II Fórum Pan Amazônico
reúne representantes
de diferentes grupos da América Latina


Representantes da sociedade civil e governamental dos países que integram a Amazônia legal - Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador, Suriname, Guiana, Peru, Bolívia e Guiana Francesa-, além de representantes e lideranças de movimentos, entidades e organizações da Itália, México, Egito, Hungria, Cuba e Canadá chegaram, nos dois últimos dias, por terra, água e ar, em Belém do Pará, para participar do II Fórum Social Pan Amazônico.

As atividades começaram na tarde do dia 16, quinta-feira, com uma concentração, na praça Waldemar Henrique. De lá, seguiram em caminhada, denominada “O Cortejo Contra a ALCA- Área de Livre Comércio das Américas”, até o mercado de São Brás. O local foi escolhido para a abertura oficial do evento, que contou com a apresentação Gran-Coral Pan-Amazônico juntamente com os Tambores da Pan-Amazônia, regido pelo maestro Marinho Lutero.

A banda Arcano 19 também deu as boas vindas aos participantes do Fórum e, os índios Tembés também mostraram sua cultura. Antes da fala do prefeito Edmilson Rodrigues, um vídeo sobre o II FSPA, produzido por Célia Maracajá e Luís Arnaldo Campos, então coordenador do evento, foi exibido. O encerramento ficou por conta do show com Verequete e o grupo Uirapuru e a apresentação do Balé Folclorico de Belém.

O evento se estenderá até o dia 19, domingo. Durante os três dias, serão discutidos temas sobre a soberania econômica, social e ecológica, integração das fronteiras, preservação ambiental, biodiversidade e a situação das águas, terras e florestas como instrumentos de sustentação das diversas comunidades residentes na Amazônia. Outros eixos temáticos serão abordados, a exemplo das ameaças externas a soberania nacional, a viabilidade de uma globalização com justiça social e a conscientização dos povos em defesa da biodiversidade e do meio ambiente.

Chegada em Belém
Ontem, 15, teve início a seqüência de boas vindas aos participantes. Mais de 230 pessoas cortaram fronteiras e desembarcaram no armazém 10 da Companhia Docas do Pará. Foi a caravana fluvial, que saiu dia 09 de janeiro, de Letícia-Colômbia, no barco D. Manoel e percorreu o rio Amazonas.

Entre os integrantes da caravana estavam delegações da Colômbia, do Brasil e da Venezuela, entre os quais, 60 índios das nações “Huiototo”, “Yacubo”, “Taurepang”, “Macuxi” e os “Ticunas”.

O barco D. Manoel parou em Manaus, onde representantes dos estados de Roraima e Amazonas e representantes da Venezuela integraram-se à caravana. Durante a viagem foi construído um diário de bordo e dois jornais contendo as discussões de temáticas que serão ampliadas durante o vento.

Uma outra caravana chegou, no dia 16, com representantes da Guiana Francesa e do estado do Amapá. Segundo Andréa Lopes, da SAANS( Sociedade Amapaense para a Natureza e Solidariedade), o Encontro Sem Fronteira deu-se apenas na véspera da viagem. O local escolhido foi o Museu Sacaca de Desenvolvimento Sustentável do Amapá. Lá reuniram-se 30 integrantes da Guiana Francesa e 120 representantes da sociedade civil amapaense. Entre as muitas entidades representadas estão integrantes da SAANS, da UTG- União de Trabalhadores da Guiana e da Secretaria de Coordenação da Amazônia, do Ministério de Meio Ambiente. Os eixos de discussão do grupo que integrarão o II FSPA serão o Parque do Tumucumaque, o Parque da Guiana, a biopirataria, a biodiversidade e a militarização na Amazônia.

Indígenas da nação Tembé, localizada a 18 km do município de Capitão Poço, nordeste do Pará, também encontram-se em Belém. Eles integram-se a programação cultural do II FSPA.

Programação II Fórum Social Pan Amazônico
Dia 17/01/2003.

EIXOI
SOBERANIA ECONÔMICA, SOCIAL E ECOLÓGICA
“Construir a soberania popular para defender a soberania nacional”
Local Ginásio Altino Pimenta
8h30 às 12h30
Mesa 1: América Central, Caribe e Pan Amazônia na geopolítica mundial.
Expositor: Samir Amin - Fórum Mundial das Alternativas (Egito)
1.1 - Cenários para a Amazônia brasileira
. Aluísio Leal - Universidade Federal do Pará (Brasil)
1.2 _ Plano Puebla - Panamá
. Esther Cecenã - Universidade Nacional do México (México)
1.3 _ Avanços democráticos contra o neoliberalismo
. Miguel Lluco - Pachakutik (Equador)
1.4 _ Democracia popular e desestabilização externa
. Jesus Martinez - Liga Socialista ( Venezuela)

