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Jornal inglês denuncia trabalho escravo e destruição da Amazônia

Ray Cunha
ABC Politiko

Brasília - O jornal britânico The Independent publica reportagem em que afirma que a Amazônia é destruída sistematicamente, na base da escravidão. “A destruição sistemática da Amazônia está sendo realizada por trabalho escravo” - diz o diário. Com efeito, todos sabem, na região, que a Amazônia vem sendo arrasada a galope e também não é novidade que nos grotões o trabalho escravo é comum.

O jornal afirma que no Pará “cerca de 25 mil homens atuando como trabalhadores escravos estão sendo forçados a destruir milhares de acres da floresta”. A equação foi resolvida por meio de fotos aéras da Amazônia, que mostram o quanto da floresta já foi desmatado, e a partir de avaliação do jornal, que se refere principalmente à atuação dos plantadores de soja e criadores de gado.

O diário britânico afirma que o exército de escravos é “forçado a destruir vastas áreas da floresta” e que “os homens que atuam na Amazônia precisam trabalhar para amenizar dívidas” contraídas junto a seus empregadores, relativas a transporte, alimentação e ferramentas, e que nunca conseguem saldar as dívidas.

Segundo The Independent, os trabalhadores são aliciados em áreas miseráveis do Nordeste, com promessas de bons salários para atuar na Amazônia, mas quando chegam lá recebem pagamentos com os quais mal podem se sustentar, e se pensam em retroceder, são intimidados e espancados.

Policiamento é sazonal e pífio

Segundo divulgação do governo federal, desde de primeiro de setembro, 2 mil homens do Exército, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) atuam na selva amazônica, atrás de ladrões de madeira, grileiros e incendiários. Contam com imagens de satélite do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam)/Sistema Integrado de Alerta de Desmatamentos (Siad), que trabalha com dados em tempo real de desmatamentos e queimadas.

Até o fim deste ano, o Ibama deverá contar com dez bases do Siad. A primeira já começou a funcionar, em junho, em Itaituba, no sudoeste do Pará. Segundo o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Flávio Montiel, com a ajuda da base de Itaituba o Ibama conseguiu, em Ji-Paraná (RO), apreender 17 mil metros cúbicos de madeira em tora e serrada na Reserva Biológica do Jaru, na divisa dos estados de Rondônia e Mato Grosso. Foram apreendidas também máquinas e aplicadas multas de R$ 5,5 milhões a madeireiros da região.

O foco da operação visa o Arco do Desmatamento, uma zona de terra arrasada que abrange 100 municípios, no sudeste do Maranhão, norte de Tocantins, sul do Pará, norte de Mato Grosso, sul do Amazonas, sudeste do Acre e todo o estado de Rondônia.

Os barões da grilagem estão sempre bem informados e devidamente camauflados. Mesmo assim espera-se reduzir, com a operação, pelo menos 5% do desmatamento. O que é pífio. Só no ano passado, foram torados 23,7 mil quilômetros quadrados de floresta - 2% a mais em relação a 2002. Um Portugal por ano. Do Golpe Militar de 64 (1964-1985) para cá, foram devastados 631 mil quilômetros quadrados de mata, 14% da Amazônia. Se nada de radical for feito, em algumas décadas a maior parte da Amazônia será transformada em fazendas de boi e soja.

A perda da selva implica em duas tragédias: o desequilíbrio meteorológico do planeta e o pauperismo da população autóctone, cada vez mais indigente e escravizada pelos ladrões de madeira e os barões do boi e da soja. Estima-se que ano passado o Brasil perdeu R$ 12 bilhões com o roubo de madeira, incluindo a Mata Atlântica, contra R$ 15 bilhões investidos pelo governo federal na indústria em geral no país. Só na Amazônia, em 2003, foram roubados 30 milhões de metros cúbicos de mogno, cerejeira, jatobá, ipê e maçaranduba. O metro cúbico dessas madeiras custa em média R$ 400.

Ano passado, bandidos invadiram o Ibama, em Belém, e levaram 23 mil guias de Autorização de Transporte de Produtos Florestais (ATPF). Com essas guias, pode-se traficar um naco da mata, principalmente mogno, sem recolher sequer um centavo de imposto.

Estudos dos 12 ministérios envolvidos no combate à destruição da floresta concluem que 75% do desmatamento da Amazônia Legal, entre 1978 e 1994, ocorreram em uma faixa de 50 quilômetros de cada margem das rodovias abertas na região, principalmente a Transamazônica. A Transamazônica é um equívoco, amazônico, da ditadura militar.

O grupo interministerial constata que “em muitos casos, a mera expectativa de grandes obras estimula a especulação, a grilagem de terras, migrações e abertura de novas frentes de desmatamento”, e mostra que a pecuária é veneno para a região: 80% da área devastada da Amazônia Legal foram destinados para o criatório de boi. Nos municípios do Arco do Desmatamento, as plantações de soja foram ampliadas em 57,3%, entre 1999 e 2001.

Abunã

O Ibama começou em agosto e pretende continuar até dezembro a Operação Ponto do Abunã, na região divisória dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia. A operação visa a preservar a região contra queimadas, desmatamento, comércio ilegal de madeiras nobres, tráfico de animais silvestres e pedras preciosas, e até do trabalho escravo.

O gerente executivo do Ibama no Acre, Anselmo Forneck, informou que a operação também faz parte do Plano Nacional de Combate ao Desmatamento e Queimadas. “Nos anos anteriores, havia operações tímidas. Agora, com a coordenação do Ibama dos três Estados envolvidos e a participação da Polícia Federal, do Exército, do Sistema de Vigilância da Amazônia e da Procuradoria da República do Estado do Amazonas, temos conseguido evitar de 70% a 80% do desmatamento na área, em relação aos últimos dois anos” - garante Forneck. A maior parte dos recursos do Plano Nacional de Combate ao Desmatamento e Queimadas é destinada à regularização fundiária de terras da União, um dos fatores do desmatamento.

Foram identificados grande número de estradas vicinais abertas por madeireiros e desmatamento produzido por grileiros. “A região deve ter algo em torno de mil quilômetros de estradas abertas clandestinamente. Agora, com o monitoramento da área, tudo o que seja transportado nessas estradas irregularmente poderá ser apreendido” - explica Forneck.

Desde o lançamento da Operação Ponto do Abunã, em maio, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foram apreendidos mais de 2 mil metros cúbicos de madeira, inúmeras motosserras, tratores e equipamentos. A dificuldade, de acordo com Forneck, tem sido prender os envolvidos, mas os ocupantes das terras pertencentes à União estão sendo investigados. Com a ajuda do Ministério do Trabalho e da Procuradoria da República, a operação também vem combatendo o trabalho escravo.

Será que em um Estado burocrático e corrompido como o Brasil as multas serão pagas e os quadrilheiros presos? Veremos isso em 2006.





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Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.