Defumados de gurijuba
Empresa utiliza caroço seco de açaí
para agregar valor ao peixe regional

Paulo Roberto Ferreira de Vigia
Fotos: Rodolfo Oliveira

Que tal experimentar um patê de gurijuba defumada? Ou um suflê de uritinga defumada? Calma, ainda não se encontram esses pratos em escala comercial nos restaurantes da região, mas o arquiteto Marco Antônio Moraes assegura que existe uma variedade de pratos como bolinho, risoto, salada, salpicão, molhos para massas e sushi que podem ser feitos com peixe defumado. E algumas pessoas já estão experimentando de forma artesanal até no recheio de pizza. Por acreditar nesse nicho de mercado, ele montou uma pequena agroindústria para produzir peixe defumado, no mesmo padrão do peixe da Escócia, Finlândia e outros países europeus que têm forte tradição pesqueira.

A empresa, Baltoni Defumados, fica no município de Vigia, microrregião do Salgado, a 93 quilômetros de Belém. O investimento inicial com a construção da unidade e a compra de equipamentos foi de R$ 45 mil. Conta com dois fornos para processar 600 quilos semanais. Mas ainda está operando com apenas 20% da sua capacidade instalada. Falta conquistar o mercado regional, que tem o hábito de comer peixe fresco e salgado. Os primeiros clientes são restaurantes e supermercados de Castanhal e Belém.

O negócio começou a ser montado há dois anos, mas a indústria só começou a funcionar em dezembro do ano passado. Entre um projeto arquitetônico e outro, Moraes foi aplicando as economias na montagem da Baltoni, que utiliza carvão vegetal comprado na região e caroço seco de açaí para fazer a defumação. "O caroço do açaí que vira lixo, é triturado aqui e se transforma em insumo na empresa".

Moraes pretende conquistar o consumidor da classe média, que gosta de comer bacalhau, salmão, sushi, prato japonês feito com bolinho de arroz temperado com saquê e vinagre. Dois dos seus clientes são a Associação Nipo-Brasileira de Castanhal e o restaurante do Banco Central, em Belém.

O peixe é comprado diretamente do pescador artesanal por R$ 3,00 o quilo. E depois de defumado, semelhante ao ad hoc escocês, o filé é comercializado por R$ 36,00, uma valorização, portanto, de 1.200% no produto. O empresário lembra que o salmão defumado, importado, custa R$ 96,00. E que a gurijuba e a uritinga, peixes do estuário, são os melhores que ele escolheu para o defumado regional. O processo de defumação rápida a quente dura 12 horas para preparar o produto final, que tem validade por 30 dias. E se for conservado em refrigerador, o prazo de duração se amplia para 60 dias.

Extrato - Outro subproduto que a Baltoni está colocando no mercado é o extrato de peixe, feito da carcaça do animal, que agrega ainda o cheiro verde, chicória e pimenta doce. Todas as verduras são produzidas de forma orgânica no sítio que cerca a agroindústria.

A nutricionista da Prefeitura de Vigia já testou o produto, que foi aprovado para usar na merenda escolar dos alunos da rede municipal. A coordenação do Projeto Maria Maria, que trabalha com mulheres, também encomendou 250 quilos mensais do extrato, que tem um preço de R$ 1,80 o quilo.


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Matinta-perêra
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Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.