BP desiste de explorar petróleo no Brasil -
16/02/2005 em
http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=146090

Demissão dá fim ao sonho da produção na Amazônia

Os funcionários da subsidiária brasileira da BP (Beyond Petroleum, antiga British Petroleum) foram comunicados ontem, oficialmente, da decisão da empresa de reduzir drasticamente sua presença no Brasil. Antecipada pelo Jornal do Brasil no último dia 27, a decisão atingirá os funcionários da área de exploração e produção (E&P) e foi motivada pelo insucesso nos trabalhos exploratórios na Foz do Amazonas, região na qual mantém dois blocos (BFZ-2 e BMFZ-A1) em que nada foi encontrado. Dos 450 funcionários da BP Brasil, 20 serão cortados, restando aqueles envolvidos em atividades nas áreas de lubrificantes (Castrol) e combustível para aviação (Air BP).

O destino dos dois blocos, e da própria empresa no E&P do Brasil, será decidido oficialmente em maio, quando será concluído um estudo geológico do corpo técnico da companhia. A expectativa do mercado, no entanto, é que as áreas sejam incorporadas ao portfólio dos dois sócios da BP na região, a anglo-holandesa Royal Dutch Shell e a Petrobras. As duas companhias, por lei, têm o direito de preferência em adquirir os dois blocos em caso de desistência da BP. A alternativa será a devolução das áreas à Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Dependendo do resultado dos estudos, a empresa decidirá se continuará a investir no segmento de E&P do país. Diante dos insucessos recentejs, e da concentração de investimentos da empresa na Eurásia, especialistas do setor, como o consultor da Expetro Internacional, Jean Paul Prates, consideram praticamente inevitável que a empresa não mais invista na área de E&P no Brasil. Com relação aos funcionários demitidos, o diretor de Relações Externas da BP, Paulo Pinho, afirma que serão contemplados com 'um pacote de benefícios superior ao que normalmente é concedido pelo mercado'.
Todos, segundo ele, terão seus direitos respeitados pela empresa.

Presente na exploração e produção no Brasil desde 1998, a BP tinha por objetivo alcançar a marca de primeira petroleira a produzir em uma área sensível do ponto de vista ambiental, como a Foz do Amazonas. O insucesso, no entanto, não significa, segundo Prates, um sinal de que a região não tenha petróleo. Tudo dependerá, segundo ele, de novos investimentos.

Ele interpreta como normal a saída da empresa no segmento de E&P do Brasil, uma vez que teria sido o resultado de insucessos na exploração.

- Não deve ser encarada como resultado da insegurança regulatória do país - afirma Prates.

Ricardo Rego Monteiro


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O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
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