Desenvolvimento sustentável.:
Povos amazônicos buscam
agenda comum
de lutas em Belém do Pará

Para militantes e delegados presentes no Fórum II Fórum Social Pan-Amazônico, em Belém, foi alcançado pela primeira vez um patamar de representatividade internacional que permite vislumbrar a elaboração de uma agenda de lutas em defesa da Amazônia.

Maurício Thuswohl

Belém - O II Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA) é um evento diferente de todos os outros já realizados na região. Essa, ao menos, parece ser a convicção das cerca de cinco mil pessoas presentes ao II FSPA, que acontece em Belém. A esperança de que as coisas podem mudar na Amazônia, e na América Latina em geral, pareceu eletrizar o céu da capital paraense durante todo o primeiro dia do evento (16). Desde o fim da madrugada, com a chegada das caravanas fluviais, até o fim da tarde, quando aconteceu a passeata contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), era perceptível uma mudança de perspectiva política nas palavras de ambientalistas, indígenas, trabalhadores do campo e da cidade e demais presentes ao evento.
Na explicação da maioria dos militantes e delegados do II FSPA, essa mudança de perspectiva tem origem em uma dupla vitória. No plano interno ao fórum, foi alcançado pela primeira vez um patamar de representatividade internacional que permite vislumbrar a elaboração de uma agenda comum de lutas em defesa da Amazônia para os nove países amazônicos. Essa agenda, se elaborada, tem tudo para colher inúmeros apoios junto às ONGs e demais organizações da sociedade civil européia e norte-americana, que também se fazem representar em bom número em Belém. No plano externo, a vitória passa pela presença de políticos considerados aliados da luta em defesa da Amazônia na Presidência da República de três importantes países da região. São eles, segundo os militantes, Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Lúcio Gutierrez (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela).

Para Adilson Vieira, membro da coordenação do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e um dos coordenadores do fórum, o momento é propício a um salto de qualidade na relação política entre as organizações que atuam na Região Amazônica: “As experiências que temos acumulado ao longo dos últimos anos mostraram para as sociedades nos países amazônicos que a Amazônia e suas populações podem se desenvolver de maneira sustentável. A prioridade agora é buscar junto aos governos progressistas da região a efetivação de políticas públicas que tenham as populações amazônicas como protagonistas, e não meros objetos”, disse.

O índio Gerônimo Ticuna, que veio da Colômbia e enfrentou seis dias de viagem de barco até chegar a Belém, também acha que a hora é de união: “As populações indígenas devem alertar os governantes sobre o perigo que representa a Alca. Se o acordo for estabelecido, vai significar mais morte e desolação para os índios. A responsabilidade dessa luta está nas costas dos líderes comunitários e não podemos fugir dela”, afirma.

Participação indígena e de base são trunfos do fórum
A boa presença (em quantidade e qualidade) de representantes indígenas - são mais de 50 nações representadas no II FSPA - é outro trunfo do fórum que começa. Apesar das dificuldades de financiamento e transporte, que provocaram algumas sentidas ausências, os índios da América do Sul têm uma chance ímpar de se articular politicamente. Estão em Belém, pessoas das etnias Huitoto, Yacubo e Tikuna (Colômbia), Taurepang (Venezuela), Ashaninka (Peru) e Kalina (Guiana Francesa), além das etnias brasileiras Caiapó, Curuays, Tiriós, Mundurukus, Xipariais, Macuxis e Tembés.

Reunido com outras cem lideranças indígenas na Escola-Bosque, centro de Educação Ambiental da Prefeitura de Belém, Muxi Tembé enumera os motivos que levaram seu povo a ser a etnia representada em maior número no II FSPA: “Muito têm sido discutido, mas continuam a extrair ilegalmente e roubar nossa madeira, nossas crianças continuam passando fome e começam agora a nos privar do acesso à água. Os índios querem ver quem é que vai acabar de verdade com essas coisas erradas”, cobra.

A cobrança de Muxi não deve ser a única em um fórum que conta com inédita participação de pessoas da base das comunidades indígenas. Isso se reflete também na representação de outros protagonistas do II FSPA, como seringueiros, castanheiros, agricultores, quebradeiras de coco e pescadores. Para Luís Antônio Papa, membro da Coordenação de Relações Internacionais da Prefeitura de Belém e outro articulador do fórum, a participação dessas pessoas é o que pode determinar a verdadeira mudança de perspectiva na luta em defesa da Amazônia: “Estamos acabando de vez com o mito do vazio demográfico na Amazônia e trazendo para o centro da discussão as populações que habitam a região”, afirma.

Segundo Papa, as populações amazônicas podem, de forma inédita, indicar quais caminhos devem ser trilhados no rumo do desenvolvimento sustentável da região: “Antes, a Amazônia era a periferia da periferia, pois, mesmo nos países amazônicos, a floresta sempre fica muito longe da capital e as discussões acabavam sendo estabelecidas a milhares de quilômetros da realidade da floresta. Agora, a tendência começa a se inverter”, aposta.

Até mesmo a maneira de os militantes europeus e norte-americanos lidarem com as populações amazônicas, na opinião de Papa, reflete amadurecimento: “Representantes de ONGs dos países desenvolvidos já não pretendem “catequizar” os povos da Amazônia com fórmulas políticas ou técnicas que trazem prontas de seus países. A maioria deles afirma que está em Belém para buscar respostas junto às populações locais. Isso é uma tremenda conquista”, disse. (Carta Maior)


 


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Perau
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Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.