Desenvolvimento sustentável no Amapá: uma visão crítica

Em anos recentes, no âmbito dos debates sobre desenvolvimento e sustentabilidade, a proliferação de abordagens fragmentárias e superficiais vem provocando curtos-circuitos localizados. Nas universidades, isso tem um efeito determinado, nos domínios políticos adquire outro peso e, nos espaços da mídia, bem outro. Suas implicações são igualmente deletérias.

Contrariando essa tendência, a publicação da coletânea Desenvolvimento sustentável no Amapá: uma visão crítica ganha maior importância. Seu objeto de análise é o programa aplicado no Estado do Amapá, no período de 7 anos, entre 1995 e começos de 2002. O governador João Alberto Capiberibe e sua equipe conduziram aquela experiência.

Em 11 textos, vários autores descrevem e comentam diferentes aspectos de um período eivado de contradições: houve destemor ao enfrentá-las. Primeiro, no cotidiano e, entre 2002 e 2005, também nos textos analíticos.

Agora, convidamos os leitores a retomar e partilhar os mesmos desafios em outras claves. Dispondo inclusive de ferramentas polivalentes. Um exemplo: o professor Ignacy Sachs, que apresenta esta mesma coletânea, lançou há 3 meses o livro Rumo à ecossocioeconomia. Teoria e prática do desenvolvimento (Cortez, 2007). Trata-se de um resumo de mais de 30 anos de trabalho em vários países. O caso do Amapá é parte de um imenso conjunto altamente complexo: necessita de novos cérebros para prosseguir com reflexões profundas que conduzam a políticas públicas mais consistentes, pertinentes e duradouras.

Nilson Moulin

SP, 02 outubro 2007