Comunidade de Iratapurú sofre
com a destruição da fábrica de biscoito


Chico Terra


O incêndio da fábrica de biscoitos de castanha do Brasil ocorrido na comunidade de Iratapurú, que segundo os habitantes, ocorreu de forma criminosa, mas ainda sem esclarecimento convincente, causa, além da penúria moral, pois a auto-estima da comunidade está em baixa, imenso prejuízo de ordem material. Sobre o assunto conversamos com o Sr. Delbanor Melo Viana, o Arraia como é conhecido.

Líder comunitário, catraieiro dos bons e extrativista-ambientalista, dono de uma lucidez formidável, Delbanor nos relata as dificuldades que a comunidade enfrenta sem as facilidades que traziam à vida a fábrica incendiada. Antes da fábrica as famílias que hoje formam a Vila de Iratapurú, viviam distantes umas das outras, logo, o primeiro benefício que trouxe a fábrica foi o de unir uma comunidade antes dispersa. A vila de extrativistas, conta com água tratada, escola até a oitava série, mas o principal avanço, segundo Delbanor, foi mesmo a fábrica de biscoitos.

“Esse incêndio, foi tudo que podia acontecer de ruim pra comunidade, porque o futuro da gente era essa fábrica, porque ela trazia a esperança de capacitação para os jovens de Iratapurú”, comentou Delbanor.

Em um momento que o governo federal anuncia a compra de toda a produção de castanha para a merenda escolar, cuja notícia fez praticamente dobrar o preço do produto, se estivesse em funcionamento, o reajuste no preço, mais o valor agregado obtido através da industrialização, certamente aumentariam bem mais o lucro do extrativista que vender o produto “In natura”. A informação indigna o líder Delbanor e ele diz: “Eles mandam cesta básica pra cá, mas a gente não quer cesta básica. Queremos é trabalhar e ganhar nosso sustento, ao invés de cesta, o governo deveria nos dar é condições de trabalho porque, cesta básica não dá dignidade a ninguém, ao contrário, ela humilha a pessoa.

Outro disparate ocorre com relação ao preço praticado da amêndoa de castanha nos supermercados. Em Macapá, 250g de castanha embalada no Pará estava, antes do aumento, custando R$5,60 em um supermercado da cidade. Na comunidade de Água Branca do Cajarí, no Jarí, compra-se um pacote com quase 1kg a R$1,00. Outro motivo para aborrecer Delbanor que afirma que no ano passado(2003), vendia-se o hectolitro da castanha que retirada a casca pesa 22kg, no máximo a R$ 35,00.

“Na verdade o extrativista que trabalha, que carrega o peso, não ganha nada. Quem ganha com isso é só o atravessador. É por isso que a gente luta com a cooperativa para tentar diversificar os produtos, evitando que caia na mão do atravessador. Antes a gente vendia castanha e nem tinha noção de preço. Hoje, com a fábrica de biscoito, a gente tira o óleo da castanha, você ta vendo aí na revista produto com óleo de castanha”. Delbanor se referia a um artigo da revista Exame onde a Natura utiliza o óleo de castanha na fabricação de cosméticos. Bem que a Natura, com o potencial econômico que possui, poderia ajudar a reerguer a fábrica de biscoitos no seu projeto original, pois, esta é a vontade do povo de Iratapurú. Tal ação iria, além de elevar a auto-estima dos extrativistas, ainda colocaria a empresa sendo merecedora de um título como empresa amiga dos povos da floresta, e também seria uma contrapartida válida de que utiliza a natureza como fonte de enriquecimento financeiro. Além do óleo de castanha a Natura compra óleo de copaíba, o breu branco e está querendo comprar também o camu-camu para trabalhar também na sua linha de cosméticos.

Laranjal do Jarí - Amazônia - Brasil

 


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Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
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Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
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Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.