Guerrilha do Araguaia: Documentos secretos

Local: Brasília - DF
Fonte: Correio Braziliense
Link: http://www.correioweb.com.br/


Papéis oficiais da Operação Sucuri na década de 70 revelam detalhes da atuação dos militares no confronto contra integrantes do PCdoB que o Exército insiste em negar

1966 - Foi o ano em que os primeiros guerrilheiros chegaram à margem esquerda do rio Araguaia

O Exército brasileiro sempre negou possuir qualquer registro oficial sobre a Guerrilha do Araguaia. A mesma reação aconteceu no último dia 20, quando a juíza federal Solange Salgado determinou a quebra do sigilo de todas as informações relativas à atuação de tropas contra o movimento armado organizado na Floresta Amazônica pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A decisão judicial também obriga a União a procurar os militares que participaram da repressão à guerrilha para prestarem esclarecimentos a respeito da atuação das Forças Armadas no episódio.

A explicação extra-oficial para a inexistência de documentos sobre a guerrilha é que todos os arquivos foram queimados nos últimos dias da ditadura militar para evitar represálias dos governos futuros. Também são extra-oficiais as informações de que alguns integrantes das Forças Armadas guardaram cópias dos papéis que deveriam ter sido queimados, segundo as ordens superiores.

O Correio Braziliense teve acesso a uma pilha de documentos que comprovam a existência de informações sobre a guerrilha produzidas pelo Exército. As pastas foram entregues ao jornal pelo deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), advogado das famílias de 22 desaparecidos políticos do Araguaia. O deputado diz ter recebido a papelada da filha de um general, mas recusou-se a revelar o nome do militar.

Os documentos, muitos classificados como ''secretos'' assinadas e rubricadas por integrantes das Forças Armadas. Mostram detalhes das operações contra militantes do PCdoB e moradores da região do Bico do Papagaio, na tríplice divisa dos estados do Pará, Maranhão e Goiás, hoje Tocantins. Mais que isso, os arquivos revelam os nomes completos e os codinomes dos agentes de informação que trabalharam nas operações (leia na página 3).

Os arquivos remanescentes formam um roteiro completo dos caminhos a serem percorridos em caso de interesse do governo na investigação do confronto entre as Forças Armadas e o PCdoB. Um dos mais esclarecedores intitula-se ''Relatório da Operação de Informações Realizada Pelo CIE (Centro de Informações do Exército) no Sudeste do Pará ? Operação Sucuri''.

Com data de maio de 1974, o relatório tem a assinatura do capitão-adjunto Sebastião Rodrigues de Moura, depois conhecido como ''Major Curió'', comandante da repressão contra a guerrilha.
''Operação Sucuri'' foi o nome empregado pelo Exército para a última fase de combate no Bico do Papagaio às margens do rio Araguaia.

O relatório de 19 páginas começa com um histórico da perseguição aos comunistas. Afirma logo na segunda folha que a organização da guerrilha no Bico do Papagaio foi revelada aos militares por Pedro Albuquerque Neto, militante do PCdoB preso em Fortaleza pela Polícia Federal em janeiro de 1972. Pedro e a mulher Tereza Cristina fugiram da área de treinamento em junho de 1971 por discordar da tentativa do partido de implantar uma base de luta armada.

Destacamentos do PCdoB

Nas páginas seguintes, os documentos revelam que o Exército calculava em 65 o número total de guerrilheiros, incluindo os detidos e os mortos, distribuídos por três destacamentos. Afirmam também que as prisões dos militantes José Genoino Neto e Glênio Fernandes de Sá facilitaram os levantamentos sobre o Destacamento B, ao qual pertenciam. A ''Operação Sucuri'' começou a ser executada em abril de 1973, quando pelo menos oito guerrilheiros já tinham sido mortos pelas tropas oficiais e outros sete estavam presos.

