Sendero ressurge e Exército reforça fronteira com Peru

Guerrilha está se rearticulando e já faz incursões em território brasileiro, o que desperta preocupação dos militares e da PF

ROBERTO GODOY

No dia de Santo Inácio o medo chegou ao vilarejo de Ribera, no sudeste do Peru, bem perto do Brasil. Na madrugada daquela quinta-feira, dia 31 de julho, o agricultor Miguel Tomaz foi seqüestrado em sua casa por um grupo armado. Torturado, primeiro Tomaz teve os olhos arrancados a faca. Depois foi morto com dois tiros na nuca.

Tomaz era suspeito de colaborar com a Diretoria Geral Antiterrorista (DGA) e teria sido executado por um esquadrão justiceiro da guerrilha. O distrito de Ribera, que não consta dos mapas, há três meses não tinha sequer um policial, mas agora abriga um esquadrão do Exército e agentes do DGA.

O coração negro do mais violento e cruel movimento revolucionário da América Latina, o peruano Sendero Luminoso (SL), está pulsando forte outra vez.

Dez anos depois da prisão de seu líder, o professor de filosofia Abimael Guzman Reinoso, e de ter sido declarada extinta pelo governo do então presidente Alberto Fujimori, a renascida guerrilha senderista já soma 1,5 mil homens e mulheres. Na primeira fase de sua existência, o Sendero (também identificado como Partido Comunista do Peru) reuniu 7 mil combatentes. Deixou um rastro de destruição de povoados inteiros. A guerra civil fez 69 mil mortos ao longo de 22 anos, entre 1970 e 1992.

Pelotões - Os rebeldes atuam em uma vasta região do país e nas linhas de fronteira com o Brasil, o Equador e a Colômbia. Os serviços de inteligência do Comando Militar da Amazônia (CMA) e da Polícia Federal registram incursões do Sendero Luminoso em locais como São Salvador e Marechal Thaumaturgo, no Acre.

O Comando do Exército brasileiro vai instalar na região, até 2006, cinco novos pelotões de fronteira entre Estirão do Equador (AM) e Cruzeiro do Sul (AC).

O Ministério da Justiça planeja um reforço da presença da Polícia Federal em Santo Antônio do Içá.

Organizados em colunas de ataque, os rebeles executam ações ousadas. Em junho, o grupo Prosseguir - espécie de tropa de elite do Sendero - seqüestrou de uma só vez 70 funcionários da empresa argentina Techint que trabalhavam na construção de um gasoduto na província de Ayacucho. O grupo foi liberado 36 horas depois em circunstâncias ainda nebulosas, mantidas sob sigilo por determinação do presidente peruano, Alejandro Toledo. Já houve também enfrentamento com forças do Brasil.

Rio bloqueado - Na primeira quinzena de julho, ainda em Ayacucho, a guerrilha bloqueou um rio para impedir o resgate de um lote contrabandeado de madeiras nobres brasileiras. Tropas do Comando Militar da Amazônia, com apoio de um helicóptero e de lanchas artilhadas foram enfrentadas por um grupo de índios armados. Houve um choque limitado. Uma mulher saiu ferida. O episódio, gravado em vídeo pela infantaria de selva, está sendo avaliado em Manaus. "Não havia índios na barreira. Havia brancos disfarçados de índios. Estavam equipados e agiam com a disciplina que só o treinamento confere", disse ao Estado um oficial de operações do Comando da Amazônia.

O mesmo militar considera que as operações do Sendero Luminoso estão voltadas para a obtenção de dinheiro para financiar a revolução. "São missões de proteção ao narcotráfico, ao contrabando de madeira, pneus, e,
naturalmente, de armas para o crime organizado."

O líder Abimael Guzmán conduz o movimento de dentro da penitenciária. Embora tenha adotado uma retórica conciliadora, mantém a linha marxista-maoísta e defende uma revolução cultural "contra os valores capitalistas", como precursora de uma nova ordem.

Apoio - Inspirado pelo esforço das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de levar a discussão da luta armada para os países vizinhos, Guzmán está despachando sistematicamente emissários encarregados de obter apoio para o Sendero Luminoso.

Em São Paulo, no dia 18 de setembro, na casa de um professor da Universidade de São Paulo (USP), um desses embaixadores falou para dez pessoas sobre a guerra do Sendero Luminoso. Uma semana mais tarde, repetiu a palestra em Campinas, na moradia coletiva de estudantes da Unicamp ligados ao PSTU. O senderista distribuiu panfletos cujo texto inclui o Brasil entre os objetivos táticos dos rebeldes, assumiu o seqüestro do pessoal da Techint, mas recusou-se a comentar a morte de Miguel Tomaz e o medo em Ribera.


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Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.