IRMÃ DOROTHY VOLTARÁ A VIVER
E A TERRA DAS TREVAS VERÁ A LUZ (Is. 26,19)

A Irmã Dorothy, convocada pela memória subversiva do Evangelho da vida e da esperança, fiel ao Deus dos pobres, à terra de Deus e aos pobres da terra, ouvindo o clamor que vem dos campos e florestas, seguindo a prática pedagógica de Jesus, quis ser uma presença solidária, profética, fraterna e afetiva, junto aos povos da Transamazônica, prestando um serviço educativo e transformador, para estimular e reforçar seu protagonismo.

Fiel a seu compromisso pastoral, a Irmã Dorothy vivenciou, com vigor sempre renovado, o trabalho de base junto ao povo de Anapu, como convivência, promoção, apoio, acompanhamento e assessoria nos seus processos coletivos de conquista e resistência na terra e de produção sustentável, familiar, ecológica, apropriada a esta região.

Por isso foi assassinada.
Foi assassinada por aqueles que querem acumular riquezas, oprimindo o povo, destruindo a floresta, corrompendo e calando os poderes públicos.
Não aceitamos a palavra de quem diz, a nome do governo, que a morte da irmã Dorothy é resultado das políticas positivas do governo no campo fundiário e ambiental. Pelo contrário, Dorothy morreu porque o Estado, há mais de um século, está ausente e, por isso, conivente com o crime organizado nas terras da Amazônia.

O Estado está ausente, em Anapu, assim como na região das ilhas de Afuá e Gurupá onde, apesar do constante clamor que sai do meio do povo, o crime assassino e devastador impera sem que nada o detenha. Famílias abandonam suas terras, lideranças e agentes de pastoral são ameaçados, a floresta e as águas são depredadas e o terror paralisa as pessoas.

O Estado está ausente, em Anapu, assim como no Amapá, onde o INCRA, apesar das constantes denúncias, é incapaz de deter a grilagem fundiária, muitas vezes estimulada por alguns de seus funcionários corruptos. As terras que a Champion devolveu, em maio de 2004, já foram novamente griladas até por pessoas influentes de nossa sociedade.

Terras públicas, que pela lei devem ser destinadas à reforma agrária, estão sendo impunemente vendidas e compradas ou simplesmente griladas, em todas as regiões do Amapá, concentrando nossas riquezas nas mãos de poucos em prejuízo de uma população que continua vivendo em situações de pobreza e de humilhação. Em nenhum momento, a lei estadual da ocupação das terras públicas é levada em consideração, nem mesmo pela Assembléia Legislativa que é a fiscal constitucional deste processo.

Em vários casos, o judiciário trata a questão da terra só a partir do Código Civil, esquecendo toda a legislação específica, resolvendo conflitos através de liminares, sem chegar ao julgamento do mérito. Quantas vezes uma liminar de despejo acabou sendo a verdadeira e última sentença?

O Estado está ausente, em Anapu, assim como no Amapá, quando as madeireiras fazem o que bem entendem, escondendo-se até sob a fachada de um falso manejo florestal comunitário e aproveitando-se da omissão dos fiscais e das licenças que são concedidas sem obedecer à legislação.

O Estado está ausente, em Anapu, assim como no Amapá, quando os recursos públicos são desviados, mal aplicados, com a cumplicidade de dirigentes corruptos e interesseiros de organizações não governamentais, muitas vezes de fachada.

O Estado está ausente, em Anapu, assim como no Amapá, onde a falta de políticas públicas e de investimentos de recursos na infra-estrutura estão levando nossos agricultores a serem produtores de insumo para a indústria madeireira, siderúrgica, energética, aumentando sua dependência e a falta de alimentos.

A lista poderia e deveria continuar, em nome da verdade e da justiça e em nome dos direitos do povo amapaense, amazônico e brasileiro.

O assassinato da Irmã Dorothy e de muitos outros companheiros e companheiras desmascara a ilusão do governo Lula de que possam coexistir o Brasil do agronegócio exportador e o Brasil da pequena agricultura familiar.

O agronegócio é violento, é concentrador de riquezas e é devastador. Os dados da CPT confirmam esta afirmação. A fome insaciável do agronegócio - que quer transformar a terra toda em dólares - não se detém diante de nada e, o que é pior, diante de ninguém.