Os arquivos secretos mostram também que o planejamento e a execução da ''Operação Sucuri'' ficaram a cargo da 3ª Brigada de Infantaria, sob a orientação e supervisão do Centro de Informações do Exército.
Informa ainda que, pelo plano inicial, pelo menos 32 militares (entre eles, três capitães, dois tenentes, nove sargentos e 16 cabos e soldados) e 21 civis seriam empregados. O comando geral da campanha e a coordenação ficaram sediados em Brasília. Em Araguaína (hoje Tocantins) ficou instalado o coordenador-adjunto da operação.

Agentes de informação se infiltraram na Superintendência de Campanhas da Saúde Pública (Sucam) e no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Outros, chamados de ''bodegueiros'' montaram botequins nas cidades da área da guerrilha. Também foram montadas equipes de ''roceiros'', que passaram a trabalhar nas fazendas da região. Os ''bodegueiros'' e os ''roceiros'' foram treinados ''em botecos das cidades-satélites'' e em ''uma chácara nas imediações de Brasília''.

O critério para a escolha dos agentes foi ter participado de operações anteriores, com provas de coragem, capacidade de atuar na selva e ''condições físicas e morais''. Juntos, militares e civis envolvidos na ''Sucuri'' gastaram Cr$ 157.360,00 (a moeda da época era o cruzeiro).

Na conclusão do relatório, o Major Curió afirma que a operação teve ''falhas e ensinamentos'', com saldo positivo. O maior aprendizado, na opinião do militar, foi que em uma área de guerrilha rural, a repressão pode sufocar o ''movimento subversivo'' e ''atemorizar a população'', mas que não conseguirá ''derrubar a bandeira da subversão, nem tampouco conscientizará a população analfabeta e miserável''.

"A repressão não derrubará a bandeira da subversão "
Trecho do relatório assinado por capitão-adjunto Sebastião Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió

Documento sigiloso mostra os nomes e codinomes de 32 militares envolvidos na repressão aos guerrilheiros. Inclui também um ``dicionário´´ para mensagens cifradas

Plano de informações

Um dos documentos mais reveladores da repressão contra o PCdoB no Araguaia é o ''Plano de Informações Sucuri nº 1'', produzido em abril de 1973 pelo tenente-coronel Carlos Sérgio Torres e pelo major Gilberto Airton Zenkner. Torres foi comandante e Zenkner o coordenador-geral da Operação Sucuri, encerrada em maio de 1973.

Os papéis revelam os nomes e codinomes de 32 militares mantidos sob sigilo pelo Exército. A lista é encabeçada pelo general Antonio Bandeira, comandante-geral das tropas militares no combate à Guerrilha do Araguaia. Segundo o documento, Bandeira usou os pseudônimos de Camilo, Doutor e Padrinho. Gilberto Zenkner aparece com o codinome Tio Antonio. Na relação aparece um capitão o nome de Sebastião Rodrigues de Souza, mas não fica claro se é uma referência a Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió.

O plano de informações apresenta detalhes da rede de operações. Diz, por exemplo, que os agentes devem se agrupar em equipes que não se comunicam umas como as outras. Trata-se de um método copiado do modelo adotado pelos guerrilheiros. ''Todos deverão ter em mente que atuarão contra um grupo clandestino, que possui sua própria rede de informantes e que, dada a nossa missão de informações e conseqüente dispersão, a clandestinidade e o ocultamento de nossos informantes é importante e essencial'', diz um trecho do plano.

O documento também revela a distribuição dos militares e informantes civis na área do confronto. Diz ainda que serão formadas ''equipes volantes'' de mateiros (guias) para ajudar nos combates.

Infiltrados em órgãos como Incra e Sucam, disfarçados de posseiros ou donos de botequim, os militares foram orientados a tomar todos os cuidados para não serem desmascarados. As roupas deveriam ser de acordo com a profissão adotada, caracterizados como moradores da região. Os coordenadores, subcoordenadores e auxiliares diretos teriam carteira de identidade com nomes falsos. Os outros só receberiam documentos em caso de necessidade.

Donos das ''bodegas''

Os donos das ''bodegas'' receberam a orientação de comprar estabelecimentos já existentes para evitar que a abertura de novas casas comerciais levantem suspeitas. As informações deveriam ser colhidas de memória, sem anotações. Cada agente tem um roteiro próprio para repassar as informações colhidas sobre os guerrilheiros.
Os posseiros das áreas de Pau Preto e Mutum, por exemplo, só podiam fazer contato na ''bodega'' de Araguanã quando chegassem à região e, depois, durante compras nos fins de semana.

