Fronteira do Amapá com a
Guiana Francesa
será tema de documentário

Pouco ou quase nada se sabe sobre a maneira como se constituem as relações entre os habitantes das regiões fronteiriças do Brasil. Foi baseado na vontade de descobrir as fronteiras geográficas, de saber como se formam, por quem são habitadas e o que nelas acontece, que surgiu a idéia de produzir Oiapoque – L’Oyapock, do outro lado do rio – documentário que o cineasta Lucas Bambozzi, da Doc. Filmes Produções, vai realizar sobre o ponto de intersecção do Brasil com a Guiana Francesa.

Trata-se de uma super produção franco-brasileira, com recursos captados do Governo Francês, TV Cannes e leis de incentivos brasileiros, que terá 71 minutos de duração, em 16mm (película) e vídeo digital (dvcam) a cores, com versões para o português, inglês, francês e espanhol. Para a difusão, conforme o projeto, as cópias serão feitas em 35 mm (película) e no sistema Betacam digital.

O documentário não vai se prender às belezas naturais da Amazônia. Na verdade, o foco principal vai ser o modo de vida nas fronteiras, apresentando o cotidiano e as formas extremadas de existência na região, mais especificamente, entre as cidades de Oiapoque (Brasil) e Saint Georges de L’Oyapock (Guiana Francesa).

Conhecida como porta de entrada clandestina para o território francês, Oiapoque, no extremo norte do Amapá, evidencia o maior movimento migratório existente ao longo das fronteiras brasileiras. Garimpeiros, prostitutas e trabalhadores da construção civil, ávidos por melhores condições de vida e de trabalho em território estrangeiro, buscam, a todo custo, formas insólitas de driblar os policiais que guardam a fronteira entre os dois países. Assim, para o documentário, segundo o diretor Lucas Bambozzi, o objeto maior de atenção são os indivíduos e suas histórias.

Viagem de reconhecimento

Para a elaboração do projeto, em julho de 1998, a Doc. Filmes Produções enviou uma equipe de profissionais à fronteira, que fez viagem de reconhecimento da região, resultando na realização do vídeo Viagem na Fronteira – uma espécie de diário de viagem, com duração de 11 minutos –, onde foram gravados depoimentos com garimpeiros, comerciantes, barqueiros (catraieiros), prostitutas e falsificadores de documentos, entre outros, que estão diretamente envolvidos com o trabalho ilícito e arriscado em torno do garimpo e da entrada em território francês. Ou seja, um registro subjetivo e quase íntimo do ambiente da fronteira, e que vai servir de base para a realização da super produção.

Realidade contundente

“São vários os motivos que fizeram do Estado do Amapá uma zona fervilhante de possibilidades duvidosas e arriscadas”, ressalta, nas entrelinhas, o projeto. “A perspectiva de trabalho digno em território guianense, a esperança do enriquecimento no garimpo, o Euro, o baixo custo do vôo entre Cayenne e Paris, a oferta de pacotes fáceis de viagem fluvial-terrestre desde Manaus e Santarém até Oiapoque, a localização estratégica de Macapá na foz do rio Amazonas, são apenas algumas das pistas para o fluxo de brasileiros em direção à Guiana Francesa”, conclui o texto do projeto, que provocará polêmicas em face da realidade contundente da zona de fronteira de um país rico e outro pobre.

A Doc. Filmes Produções é uma produtora de documentários, constituída recentemente por Daniela Capelato e Maria Pidner. Oiapoque – L’Oyapock, do outro lado do rio, conta também com Malu Tavares como produtora associada.

As gravações, que envolverão brasileiros e franceses, com locações no Amapá e na Guiana Francesa, previstas para o segundo semestre deste ano, vão coincidir com o início da construção da ponte sobre o rio Oiapoque. A ponte integrará os países vizinhos e porá fim a aventura perigosa de chegar ao território francês clandestinamente.

O diretor

Lucas Bambozzi – nasceu em 1965, em Belo Horizonte (MG). Desde 1980 desenvolve estudos e trabalhos artísticos em torno da expressividade da linguagem audiovisual com ênfase nos meios eletrônicos. Seu repertório de trabalhos independentes e autorais inclui documentários, videoclipes, curtas-metragens, instalações, obras interativas, CD-ROM’s e vídeos experimentais, vários deles premiados e constantemente exibidos no Brasil e exterior em festivais e mostras em mais de 20 países.

