O calvário de Sarney

Jornal Pequeno

São Luis do Maranhào.

Mais uma vez, o senador José Sarney aparece na mídia nacional em situação delicada, comprometendo sua imagem de homem público que exerceu o mandato de presidente da República. Agora, envolve-se em caso de informação privilegiada ao retirar dinheiro que possuía depositado num banco (Santos) que estava a um dia de sofrer intervenção do Banco Central.

Sarney distribuiu uma nota a titulo de explicação, mas nada esclareceu. A nota de Sarney desperta dúvida, quando diz que os depósitos no Banco Santos tratam-se do “produto da venda de minha fazenda, Pericumã, para o Banco do Brasil, depósitos estes constantes da minha declaração de Imposto de Renda, há dois anos”. E o controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira, na véspera da intervenção, procurou Sarney e pediu que ele agilizasse o empréstimo de emergência de R$ 200 milhões junto ao Banco Central. Depois dessa conversa parece que Sarney em vez de tentar socorrer o banqueiro amigo, preocupou-se exclusivamente em retirar o seu dinheiro.

Ontem, a mídia nacional ainda tentava desvendar a bancarrota do Santos, uma corretora elevada a banco nos anos 80 quando Sarney era presidente da República. Sarney vivencia tumultos políticos desde que Roseana, mordida pela mosca azul, quis ser presidente da República. Para defender Roseana no episódio da Lunus, Sarney ocupou a tribuna e fez um discurso esfarrapado que nada contribuiu para livrá-la da suspeita de ser proprietária de uma empresa, cujo escritório funcionava como linha auxiliar de uma espécie de arapuca para captar recursos da Sudam. Apos esse episódio, Sarney entrou num processo de ostracismo e foi nessa situação que Lula veio buscá-lo no Maranhão para integrar-se na sua campanha presidencial.

Sarney inflou-se e em 2003, com total apoio de Lula, elegeu-se presidente do Senado. O próprio partido de Sarney - PMDB - não o queria para o cargo. Na Presidência do Senado, Sarney apagou algumas CPIs que pretendiam devassar os bastidores do governo Lula. A mais badalada de todas foi a de Waldomiro Diniz, o assessor do ministro José Dirceu, flagrado pedindo propina a um empresário de jogos eletrônicos. A CPI de Waldomiro queima ainda hoje como fogo de monturo. Com a derrota no pleito municipal deste ano em Salvador-Bahia, o senador César Borges (PFL) viajou a Brasília e subscreveu a CPI que agora só falta uma assinatura para iniciar o processo de sua instauração. Em 2002, Sarney assistiu a João Capiberibe (PSB) eleger-se senador pelo Amapá. O PMDB daquele Estado entrou com uma denúncia contra Capiberibe por abuso de poder econômico, acusando-o de comprar dois votos por R$ 52. Em Macapá, a população acredita que Sarney colaborou para detonar Capiberibe e beneficiar o correligionário Gilvam Borges, que ficara na terceira posição na disputa das duas vagas do Senado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sentenciou a perda do mandato de Capiberibe, que recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta última quarta-feira, o ministro Eros Grau concedeu liminar suspendendo a decisão do TSE. Assim, Capiberibe conquistou o direito de permanecer no mandato de senador até que o STF julgue o mérito do recurso contra a cassação. Paralelamente a essa decisão do STF, tramita no Senado um projeto de Lei de Anistia, já assinado por 42 senadores favorável a Capiberibe. Em Macapá, a população festejou a vitória de Capiberibe.

Roseana chegou em Brasília despertando expectativa quanto ao seu desempenho parlamentar. Sua pré-candidatura à Presidência da República jogou-a na esfera do grande clero do Senado. O ano de 2003 passou e se viu uma senhora quase criança com fraco desempenho intelectual e parlamentar, dependendo da sombra protetora do pai, o presidente da Casa. Roseana, sem função em Brasília, recebeu estimulo de Sarney para retornar à política do Maranhão. Todavia, ele não esperava que Roseana fosse tão inábil, ela meteu os pés pelas mãos e complicou sua vida política.

Em São Luís, Roseana uniu-se ao seu cunhado, ex-deputado Ricardo Murad, e bateu forte demais no governador José Reinaldo e na primeira-dama Alexandra Tavares. José Reinaldo tolerou o quanto pôde, mas foi obrigado a reagir às provocações. E, pela primeira vez em seus 38 anos de mando no Estado, José Sarney fica no campo da oposição num momento que não esperava. Na Assembléia Legislativa, os sarneysistas ainda tentaram afastar José Reinaldo com um impeachment, porém desistiram, porque não encontraram suporte. Hoje a bancada declaradamente roseanista se resume a cinco deputados. O governador está se desfiliando do PFL para ingressar no PTB, partido da base do governo Lula e que conta com expressiva bancada na Câmara Federal (50 deputados). Na Assembléia Legislativa, o governador dispõe do apoio de 22 deputados, sem incluir os parlamentares da oposição tradicional ao grupo Sarney.

Nunca a Câmara Federal e o Senado passaram mais de três meses com a pauta obstruída como aconteceu agora, em razão da obsessão de Sarney e João Paulo que pretendiam se reeleger presidente das duas Casas do Congresso a todo custo. O presidente Lula teve de dar um recado direto aos dois: sepultar a reeleição. Sarney anda revoltado com a situação e sente o chão sumir-se de seus pés. Em Brasília, o sonho de reeleger-se presidente do Senado já se foi; no Amapá, os eleitores mais exaltados de João Capiberibe querem que ele se candidate em 2006 novamente ao Senado só para encarar Sarney, considerado o autor intelectual do processo de sua cassação, e no Maranhão José Reinaldo cada vez mais se afasta do seu grupo. Até dentro do PMDB, o seu partido, Sarney não tem liderança para ser indicado pela bancada como candidato a presidente do Senado. De qualquer forma, é lamentável presenciar um político que exerceu o mandato de presidente da República ficar ao léu, como é o caso de Sarney. Para aumentar sua via crúcis, veio a falência do Banco Santos e já se pergunta: Quanto Sarney depositou? Quanto retirou? Qual o interesse do Banco do Brasil em adquirir uma fazenda nas proximidades de Brasília de um ex-presidente da República que teve grande influência no Senado?


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O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
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Ilharga
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Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
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Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
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Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
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Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
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Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
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Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
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Madeira preta, gente grossa mal educada.