O deslocamento das equipes precisava ser feito pelos próprios meios, ou seja, sem auxílio de veículos das Forças Armadas, em datas diferentes para não chamar a atenção. Foi prevista a participação de seis mateiros, designados para atuar nas áreas de suas próprias casas. Esses moradores da região não deveriam conhecer a operação da qual participavam nem os outros participantes da operação.

O documento apresenta também um organograma com as funções a serem
executadas pelos militares e informantes civis (leia na página 4). Os gastos previstos para a operação foram de Cr$ 128.160,00 (a moeda da época era o cruzeiro).

Uma das maiores curiosidades do plano inicial da Operação Sucuri é um verdadeiro dicionário com códigos a serem utilizados nas mensagens entre os militares. São nove páginas, com mais de 300 verbetes. A palavra ''engenheiro'', por exemplo, deve ser substituída por ''abelha'', ''azeite'' é ''óleo diesel''. A 3ª Brigada de Infantaria deve ser chamada de ''cinema'' e a cidade de Imperatriz precisa ser tratada de ''convento''.

Relatório do Exército enumera detalhes do cotidiano dos guerrilheiros, como a preferência por determinada arma e destaca até os treinamentos que receberam no exterior

A rotina dos guerrilheiros

Um dos principais argumentos do Exército nos últimos 21 anos de disputas judiciais a respeito da Guerrilha do Araguaia era o de que o fato simplesmente não existiu. Mas a guerrilha e as mortes realizadas na região não só foram reais, como o Exército produzia documentação detalhada sobre suas ações. No caso da Operação Sucuri, realizada entre abril e outubro de 1973, um relatório de 19 páginas detalha o funcionamento e as condições nas quais se encontravam os combatentes comunistas.

Além de destrinchar a vida dos guerrilheiros, o documento ainda traz uma relação com os nomes das pessoas mortas pelo Exército em combates na região. O documento não só prova que o Exército ''sabia'' da existência da guerrilha como assume que vários comunistas foram mortos por balas disparadas por militares. O relatório é assinado pelo tenente-coronel Carlos Sérgio Torres, comandante da operação, pelo também tenente-coronel Eugênio Vieira de Mello e pelo major Irineu de Farias.

A primeira página do documento traz um relato das ''forças políticas'' dos guerrilheiros. O PCdoB é definido como um partido formado por dissidentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e que age sob princípios definidos por Mao Tse Tung, o líder comunista chinês. A legenda opta, desta forma, ''pela linha de atuação agressiva'' e busca recrutar para os seus quadros ''jovens estudantes, que em decorrência de problemas familiares ou mal situados quanto aos problemas nacionais, são aliciados para as fileiras do partido pelos 'comunistas profissionais'''. O PCdoB pretende usar a guerrilha para derrubar o regime militar ou criar, no interior do país, uma ''República Popular''.

Em seguida, o relatório lista quem são os informantes e colaboradores da guerrilha. São as ''forças irregulares''. Os nomes são divididos por suas regiões de atuação. O nível de detalhamento impressiona. As descrições da maioria das pessoas listadas traz a cor dos olhos, a altura, o peso e até detalhes de momentos em que teriam ajudado os ''subversivos''.

No município de Pau Preto, por exemplo, atuavam Zé Bandeira, Velho Manoel, Peito Largo e Djacir. Este último teria vendido armas aos guerrilheiros e colaborou muito com o ''subversivo Juca, quando este operava em Xambioá''. Juca é o codinome do médico João Carlos Hass, morto em batalha contra o Exército em setembro de 1972. Na região de Caiano-Perdidos, atuavam outros onze informantes. Na região da estrada da Serraria Marcelinense havia Peri e Euclides. Este ''colaborou com os terroristas adquirindo suprimentos''.