Alguns títulos de sua autoria: “Love Stories” – vídeo experimental realizado em 1992 e adquirido pelo Centre George Pompidou; “A Cidade sem Janelas” e “A Cidade e seus Fluxos” – ambos documentários baseados no projeto Arte/Cidade (1994 e 1997); “Ali é um Lugar que não Conheço” – vídeo gravado no Marrocos, em 1996. Participou da exposição Arte e Tecnologia no Itaú Cultural SP, em 1997; ArteSuporteComputador, na Casa das Rosas SP e Arte/Cidade III, dentre outros eventos de grande porte. Fez a direção de criação do CD-ROM “Valetes” em slow motion, que recebeu o prêmio máximo no Prix Mobis, na França, em 1998. Recebeu a bolsa Vitae de Artes para desenvolvimento do projeto Tormentos, em 1996; a bolsa Virtuose, do Ministério da Cultura, em 1999, e foi contemplado pelo Concurso de Premiação de Projetos de Documentário de Média Metragem, do Ministério da Cultura, em 2000, quando realizou o documentário de longa-metragem “Fim do sem Fim” – sobre profissões em extinção no Brasil. “Fim do sem Fim” em 2001 foi premiado pelo Canal Plus, no 12º FID Marseille – Festival Internacional du Documentaire / Fictions du Reel. Desde o início de 2000 é artista-residente no programa CAIIA-STAR, no Reino Unido, onde desenvolve projetos interativos na área audiovisual.

As produtoras

Daniela Capelato – nasceu em São Paulo (SP), em 1969. Formada em Comunicação, Rádio e TV pela Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo/SP. Em 1987 passou o ano no Institut National de L’Audiovisuel (INA), na França. Produziu diversos programas educativos, entre eles o filme “Escrita”, de Fernando Passos. Como diretora, realizou os vídeos-poemas “Life” e “Noosfera” para o espetáculo Tempera Mental, de Décio Pgnatari, e Lívio Tragtenberg, o institucional do I Mês Internacional de Fotografia, em São Paulo, e o documentário “Baravelli”. De 1997 a 2001, atuou como coordenadora do Núcleo de Cinema e Vídeo do Instituto Itaú, em SP/Brasil, onde produziu série de documentários como “Viagens na Fronteira”, para televisões brasileiras e estrangeiras, e longas-metragens , como “Retrato Falado”, do poeta Castro Alves, de Sílvio Tendler, e “Atlântico Negro – na rota dos orixás”, de Reanto Barbieri – premiado em diversos festivais. Também organizou mostras de filmes e vídeos, nacionais e internacionais. Ainda no Itaú Cultural coordenou o programa Rumos Cinema e Vídeo, de apoio à produção de documentários brasileiros nas modalidades de Desenvolvimento de Projetos e Produção. Em 1998 foi convidada junto às instituições ligadas ao audiovisual na Europa. Em 2000 participou do I Wokshop Latinoamericano de Produção Audiovisual, organizado pelo INPUT (International Public Television) e UNESCO, na Cidade do Panamá, do II Workshop de Produção da Discovery Latin América, em Mérida/México, como editora de programa e do Sunny side of the Doc. – Mercado Internacional de Documentários de Marseille no. “Fórum de Produção de Documentários na América Latina”.

Maria Pidner – também paulista, da capital, nasceu em 1968. Formou-se em Letras Modernas na Sorbonne, Paris IV. Em seguida, especializou-se em Comunicação. Trabalhou entre 1993 e 1997 no Departamento de Relações Exteriores do Ministério da Cultura e da Comunicação da França, onde coordenou as relações diplomático-culturais do Ministério com os países latinoamericanos, criando e financiando colóquios, exposições e eventos culturais. Em 1994 criou o programa “COURANTS” para quadros latino-americanos da cultura. Em 1996, “COURANTS” foi aberto a todos os países do mundo. Em 1997 volta para o Brasil para assumir a assessoria de relações públicas e internacionais da presidência da TV CULTURA/Fundação Padre Anchieta, de São Paulo. Desde então participa de encontros e mercados na área do audiovisual, tais como: Festival International de Programmes Audiovisuels (FIPA, Biarritz), o encontro França-Brasil, sobre a comercialização de documentários, ou o Sunny Side of the Docs, em Marsselha.


Aroldo Pedrosa

Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433


Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.