IDÉIAS
MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER
11/5/2004

Hábitos de Bush preocupam o mundo

Já há quem se pergunte nos EUA se o apreço pela tortura, pela violação sistemática dos direitos humanos, pela transformação da guerra em negócio e pela mentira estariam atrapalhando as atividades do presidente George W. Bush.

George W. Bush nunca escondeu seu apreço por uma boa guerra, uma oportunidade para seus amigos fazerem bons negócios, uma mentira lucrativa, uma nova fonte de capital, a mais potente cachaça da América. Mas agora, alguns de seus conterrâneos começaram a se perguntar se a predileção do presidente por esses hábitos está afetando sua atuação no governo e a atuação do país no mundo.

Nos últimos meses, o governo de direita de Bush tem sido atacado por uma crise atrás da outra, variando das denúncias sobre empresas amigas fazendo negócios milionários no Iraque ao vazamento das sessões secretas de torturas, estupros e execuções de prisioneiros iraquianos. O presidente tem se mantido distante das areias do Golfo Pérsico, deixando seus assessores fazerem grande parte do trabalho pesado. Isto tem provocado especulação de que seu aparente não envolvimento e passividade poderiam estar de alguma forma ligados ao seu apreço pelo sangue alheio. Aqueles que o apóiam, como Donald Rumsfeld e Condolezza Rice, negam os relatos dessa atração excessiva.

Apesar de líderes políticos, democratas e republicanos, e jornalistas estarem cada vez mais falando entre eles sobre os peculiares hábitos do presidente, poucos estão dispostos a expressar seus receios publicamente. Uma exceção é Michael Moore, jornalista e documentarista que acompanha a trajetória de Bush há muitos anos e teme que o presidente esteja destruindo os neurônios e a consciência da América. Moore gosta de lembrar uma declaração de Bush, feita no dia 14 de junho de 2001, a propósito de sua vitória eleitoral. "É impressionante que eu tenha vencido", disse Bush. "Eu estava concorrendo contra paz, prosperidade e responsabilidade". A frase foi dita pelo presidente ao primeiro-ministro suíço Goran Person, sem saber que uma câmera de TV estava registrando a conversa ao vivo.

Moore escreveu um livro sobre os hábitos políticos e privados de George W. Bush. Em Stupid White Men ("Estúpidos Homens Brancos"), chega a escrever uma carta ao "presidente" (palavra usada sempre entre aspas pelo fato de o autor não considerá-lo eleito, mas sim levado à Presidência por um golpe de Estado), em que pede que ele responda três questões relevantes ao mundo e ao povo norte-americano. As perguntas são:

1. "George, você é capaz de ler e escrever em um nível adulto?"
2. "Você é alcoólatra? Se sim, como isso afeta sua performance como Comandante-Chefe?
3. "Você se droga?"

Ao receber o Oscar de melhor documentário por "Tiros em Columbine", Moore voltou a externar suas preocupações com o comportamento do presidente. Ao homenagear seus colegas de produção, Morre disse: "Em nome de nossos produtores Kathleen Glynn e Michael Donovan (que é do Canadá), eu gostaria de agradecer a Academia por este prêmio. Eu convidei meus colegas de categoria para subir comigo ao palco. Eles estão aqui em solidariedade porque nós gostamos de não-ficção. Nós gostamos de não-ficção, contudo vivemos em tempos fictícios.

Vivemos em um tempo onde temos resultados fictícios de uma eleição que elege um presidente fictício. Vivemos em um tempo onde temos um homem nos enviando para a guerra por razões fictícias. Não importa se é a ficção das fitas de vídeo ou dos alertas vermelhos. Nós estamos contra esta guerra, Sr. Bush. Tenha vergonha, Sr. Bush, tenha vergonha. Quando você tem o Papa e os Dixie Chicks contra você, é porque seu tempo acabou".

