População quer incentivos para
o turismo em Serra do Navio

Atividade foi a principal medida compensatória sugerida para a saída da mineradora Icomi

Cleber Barbosa (*)

Sem entrar no mérito da discussão sobre o sucateamento dos bens a serem deixados pela Icomi, os moradores de Serra do Navio foram a uma audiência pública na sexta-feira dizer que querem apoio para o turismo. A atividade foi apontada como a principal medida compensatória pela interrupção, com seis anos de antecedência, da lavra do manganês - a principal riqueza mineral do lugar. A audiência foi bastante concorrida e contou com as presenças do juiz, o promotor, o prefeito e os vereadores da cidade.

O evento foi organizado pelo Ministério Público Estadual (MPE), que desde dezembro do ano passado abriu Inquérito Civil Público para apurar o processo de reversão do patrimônio da mineradora para o Estado e os municípios afetos ao projeto: Serra do Navio e Santana. O promotor da Comarca de Serra do Navio, Iaci Pelaes, disse que a audiência pública é um elemento vital no processo, pois, segundo ele, “é fundamental a participação da comunidade local, pois isso dá legitimidade aos pedidos feitos pelo Ministério Público”.

O campeão de sugestões na reunião foi o ex-funcionário Antônio Cláudio Barbosa (apelidado de Padeiro), que mora na cidade há quase quarenta anos. Foram vinte idéias práticas para o aproveitamento da estrutura já existente. Sugeriu que os maquinários passassem por uma restauração mínima e depois fossem abrigados num estacionamento coberto, num museu de grandes proporções; já no alto da montanha “Torre”, cada setor da Icomi poderia montar um estande contando as etapas da produção mineral; os prédios industriais poderiam abrigar cursos profissionalizantes (Senai, Senac, etc.).

O ex-mineiro arrancou aplausos dos moradores, especialmente ao defender que os moradores devam receber incentivos para desenvolver sub-atividades ligadas ao turismo. “Mas para isso precisamos trazer os turistas para cá. Então a BR-210 deve estar em boas condições, o trem não pode parar e até o aeroporto que só funcionou um dia poderia ser reativado”, argumentou. Ele também disse que os caminhos antes trafegados pelos caminhões fora-de-estrada da Icomi, poderiam se transformar em trilhas de jipeiros ou circuitos de raly.

Compensações
O prefeito serrano, Edelson Santiago, disse ter mantido encontro na semana passada com o governador Waldez Góes e este teria dito que o asfaltamento da BR-210 (que liga Macapá a Serra do Navio), será uma realidade. “Essa obra está inserida nas medidas compensatórias pela criação do Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque. Isso acontecendo estaria perpetuado Serra do Navio como cidade turística”, previu.

Por sugestão da Câmara de Vereadores, o assunto merecerá uma segunda audiência pública, com data indefinida. Quem também já sinalizou com a possibilidade de realizar discussão semelhante, foi o prefeito de Santana, Rosemiro Rocha. “O minério foi tirado de Serra do Navio, mas é em Santana que ficou o passivo ambiental: 70 mil toneladas de manganês contaminado com arsênio”, esbravejou.

Uma sugestão do promotor Iaci Pelaes promete render polêmica. Ele que o minério estocado em Serra do Navio - 3,6 milhões de toneladas -, sejam vendidos para se reverteram em indenização pecuniária para o Estado e os dois municípios. Para o diretor da Icomi, José Ortiz Vergolino, o contrato é claro quando diz que o estoque pertence ao investidor. O executivo, entretanto, afirmou que o esse minério é de teor mais baixo, sendo mais difícil sua comercialização. “Mas nós estamos sensíveis aos pedidos da população e das autoridades e certamente iremos conversar sobre isso também”, concluiu.

O procurador-geral de Justiça do Amapá, Jair Quintas, disse que a estratégia inicial do Ministério Público tem sido a busca pelo diálogo e a conciliação. “Temos pautado nossas ações desta maneira. Podemos elaborar com as partes envolvidas um Termo de Ajustamento de Conduta, mas se isso não for possível a alternativa é transformar o inquérito em Ação Civil Pública e buscarmos a intermediação da Justiça”, finalizou.
(*) Assessor de Imprensa/MPE

 


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Serra do Navio


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Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.