O doce olhar de Munhoz

Por: Neca Machado
(30.06.005)

Caminhar pelo centro velho de Macapá e encontrar o professor Antonio Munhoz Lopes, é viajar no tempo.

É se curvar ao seu conhecimento como se o tempo nos transportasse para o velho mundo, onde ele caminhou durante décadas em suas infinitas viagens culturais.

Munhoz é sabor de intelectualidade latente que pulsa como um sangue que percorre caminhos inimagináveis.

Munhoz é sabedoria de viajante nômade que sabe onde aportar.

Munhoz é sol tropical que banha os ávidos por sua sapiência, e que no fim de tarde, se esconde por entre os aturiás, como encantamento de mãe d’água.

Munhoz desperta sonhos, quando discorre sobre museus, galerias e locais sagrados, e seu olhar se perde no horizonte como a se integrar às velhas imagens sacras de uma longínqua Itália.

Munhoz merece louvores diários do povo tucuju, merece reverências continuas dos mais jovens, merece que as trombetas soem quando ele caminha soberbo pela Coriolano Jucá, avenida que ele escolheu para ser sua.

Munhoz é essência de floresta nativa, cheiro de terra molhada, orvalho de madrugada, sereno de enamorados, cheiro de animal no cio, flor que desabrochou, vôo de pássaro errante que se arrisca nas alturas, revoada de guarás, curso de rio, mansidão de igarapés...

Munhoz é dádiva que o Amapá deve se orgulhar de ter sido presenteado.

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Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.