14h30 às 18h30
Mesa 2: Guerra como mecanismo de governança global
Expositor: IstvámMézsaros (Hungria)
2.1 _ Estratégias de militarização
. José Luis Del Roio - Comitê Internacional do Fórum Social Mundial (Itália)
2.2 _ Plano Colômbia, os povos lutam pela paz
. Hildebrando Vélez - Confederação Nacional dos Petroleiros (Colômbia)
2.3 _ Projeto Sivam e a Geopolítica na Amazônia
. Durbens Martins - Universidade Federal do Pará (Brasil)
2.4 _ A base aeroespacial de Alcântara
. Maria Luisa Mendonça - Rede Justiça Global (Brasil)

Eixo II
GESTÃO SUSTENTÁVEL E POPULAR DO TERRITÓRIO
“Águas, terras e florestas para sustentar os povos do campo e da cidade”
Local: Ginásio do SESC
8h30 às 12h30

Mesa 1: Sustentabilidade ético-política: a participação popular na gestão pública das cidades
Expositor: Marta Harnacker - MEPLA (Cuba)
1.1- Transformação do urbano na Pan- Amazônia
. Sant Clair Trindade - Universidade Federal do Pará (Brasil)
1.2- Economia urbana e desigualdades
. Pedro Cunca - Fase/ Nacional e FNS-ES (Brasil)
1.3- Mobilizações políticas e auto-organização: o caso de Caracas
. William Farina - Organização dos leigos da Igreja Católica (Venezuela)
1.4- Participação popular na gestão pública: o caso de Belém
. Edimilson Rodrigues- Prefeito de Belém do Pará (Brasil)
1.5- Cidades de inclusão social
. Carlos Vainer- Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)
1.6- A experiência de Milão
. Antônio Panzeri- Confederação Geral Italiana do Trabalho

14h30 às 18h30
Mesa 2: Gestão Popular dos Territórios
Expositor: Alfredo Wagner - Museu Nacional/ Universidade Federal do Rio de Janeiro (Brasil)
2.1- Organizações indígenas e territórios: a experiência do Canadá
. Romeo Shanagash - Nação Cris (Canadá)
2.2- A luta pela preservação das reservas extrativistas
. Atanagildo de Deus Matos (Gatão)- Conselho Nacional dos Seringueiros (Brasil)
2.3 Território e resistência: o caso de Alcântara
. José Sérvulo Borges - Comunidade de Alcântara (Brasil)
2.4 Território e cultura: a luta dos povos indígenas
. Ghislaine Kilinan - Nação Kalina (Guiana Francesa)
2.5- Território, cidadania e cultura: a luta do povo negro
. Deonata Baia Ramalho - Quilombos do rio Tocantins (Brasil)
. Zélia Amador de Deus - CEDEMPA (Brasil)

EIXO III
IDENTIDADES E DIREITOS, UTOPIAS E PROJETOS DE SOCIEDADES
“Identidades Amazônicas e construção da unidade latino-americana”
Local: Ginásio da Guarda Municipal
8h30 às 12h30

Mesa1: Valorizações étnicas e culturais: combate à discriminação e às desigualdades
Expositor: Leonidas Iza - Confederação das Nações Indígenas do Equador (Equador)
1.1- Multiculturalismo e a questão nacional
. Jocelyne Loncke - Universidade de Georgetown (República Cooperativa da Guiana)
1.2- Pensamento único x Diversidade cultural
. Giorgio Riolo - Associação Cultural Punto Rosso (Itália)
1.3- Influência africana no povo do Brasil
. Kabengele Munanga - Universidade de São Paulo - USP (Zaire/Congo-Brasil)
1.4- Direitos étnicos para os povos indígenas
. Isaías Munduruku (Brasil)
1.5- A luta dos quilombos nas Guianas
1.6- Marcel Bossou - Povo Bushningee (Guiana Francesa)

14h30 às 12h30
Mesa 2: A questão de gênero na pan-amazônia: construindo a equidade
Expositor: Concita Maia (Acre/ Brasil)
2.1- A organização das mulheres afro-descendentes
. Nilma Bentes - CEDENPA (Brasil)
2.2- Trajetória dos movimentos e agenda pan-amazônica
. Graça Costa- Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense(Brasil)
2.3- Comércio internacional e a questão de gênero
. Graciela Rodriguez - Movimento Ser Mulher ( Bolívia)
2.4- A luta da mulher na economia solidária e o acesso ao mercado internacional: o caso das quebradeiras de coco
. Maria Adelina - Associação de Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (MA-Brasil)
2.5- A luta da mulher indígena
. Puyra Tembé - Etnia do povo Tembé (Brasil).


Doce Amazônia

Doces e licores
de frutas regionais.
Deliciosos.
0XX96 224 1491


Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433

Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.