SEMINÁRIO INTERNACIONAL
"LANDI E O SÉCULO XVIII NA AMAZÔNIA"

A Universidade Federal do Pará, o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Universidade da Amazônia realizam o Seminário Internacional “Landi e o Século XVIII na Amazônia”, de 17 a 21 de novembro de 2003. O evento reunirá no teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, em Belém, especialistas do Brasil e do exterior para homenagear e lançar novas reflexões sobre a vida e obra do arquiteto e naturalista bolonhês Antonio Giuseppe Landi, que no século XVIII romperia com o cânone barroco até então dominante na arquitetura do continente americano. Para ampliar a discussão sobre o legado de Landi, estão previstas várias conferências com estudiosos do Brasil, Estados Unidos, Portugal e Itália.

O evento mostrará os ambientes político, social, religioso, filosófico e cultural que vigoraram na região no século XVIII. As transformações vividas pela Amazônia setecentista, que respirava os ideais do Iluminismo traduzidos na política de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, serão debatidas por autoridades locais e estrangeiras no assunto. Estão confirmadas as presenças dos pesquisadores Kenneth Maxwell, do Council for Foreign Affairs, de Nova Iorque; e Massimo Gennari, da Universidade de Florença, entre outros historiadores, arquitetos e urbanistas.

De Belém, os professores Benedito Nunes, Geraldo Mártires Coelho e Décio Guzmán, da Universidade Federal do Pará, ajudarão a recompor o panorama do pensamento filosófico, religioso e político que dominava o Grão-Pará no século XVIII. A fértil produção artística e arquitetônica de Antonio Landi, que transportou para seus projetos o ideal pombalino de monumentalidade, será tratada pelas conferencistas Isabel Mendonça, da Fundação Ricardo Espírito Santo, de Lisboa; e Elna Trindade, da Universidade da Amazônia. A incursão de Landi na cartografia portuguesa será enfatizada pelo professor Edílson Motta, enquanto o zoólogo Nelson Papavero, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, falará de um lado menos conhecido do arquiteto: sua atuação como naturalista.

Durante suas viagens pela região, Landi desenhou e descreveu várias plantas e animais, reunidos num manuscrito traduzido e publicado em 2002, pelo professor Papavero (“Landi, fauna e flora da Amazônia”. Museu Emílio Goeldi, 2002). Dentre as plantas, pode-se encontrar informações sobre o cupuaçu, incluindo os usos que os índios faziam desse alimento. Sobre os animais, Landi discute a classificação dos jabutis, descreve aves e mamíferos.

Durante o evento, as instituições participantes darão início ao Fórum Internacional de Estudos Landianos, que tem como objetivo incentivar a realização de estudos multidisciplinares e interinstitucionais sobre o século XVIII na Amazônia, divulgando novas fontes e investigações sobre o assunto.

Além de vasto conteúdo sobre a Amazônia setecentista, os organizadores prometem um concerto de música sacra composta no Pará no período em que Landi viveu. Trata-se de um conjunto de músicas (cantochão) compiladas pelo Frei João da Veiga, religioso da Real Ordem Militar de Nossa Senhora das Mercês, da Redenção dos Cativos. A descoberta desse material deu-se graças às pesquisas do musicólogo Vicente Salles, que tratará do assunto no Seminário. As composições serão interpretadas pelo Coral da Fundação Carlos Gomes, de Belém. Durante o espetáculo, será gravado um CD intitulado "O Cantochão dos Mercedários do Grão-Pará". O concerto ocorrerá no dia 18 de novembro de 2003 (terça-feira), às 19 horas, na Igreja de Santana. A realização é da Secretária Executiva de Cultura do Pará (SECULT) e da Universidade Federal do Pará.

Está previsto, ainda, o lançamento de dois livros: "António José Landi (1713/1791) - Um artista entre dois continentes", de Isabel Mendonça, resultante de sua tese de doutorado e editada pela Fundação Calouste Gulbenkian (Portugal); e "Scene dall'Amazzonia: Belém Paris n'America", ensaio de Francesco Lucarelli, da Universidade Federico II, de Nápoles.

O evento também reserva um momento para homenagear os pesquisadores que se destacaram no estudo da vida e da obra de Antonio Giuseppe Landi. Serão homenageados Paul Albuquerque, Leandro Tocantins, Mário Barata, Robert Smith, Germain Bazin, Donato Mello Junior (in memoriam), Augusto Meira Filho (in memoriam) e Ernesto Cruz (in memoriam).

O Seminário Internacional "Landi e o Século XVIII na Amazônia" conta com o patrocínio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Secretaria Executiva de Cultura do Pará (SECULT), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e Rede Celpa. Conta, ainda, com o apoio da Fundação Romulo Maiorana (FRM), Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), UNIMED-Belém, Sol Informática, Sociedade Zeladora Amigos do Museu Goeldi, COHAB e Amazônia Eventos. Inscrições e informações http://www.landi.inf.br

Antonio Giuseppe Landi na Amazônia: 250 anos

Antonio Giuseppe Landi (1713-1791) chegou à Amazônia em 1753 na condição de "riscador" (desenhista) da Primeira Comissão Demarcadora de Limites entre os domínios de Portugal e Espanha na América do Sul, decorrente do Tratado de
Madrid (1750). Inseriu-se, portanto, no contexto das transformações implementadas no Império Português pelo Marquês de Pombal, ministro do rei D. José I. Na Amazônia, o projeto pombalino pode ser considerado nos seus múltiplos aspectos geopolíticos, concretizados no levantamento cartográfico e iconográfico, na realização de estudos sobre o território, na
centralização administrativa, na expulsão das ordens missionárias, na construção de vilas e fortificações, etc. Para a realização dessas tarefas, a Coroa contratou e transferiu para a Amazônia, ao longo da segunda metade do século XVIII, dezenas de técnicos especializados, dentre eles, o arquiteto e naturalista bolonhês Landi.

Com alguma produção deixada em solos português e italiano, é na Amazônia que Landi vai deixar a maior parte de sua obra, considerada uma das primeiras rupturas do cânone barroco então predominante no continente. Dentre suas atividades como naturalista, destacam-se a elaboração de uma História Natural do Grão-Pará, a manutenção de um horto botânico e de um jardim zoológico no engenho de sua propriedade, o Murutucu, e a colaboração na "Viagem Philosophica" de Alexandre Rodrigues Ferreira (1783-1792).

 



Doce Amazônia

Doces e licores
de frutas regionais.
Deliciosos.
0XX96 224 1491


Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433

Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.