Os porta-vozes de Bush se recusam a discutir essas críticas aos hábitos do presidente, dizendo que não respondem a acusações infundadas. Eles consideraram que as "especulações" sobre a responsabilidade de Bush com as mortes, torturas e atrocidades que estão ocorrendo no Iraque são "uma mistura de preconceito, desinformação e má fé".

Bush, ex-homem de negócios do setor petrolífero, provou ser um homem de apetites e impulsos fortes, o que faz com seja muito apreciado pelos amigos. O vice-presidente Dick Cheney, por exemplo, que antes de ser seu vice trabalhava na Halliburton, pode presentear seus ex-colegas com um contrato milionário no Iraque. Auditores do Pentágono, também preocupados com os hábitos de Bush, chegaram a pedir uma investigação formal acerca de preços superfaturados cobrados pela Halliburton no Iraque. A corporação, que tem sido uma das principais beneficiária do saque do Tesouro americano patrocinado por Bush para pagar sua destruição no Iraque, foi acusada de extrair um excesso de US$ 61 milhões por meio de um nebuloso acordo de importação de gasolina do Kuwait.

Os líderes políticos da América e a grande mídia vinham lidando com o assunto de forma indireta. Agora, sempre que possível, publicam fotos de prisioneiros iraquianos sendo torturados, humilhados ou estuprados para manifestar sua preocupação com os efeitos dos hábitos de Bush na sua atividade como presidente e na imagem do país.

Historicamente, os norte-americanos têm motivo para preocupação diante dessas imagens de violência, de soldados voltando para casa em caixões cobertos por bandeiras impecáveis, de tortura praticada contra populações estrangeiras. As imagens do Vietnã ainda fazem parte da memória recente, mas correm sério risco de virar brincadeira de criança perto das novas cenas que vêm do Iraque, gravadas e fotografadas meticulosamente. Se Bush tem realmente ou não um problema com o sangue e a dignidade humana, a questão está penetrando na consciência do mundo e deixou de ser motivo de piada.

Alguns norte-americanos começaram a se preocupar seriamente com os hábitos de Bush quando tomaram conhecimento da proposta do governo sobre quanto dinheiro será destinado para o Pentágono durante os próximos cinco anos (US$ 1,3 trilhão) e quanto os EUA precisariam para renovar e melhorar cada escola do país (US$ 112 bilhões).

Bush nasceu em uma família rica do Texas e passou anos liderando grupos empresariais do setor petrolífero, um ambiente famoso pelo alto consumo de bebida e pelos hábitos extravagantes, como colocar chifres de boi no capô dos automóveis. A imprensa dos EUA já descreveu repetidas vezes os problemas que ele teve com a bebida quando era mais jovem. Recuperado, fez carreira na política, foi governador do Texas e chegou à Casa Branca, onde encontrou terreno para alimentar seus novos hábitos.

São inúmeros as histórias de episódios envolvendo sua atração pela violação dos direitos humanos, pela transformação da política em um balcão de negócios e pelo uso da guerra como meio de aumentar a riqueza de seus amigos. Esses hábitos nunca o impediram de ser eclético em suas atividades: fez negócios com Bin Laden, com Saddam Hussein e outros que, mais tarde, identificaria como integrantes do eixo do mal.

"Tortura no Iraque demonstra fracasso moral dos EUA", escreveu o jornal Le Monde, em sua edição de 8 de maio, em um artigo que relaciona a política de Bush às humilhações e as sevícias infligidas por soldados norte-americanos aos detentos iraquianos em uma prisão próxima de Bagdá. O comportamento de seu presidente obriga, disse ainda o jornal francês, os EUA a encarar mais uma vez a oposição entre a superioridade moral que pretendem ter e a violência que fabricam. Os norte-americanos têm, de fato, muitos motivos para tornar os hábitos de seu presidente uma preocupação nacional. O mundo também.


Marco Aurélio Weissheimer é jornalista da Agência Carta Maior (correio eletrônico: [email protected])


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