Vania Beatriz vai lançar
livro de "Crônicas de viagem". .
A autora e sua arte


Vania Beatriz Vasconcelos de Oliveira nasceu em Macapá-Amapá, em 05 de fevereiro de 1960. Filha de José Verissimo da Silva Vasconcelos e Beatriz Borges de Vasconcelos.

Desde a infância demonstrou sua inclinação para as Letras e Artes. Alfabetizada aos 5 anos de idade, servia de atração para as visitas que se admiravam de vê-la ler as manchetes do jornal Última Hora. Na adolescência participou do Coral e do grupo de teatro do SESI. Formou-se em Comunicação social pela Universidade Federal do Pará, em 1982.

Atuou como assessora de RP do SERPRO em Belém-PA, onde organizou duas coletâneas de poesias dos empregados da empresa , o I Festival Canta SERPRO (1985) e o grupo de teatro Verão. Atuou nas peças « A Bruxinha que era Boa », « O consertador de Brinquedos » e « O jardim das flores que falam » e dirigiu a peça « As aventuras de Seu Confusolino ».

Ao mudar-se de Belém para Porto Velho - RO, em 1989, começou a exercitar o escrito de poesias. Poeta bissexta, descobriu sua vocação para as crônicas em 1996, quando deu início a série « Um Dedo de Prosa », publicadas semanalmente na página « Mundo Mulher » do jornal Alto Madeira, nos anos de 1996/97.

Atualmente trabalha como pesquisadora da Embrapa, com atuação na área de comunicação para o desenvolvimento rural.

A viagem à França, em junho de 2001, além da realização de um sonho foi a oportunidade de retomar o ofício de cronista de ocasião.

APRESENTAÇÃO

A idéia de publicar em livro o relato sobre 20 dias de viagem à França, que eu escrevera e divulgara a um grupo restrito de amigos e aos participantes do site Brasil Paixão <http://www.bresilpassion.com >, começou a ganhar corpo a partir do incentivo de alguns leitores.

Mas tive dúvidas. Será que valia à pena expor minhas emoções e pensamentos, alguns de cunho tão íntimo? Teria coragem de me sujeitar a crítica, por vezes impiedosa, correr o risco de ser mal interpretada e injustamente julgada? Publicar as crônicas em um livro, não seria cultivar inegável vaidade?

Três motivos me fizeram pensar que valeria à pena publicar o livro.

Primeiro porque gostaria de incentivar pessoas , a acreditar na realização dos seus sonhos. Descobri a existência de brasileiros que alimentam o sonho de conhecer a França, e franceses que sonham conhecer o Brasil. Porém, acham que é um sonho impossível, ou que já passaram do tempo de realizá-lo.

Segundo para dividir o prazer de conhecer gentes e lugares. Encantos e desencantos em encontros que superaram preconceitos e mitos disseminados sobre a cultura e o avanço tecnológico do país.

Terceiro , para ser fiel: no dia em que finalizei a formatação do livro, as dúvidas persistiam. A resposta veio na liturgia do dia, a parábola do servo infiel, que enterrou os talentos que o patrão he deu. (Mt 25,14-30). Resolvi acreditar que escrever foi o talento que Deus me confiou.

Espero que pelo menos um dos meus motivos, façam o leitor pensar que valeu à pena ter lido estas crônicas.

Vânia Beatriz

Porto Velho, novembro/2002Realizando um sonho de viagem (1)

Quando me perguntavam qual o meu sonho irrealizado, dizia que era fazer uma viagem à França, país pelo qual me tomei de paixão desde que comecei a estudar francês, disciplina obrigatória do curso de secretariado técnico, no Colégio Comercial do Amapá, em Macapá, cidade onde nasci.

Para ampliar a oportunidade de aprender a língua, passei a trocar correspondência com franceses e não perdia nenhuma oportunidade de me aproximar de qualquer um que falasse francês. Quando estagiária do Departamento de Polícia Federal, em Macapá, cheguei a pedir autorização para conversar com um francês que se encontrava preso por tráfico de drogas.

Depois, em Belém, estudei dois anos no Centro de Línguas da Universidade Federal do Pará, sob a orientação da inesquecível professora Cleide Bogéa, uma brasileira que namorava um francês, e nos fazia viajar em suas aulas contando histórias de suas viagens à França e arredores. Quando mudei para Porto Velho - Rondônia, não havia escola de francês, vieram as aulas por correspondência, uma divertida forma de estudo em grupo na companhia de duas amigas.

Chegou a era da internet, o mundo tornou-se muito pequeno. Descobri o site Brasil Paixão (BP), que reúne estrangeiros, sobretudo franceses, apaixonados pelo Brasil, e de certa forma uma recíproca em relação aos brasileiros apaixonados pela França.

Na lista de discussão do BP, se fala de tudo e com todos, entrou em pauta o açaí do Pará. Eu uma cabocla amazônica, não pude deixar de manifestar minha paixão pelo delicioso suco da fruta, com todo o bairrismo a que tenho direito afirmei: o melhor açaí do Brasil é o de Belém do Pará.

Jean Pierre, um francês que morou em Belém, concordou comigo. Conversamos um pouco mais e por coincidência descobrimos que ele conhecia a minha ex-professora, de quem eu não tinha notícias há muitos anos. Graças a ele fiquei sabendo que Cleide estava morando na África com o marido francês. Maravilhas do mundo net: em poucos dias, através do correio eletrônico, retomei um contato há muito perdido.

Ela, que se lembrava de mim, como a moça alta e magra, parecendo manequim, perguntou-me se eu já realizara meu sonho de ir à França. Contei-lhe que desde a Copa de 1994 que eu pensara mais firmemente no assunto, mas não havia economizado o suficiente. Ela foi categórica: trate de comprar sua passagem, em junho estarei em Paris a sua disposição para mostrar-lhe a França. As passagens foram compradas via internet, numa agência em Belém ; as dicas de viagem vieram de amigos próximos e, sobretudo dos bpistas. O visto e a compra dos francos ficou sob a incumbência de minha irmã Rosany, em Macapá.

Era abril de 2001, o caminho para a realização do sonho começou a ser trilhado.


Doce Amazônia

Doces e licores
de frutas regionais.
Deliciosos.
0XX96 224 1491


Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433

Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.