Fórum Social Mundial

Senador João Capiberibe ( PSM - AP )


Brasília - 11/ 02/ 2004 - o Senador João Capiberibe ( PSB - Amapá ) fez uma análise crítica do IV Forum Social Mundial, realizado em janeiro último, em Bombaim - Índia. A seguir, a íntegra do seu pronunciamento na tribuna do Senado Federal, na tarde de hoje:

“O 4° Fórum Social Mundial, que encerrou seus trabalhos no dia 21 de janeiro, em Bombaim, Índia, manteve seu status de principal pólo de debates para estabelecer prioridades para a construção de um mundo melhor.

Dentre suas grandes propostas, destacaria duas.

A primeira delas é impedir a expansão do neoliberalismo em todo o mundo, processo que continua a provocar desastres econômicos, sociais e ambientais. Isto significa intensificar a campanha pela anulação ou redução da dívida dos países pobres e colocar um termo no processo de privatização dos serviços públicos, particularmente os previdenciários.

A segunda prioridade seria a criação de uma taxa global visando o financiamento do desenvolvimento. Esta medida pode incluir o combate aos paraísos fiscais existentes.

Reporto-me, aqui, ao que acaba de defender o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por ocasião das comemorações do primeiro aniversário do lançamento do Programa Fome Zero: estabelecer-se, a nível mundial, um esforço semelhante para combater o gravíssimo problema da fome.

Nesse sentido, defendeu ele a criação de mecanismos nos mesmos moldes para se garantir receita capaz de viabilizar políticas globais de combate à pobreza. Mais importante, apontou a única via de se chegar a isso. Disse o Presidente: "ou criamos um movimento político para transformar esse problema social da fome em um problema político ou será muito mais difícil, pois os famintos não estão organizados em sindicatos ou em partidos políticos".

O Fórum Social Mundial não pode ser considerado como uma organização, um partido ou uma instituição. Trata-se de um lugar de debate e de reflexão no qual vários grupos sociais organizados do planeta (camponeses, povos indígenas, imigrantes, refugiados, minorias, mulheres, jovens, trabalhadores, sem-terra, sem-teto,etc.), se encontram para discutir uma nova proposta de sociedade. Um lugar de debates e de troca de experiências de pessoas vindas de todos os quadrantes e unidos em torno de uma convicção: é possível construir um outro mundo.

Como sabemos, o Fórum Social Mundial se deslocou da cidade de Porto Alegre para Bombaim, na Índia. O objetivo desta mudança foi a necessidade de dar a conhecer a diversidade de situações existentes em nosso planeta. Diversidade em todos os sentidos: econômica, social, religiosa, étnica, geográfica e cultural. Inclusive, a diversidade no tocante a elaboração de propostas visando a construção de um mundo melhor e mais justo. De fato, existem diversos modos de pensar um mundo melhor, bem como de representar a globalização.

Por exemplo, correntes de pensamento anglo-saxônicas defendem a necessidade de reforçar o poder dos segmentos mais pobres da sociedade, através de suas organizações representativas e associativas, inclusive através de uma melhor inserção destas no mercado. Outras correntes, bem representadas na América latina e em alguns paises europeus também latinos, defendem o fortalecimento do Estado, bem como dos sistemas de regulação e de controle público. Na Ásia, em particular na Índia, crêem que o Estado tem um papel tão importante na luta contra a pobreza quanto a auto-organização e fortalecimento da sociedade civil. Estas maneiras de conceber um outro mundo possível justificam o deslocamento do Fórum Social Mundial para a Índia, bem como a sua existência.

Além de discutir proposições alternativas à globalização neoliberal, um dos objetivos do Fórum Social Mundial foi de acompanhar as repercussões decorrentes da reunião da Organização Mundial do Comercio (OMC) em Cancun, no México, no final de 2003. Existem, hoje, manifestações de autonomia por parte de alguns paises emergentes no cenário político e econômico mundial. A Índia, o Brasil, a China e a África do Sul têm alertado os demais povos para os perigos que pode significar um mundo hegemônico, controlado pelos interesses das grandes potencias ricas, que querem ocupar todo o espaço no mercado mundial, particularmente os Estados Unidos.

A propósito desta hegemonia, a estratégia militar norte-americana no Iraque, que resultou na ocupação militar de um pais independente, foi denunciada e condenada por todos os participantes do Fórum Social Mundial. Os participantes foram unânimes ao conclamar todos os cidadãos do planeta a se unir contra esta nova forma de colonialismo e imperialismo, através da qual os Estados Unidos estão levando a termo um processo de privatização de um país soberano. Mas a contestação da política internacional norte-americana não se limitou apenas à questão da agressão militar. Ela também se estendeu às propostas neoliberais que há duas décadas estão sendo aplicadas com rigor pelas instituições financeiras internacionais controladas pelos Estados Unidos (FMI, Organização Mundial do Comércio OMC), com os resultados negativos que nós todos conhecemos.

O Fórum Social Mundial tem se transformado em um instrumento bastante eficaz para afirmar que não existe apenas uma maneira de encontrar o caminho do crescimento e do desenvolvimento, bem como de organizar a sociedade e a economia. Existem muitos outros caminhos e objetivos que não se resumem apenas ao crescimento da produção.

O Forum Social Mundial também tem sido importante para estabelecer prioridades para a ação, com vistas à construção de um mundo melhor. A primeira delas é impedir a expansão do neoliberalismo em todo o mundo, processo que continua a provocar desastres econômicos, sociais e ambientais. Isto significa intensificar a campanha pela anulação ou redução da dívida dos países pobres e colocar um termo no processo de privatização dos serviços públicos, particularmente os previdenciários. A segunda prioridade seria a criação de uma taxa global visando o financiamento do desenvolvimento. Esta medida pode incluir o combate aos paraísos fiscais existentes.

Trata-se, naturalmente, de uma plataforma mínima com objetivos bem precisos. Em torno destes objetivos, os participantes do Fórum e aqueles que crêem que um outro mundo é possível devem organizar suas campanhas e mobilizações, negociando com todos aqueles que quiserem, sejam sindicatos, partidos, associações e Estados. O importante, nesta etapa, é a construção de um movimento social forte e com relativa autonomia. A este movimento, nesta primeira etapa, cabe a tarefa de re-inventar novas formas de luta e de organização política de caráter democrático. Respeitando, bem entendido, as diferenças e promovendo a solidariedade e a paz”.

Brasília , 11 de fevereiro de 2004. Plenário do Senado Federal

 


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Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.