Como continua atual a denúncia profética:
Ai dos que ajuntam casa a casa, reúnem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra! (Is 5,8)

Se cobiçam campos, os arrebatam; se casas, as tomam; assim, fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança. (Mq 2,2)

O agronegócio só não é violento onde já ganhou. Neste caso, não mata mais com bala; mata à prestação, de fome e miséria.

O governo não pode propagandear, favorecer e financiar o agronegócio, em nome do desenvolvimento e do saldo da balança comercial e, depois, falar de defesa da vida, dos direitos, do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável.

As portarias do INCRA e do IBAMA que pretendem por as rédeas ao agronegócio são destinadas ao fracasso, assim como a presença momentânea do exército para deter a violência.

O que vai ser das famílias que lá vão ter que ficar, quando, baixada a poeira provocada por este assassinato, todos voltarem a seus escritórios e a seus quartéis?

Deus não fez a morte, tudo criou para a vida
O poder da morte não tem força sobre a terra
Realmente a justiça é imortal
Os ímpios, sim, têm a morte por amiga
Todos a desejam apaixonadamente e com ela fazem aliança
Insensatos, são dignos de pertencer-lhe! (Sb 1, 13-16)

Vivem os justos nos braços de Deus
Imagens vivas de sua imortalidade
Viverá Dorothy para sempre
Ela está em paz! (Sb 2,23; 3,1)

Macapá Amapá 18 de fevereiro de 2005
7º dia do assassinato martírio de Irmã Dorohy Stang

Comissão Pastoral da Terra do Amapá


TODOS SABIAM .... TAMBÉM DESTA VEZ!

Governos e autoridades sabiam,
Fazendeiros e madeireiros sabiam
O INCRA sabia, a polícia sabia
A igreja e a CPT sabíamos.
Tu sabias, Dorothy
E continuaste destemida e corajosamente
Fala mansa, decisão irrenunciável,
Olhos claros, coragem inabalável.
Falaste, denunciaste, esperaste...sem retroceder
As balas chegaram primeiro
Não era o que querias, não era o que queríamos:
Ministros, autoridades, o secretário e as polícias
para investigar tua morte,
Entidades, igrejas, lideranças
para velar teu corpo, manifestar, protestar, chorar.
Falhou o estado em não concretizar as decisões,
Em não defender as vidas ameaçadas.
Falhamos nós no compromisso, na solidariedade, no apoio.
O que você queria e pedia era
Estado e igreja, autoridades e CPT lá em Anapú,
Contigo e com teu povo, na hora da luta e do perigo!
Agora choramos de raiva e de dor, de impotência.
Chegamos tarde, Dorothy, perdoe-nos!
Não! Dorothy, velha de guerra, não nos perdoe, ainda!
Deixa-nos na nossa dor e na nossa raiva,
Deixa-nos incomodados e machucados.
Até que as lágrimas e a dor se tornem coragem vigilante,
decisão renovada de continuar denunciando e lutando,
para acordar as consciências adormecidas
e as vontades acomodadas.
Até que nos tornemos dignos de tua luta e de tua fé
De teu compromisso e coragem.
Abraça Josimo, Adelaide, Margarida, Gringo e... todos os outros
dancem e cantem na ciranda da Vida sem fim.
Vocês merecem!
Até um dia, irmã-companheira.

Anna Maria -CPT do Amapá em 13/02/2005


Irmã Dorothy Stang

Religiosa americana da Congregação de Notre Dame se naturalizou brasileira. Vivia no Brasil e na Amazônia desde 1966, dedicando sua vida aos homens e mulheres da Amazônia, sobretudo na região de Altamira e Anapu, lutando com eles por terra e mata livres, por vida digna, por direitos e justiça. Sustentada pela fidelidade ao evangelho de Jesus, amou o povo de Anapú e da Transamazôonica e deu sua vida por eles.

Foi assassinada em 12 de fevereiro, aos 73 anos, pela violência e ganância de fazendeiros e madeireiros, que não querem abrir mão de seus lucros e pela omissão de governos e autoridades.

Agora descansa na terra de Anapú, onde foi plantada. De lá não sairá jamais.


Doce Amazônia

Doces e licores
de frutas regionais.
Deliciosos.
0XX96 224 1491


Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433

Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.