Declínio dos Sarney

Jornal Pequeno
São Luis

A senadora Roseana Sarney foi alvo de vaia no corredor da folia da micareta promovida na Avenida Litorânea nos primeiros minutos de domingo, ontem.

O Chiclete com Banana se apresentava e o cantor Bell de cima do trio elétrico procurou ser gentil e na frente do camarote da Mirante disse: o importante é que estamos com a senadora Roseana! Nunca o cantor pensou em criar constrangimento, mas suas palavras levantaram vaias que fizeram Roseana recuar e resguardar-se dos apupos no interior do camarote. Nos seus 10 anos de festejos do Marafolia, nenhuma autoridade havia sido vaiada. E essa não é a primeira vez que isto acontece com Roseana. Na campanha eleitoral deste ano, ela colheu seguidas vaias por quase todos os lugares onde apareceu em público. Em julho, acompanhou Ricardo Murad, candidato a prefeito de São Luís, numa caminhada pela Rua Grande e ouviu manifestações de desagrado. Como pode uma cidadã, eleita duas vezes governadora e atual senadora, ser tratada com tanta hostilidade? E olha que Roseana foi bem votada em São Luís em 94 e 98. Talvez porque, depois dos seus 8 anos de administração, o Maranhão apresentou os piores indicadores sociais do país, ostentando o título de estado mais pobre do Brasil, com dois terços da sua população mergulhados na miséria. Roseana se destacava como administradora na mídia eletrônica, pois na realidade foi uma negação. Fotogênica, ela agradava pelo visual. Nesse jogo de imagem, credenciou-se em 2001-2002 a ser candidata a presidente da República pelo seu partido, o PFL, porém as circunstâncias lhe foram desfavoráveis e ela desistiu de concorrer à sucessão de Fernando Henrique Cardoso. Na disputa por uma cadeira no Senado, perdeu em São Luís em 2002 para Cafeteira por uma diferença superior a 40 mil votos, registrou-se assim o seu declínio, que hoje se acentua com o enfraquecimento na esfera federal do senador José Sarney.

O núcleo duro do PT em Brasília desistiu de apoiar a reeleição dos membros das Mesas Diretoras da Câmara Federal e do Senado. Sem a presidência do Senado, Sarney descerá para condição de um senador comum sem instrumento para agilizar ou emperrar matérias de interesse do Executivo. Com a perspectiva de derrota no segundo turno da eleição municipal em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, cardeais do PT procuram esquivar-se da candidatura à reeleição de Lula em 2.006 e se fixam na prorrogação por mais dois anos dos mandatos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Para alcançar a prorrogação é necessário aprovar uma proposta de emenda constitucional-pec no Congresso Nacional (Câmara e Senado). Se essa pec brotar só entrará em votação no biênio 2005-2006 e Sarney estará fora da Mesa Diretora do Senado. E se ela entrar em votação tem tudo para ser aprovada, porque beneficia diretamente os responsáveis por sua aprovação: deputados federais e senadores. Preocupado, Sarney cofiou o bigode quando soube da simpatia de Lula pela prorrogação do mandato que se respalda na redução de despesas, já que as eleições municipais, estaduais e presidencial se realizariam simultaneamente em 2008. No Maranhão reflui o prestígio eleitoral e político de Sarney. Essas constantes vaias à Roseana evidenciam o ocaso do clã Sarney. O governador José Reinaldo corajosamente reagiu aos atropelos de Roseana que queria-porque-queria se comportar como se ainda fosse a primeira mandatária. As portas do Palácio dos Leões se fecharam para ela, se quiser falar com o governador tem de solicitar audiência, coisa que ela jamais fará. Politicamente, José Reinaldo se fortalece a cada dia, os prefeitos eleitos em 3 de outubro o visitam diariamente, inclusive os 7 do PT com o presidente do Diretório Estadual do partido, o suplente de deputado federal Washington Luiz. Esboça-se o fim de uma oligarquia que domina o Maranhão há quase 40 anos. No Piauí, Francisco Mão Santa (PMDB) venceu Hugo Napoleão (PFL), herdeiro dos velhos caciques e em 2002 Welleghton Dias (PT) em nome de mudanças sociais chegou ao poder; no Ceará, Tasso Jereisati (PSDB) derrubou o esquema dos coronéis - Adauto Bezerra, César Cals e Virgílio Távora; no Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB) rompeu o ciclo de vitórias das famílias Alves e Maia que se confrontavam pelo poder; na Paraíba, Cassio Cunha Lima (PSDB) desbancou o candidato do governador reeleito José Maranhão (PMDB); em Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB) quebrou o sistema oligárquico e enterrou politicamente os remanescentes do grupo Arnon de Mello na pessoa do ex-presidente Fernando Collor de Mello; em Sergipe governa João Alves, uma figura popular que não representa os Franco, família poderosa e na Bahia em 1986 a oposição quebrou a hegemonia do senador Antônio Carlos Magalhães-ACM quando elegeu Waldir Pires governador. A única oligarquia sem derrota, criada na ditadura militar, é a Sarney, que foi ressuscitada por Lula na campanha presidencial de 2002, já que Fernando Henrique adotara um processo de esvaziá-la. Agora não é mais segredo, o núcleo duro do PT nacional procura desfazer-se de Sarney e ACM. Em Salvador o povo reage, lá ACM fazia o prefeito desde 96, o seu candidato, senador César Borges, está fadado a perder o segundo turno com uma diferença vergonhosa e em São Luís o candidato dos Sarney, ex-deputado Ricardo Murad, obteve uma votação humilhante, apenas 7,7% dos votos válidos. A vaia em Roseana no Marafolia, portanto, expressa a insatisfação do povo que quer se livrar do jugo da oligarquia Sarney.




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Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
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Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
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Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
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Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.