Na região entre São Geraldo e Xambioá, outros 15 informantes trabalhavam para a guerrilha. Um deles, Afonso, era amigo de um subversivo. ''Faz ponto na zona de baixo meretrício. Não trabalha e está sempre com dinheiro no bolso. É amigo de Paulo e veio com ele de São Félix (MT).'' Ao norte da Serra das Andorinhas, outras 19 pessoas ajudam a guerrilha. Um deles, o Osmar, é considerado ''compadre do Oswaldão''. Oswaldão é Osvaldo Orlando da Costa, um dos principais comandantes dos comunistas. Enquanto isso, Wilson era citado por ser o dono de um posto de gasolina no quilômetro 80 da rodovia Transamazônica. Os cozinheiros e alguns serventes do posto conheciam guerrilheiros.

A partir da página quatro do relatório, os militares começam a delimitar a estrutura das forças de combate dos comunistas. A guerrilha é composta por um Bureau Político, uma Comissão Militar, e três destacamentos de batalha. O destacamento A era locado na região da Transamazônica e ''deve possuir 3 grupos'', o B ficava no vale do rio Gameleira e era constituído por 3 grupos e o C ocupava o sudoeste da Serra das Andorinhas ou dos Martírios. Era constituído por três grupos mas quase todo ''desbaratado na Operações realizadas em Set.

72''. Os combates de setembro de 1972 foram uns dos mais sangrentos
de toda a guerrilha.

Até os treinamentos dados aos guerrilheiros são especificados. Os comunistas ''fizeram cursos de guerrilha no exterior'' e receberam ''instruções de tiro com revólver e espingarda, marchas noturnas e diurnas, reconhecimento e orientação no terreno e acampamentos e sobrevivência na mata''. O documento ainda se preocupa em provar os dados. Parte das informações estão ''comprovadas nos documentos apreendidos em poder de subversivos mortos em setembro de 1972, particularmente no documento A Vida na Mata''.

Detalhes sobre João Amazonas

A seguir, o relatório disseca toda a composição de cada um dos braços da guerrilha. O Bureau Político ainda não tinha sua composição confirmada, mas o relatório trazia o nome dos principais suspeitos de participar do órgão máximo da guerrilha. O principal integrante era João Amazonas, que tinha, segundo os militares, os codinomes de Pedro, Alcides e Cid. Era definido como ''velhinho, baixo, 1,58m, 55kg, 60 anos, quase calvo, cabelos grisalhos, atualmente sem bigode e usa óculos para ler''.

O segundo na escala de importância do Bureau era Ângelo Arrojo ou Joaquim: ''45 anos, moreno claro, cabelos pretos, lisos e repartidos de ado, barba cerrada, forte, um pouco gordo, 1,72m. Às vezes usa óculos''. Maurício Grabois ou Mário, Velho ou Mauro tem ''grandes entradas e cara bem larga''.

O número um da Comissão Militar era José Humberto Bronca, o Zé das Neves, estranhamente sem nenhum detalhamento físico. João Batista dos Mares Guia (Gilberto) é o segundo mais importante. O terceiro homem forte da Comissão, segundo o Exército, era o médico João Carlos Hass (Juca). Segundo o relatório, ele foi morto ''na operação realizada pela 3ªBrigada de Infantaria, em Set. 72'' e ''aparentemente havia sido substituído por Hiran Caetano Diniz''.

Os destacamentos também são detalhados. O destacamento A, supunham, tinha 23 pessoas. Sabia-se que o comandante do grupo era João Borges Ferreira (Joca). Os demais combatentes têm suas características físicas detalhadas. Olhos, cor de pele, altura, peso, tudo. O
relatório informa, ainda, que nas operações de setembro de 1972, foi morta a terrorista Fátima. E, posteriormente, foi presa em São Paulo a terrorista Criméia Alice Schimidt de Almeida.

O destacamento B tinha 19 pessoas. O comandante era Osvaldo Orlando da Costa, o Oswaldão (como está escrito no relatório). Sua descrição na página 7 do documento: ''Rifle .44, Beretta e Revólver .38. É preto, usa barba grande e tem 2,00m de altura. Tem forte liderança sobre os componentes do Destacamento e sobre a população local. Por seu porte atlético e exibições de capacidade física, tornou-se conhecidíssimo na região.'' Havia três subcomandantes: Amaury de Azevedo Siqueira (Amauri), Antônio Guilherme Ribeiro Ribas (Zé Ferreira ou O Gordo) e Zezinho, que usava revólver .38 e espingarda .20.

