é 28 vezes maior que por outras causas. "Esse resultado não é encontrado na literatura médica. Mas, ao cruzar os dados coletados com os da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD), do IBGE, pudemos relacionar o problema. Quando há tratamento de esgoto, os índices de mortalidade infantil caem 4,7%", explica Néri.

Os 14 municípios da Baixada Fluminense conhecem bem o problema. De acordo com o relatório da FGV, 89,24% da população de Seropédica não contam com rede geral. Em Japeri, são 72,59%. Em Nova Iguaçu e Belford Roxo, metade da população está em casas não ligadas à rede de esgoto.

A dona-de-casa Elaine Abreu dos Santos, 25 anos, moradora do bairro São Leopoldo, em Belford Roxo, convive diariamente com o drama da falta de saneamento. Na porta da sua casa corre um valão que vive entupido. Mãe de dois meninos, de 5 e 7 anos, e grávida de quatro meses, Elaine conta que os filhos vivem doentes. "Nos dias de chuva, o valão enche e muitos ratos aparecem. Vivo com medo de um de nós pegar leptospirose", diz.

INVESTIMENTOS

Em resposta ao estudo, a Cedae prometeu investir R$ 1 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, em obras de saneamento na Baixada. As licitações começam em janeiro e a companhia espera que até o fim de 2008 os trabalhos comecem. O primeiro município beneficiado será Caxias, onde 43,69% dos moradores não contam com rede coletora. Já a Prefeitura de Belford Roxo informou que São Leopoldo será um dos contemplados com verba do PAC.