Estes três e os demais guerrilheiros também tinham, entre parênteses, ao lado do nome e antes de suas descrições físicas, as armas que costumavam usar em combate. Três pessoas do destacamento B haviam sido mortas: Idalísio Soares Aranha Filho (Aparício), Gil e Flávio. E dois foram presos. José Genoino Neto (Geraldo) ? hoje presidente nacional do PT ? e Glênio Fernandes de Sá.

Combatente ferido no braço

''Este destacamento foi o que mais sofreu com a ação das forças regulares, particularmente em setembro de 1972'', era como o relatório definia o C. Seus integrantes são chamados de ''remanescentes''. O comandante é Paulo Rodrigues (Paulo). ''Informes dão conta que está com braço ferido devido ferimento de bala'', diz o texto. Seus chefiados também eram detalhados. Os mortos do destacamento são José Toledo de Oliveira (Vitor), Antônio Carlos Monteiro Teixeira (Antônio), Bergson Gurjão Farias (Jorge) e Kleber Lenos da Silva (Carlitos). Os presos: Dower Morais Cavalcanti (Domingos), Luzia Reis Ribeiro (Lúcia), Resilélia da Silva Carvalho (Lena), e Dagoberto Alves Costa (Gabriel).

O destacamento A é tido como o ''mais propício à ligações com bases externas (São Paulo)''. O B ''apesar de já ter perdido diversos componentes, é o que se apresenta em melhores condições''. O C foi o que sofreu as maiores perdas por causa da ação de setembro de 1972, sendo conduzido de 20 para 9 ''elementos''.

O relatório traz, ainda, os pontos fracos da guerrilha. ''A comunicação feita por mensageiros a pé. Há ligação de rádio apenas para fora da área.'' Mesmo com cursos no exterior, ''pode-se afirmar que os grupos terroristas ainda não têm experiência de combate''. Os guerrilheiros, segundo o relatório, estavam ''precariamente'' armados. ''Normalmente, cada elemento possui um revólver .38 e um fuzil ou espingarda .20.'' A munição é escassa. São 25 tiros por atirador de .38, seis tiros para revólver .44, 50 cartuchos para os de espingarda .20 e o de fuzis.

Ao final das 19 páginas, o relatório ainda enumera os objetivos da missão no Araguaia. São eles: descobrir se novos ''elementos'' se juntaram à guerrilha, quais os locais onde os guerrilheiros são vistos com mais freqüência, quais os melhores caminhos de acesso a esses locais, quais os caminhos de fuga, que novos armamentos vêm sendo utilizados por eles e que pessoas apóiam e ajudam os ''terroristas''. Era preciso saber, também, se a população os apoiava.

Entenda o caso
Revolução no campo

A Guerrilha do Araguaia foi um movimento armado, organizado pelo PCdoB, contra a ditadura militar. Um grupo de 69 homens e mulheres ocupou cerca de sete mil quilômetros quadrados, à margem esquerda do rio Araguaia, entre os estados do Pará, Tocantins e Maranhão. A estratégia era começar, em 1966, a implantação do comunismo pelo campo e, depois, levar o movimento às cidades.

O núcleo foi descoberto pelo Exército no início de 1972. Naquele mesmo ano, as Forças Armadas começaram as investidas. O último ataque aconteceu no final de 1974 e deixou poucos sobreviventes. O Ministério da Justiça contabiliza hoje 61 desaparecidos, além de sete guerrilheiros oficialmente mortos. No Exército, a baixa foi de 17 soldados (número extra-oficial). No último dia 20, a juíza federal Solange Salgado decretou a quebra de sigilo de todas as informações oficiais existentes sobre o confronto. O processo tramita na Justiça desde 1982.

Eumano Silva e Thiago Vitale Jayme
Colaborou Taís Morais


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Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
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Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.