Depois de dezesseis dias, expedição
retorna da floresta do Amapá

Conheça o relato da equipe que venceu barreiras naturais para encontrar paisagens e espécies jamais registradas no Estado

Depois de 16 dias na selva, retornaram nesta segunda-feira, 16, à capital - Macapá - os integrantes da primeira Expedição Científica às áreas protegidas do Corredor de Biodiversidade do Amapá. Constituída por 22 pessoas - sete pesquisadores, 10 assistentes de campo, um analista do Ibama, e quatro integrantes do 3º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro - além de seis barqueiros, a equipe traz na bagagem dados inéditos sobre as riquezas naturais da Floresta Nacional (Flona) do Amapá. Outras 14 expedições acontecem até abril de 2006.

A equipe partiu de Macapá no dia 1º de agosto e se deslocou de barco pelos rios Amapari, Falsino e igarapé do Braço durante dois dias. Enrico Bernard, líder das Expedições e coordenador de projetos da ONG Conservação Internacional, conta que um dos maiores desafios foi chegar até a área demarcada para as pesquisas, montada no coração da Flona. "O curso dos rios é permeado por grandes troncos de árvores que impedem a passagem dos barcos. Dos seis batelões (embarcações de madeira de até 9m) disponíveis para levar a equipe ao acampamento apenas três chegaram no dia programado. Os demais barcos, incluindo o que eu estava, tiveram que encostar nas margens do rio ao cair da noite por total falta de visibilidade. Dormimos molhados e sem comida, mas o esforço valeu a pena."

Graças ao apoio do Ibama e do Exército, a equipe conseguiu montar um alojamento que oferecia proteção à comida, aos equipamentos, e até mesas e bancos construídos com árvores caídas na floresta. Sete grupos foram inventariados, dentre eles: mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, crustáceos e plantas. Neste momento, os pesquisadores estão fazendo as análises das coletas e verificando a existência de novas espécies ou de novas ocorrências para o Estado.

O herpetólogo (especialista em répteis e anfíbios), Jucivaldo Dias Lima, já identificou 19 espécies de lagartos, 25 de sapos e ainda está analisando as espécies de serpentes. "Mesmo já tendo participado de mais de seis expedições desse gênero, estou surpreso com a quantidade de espécies que observamos e que até hoje eu só conhecia na literatura. Ainda temos que consultar outros especialistas na área, mas há bom potencial de haver uma nova espécie de sapo dentre as coletadas. Está entre os sapos mais coloridos que já vi com um tom azul forte e manchas alaranjadas", descreve o pesquisador do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa).

A Floresta Nacional do Amapá está localizada no centro do Estado e tem uma grande diversidade de florestas, incluindo áreas inundadas, de terra firme e formações rochosas. Jeandreson Melo, assistente de campo no grupo de aves, conta que um dos melhores momentos da Expedição foi a descoberta de dois afloramentos rochosos no meio da mata. "Era uma pedra do tamanho de dois campos de futebol de extensão e 80 metros acima da copa das árvores, de onde se podia ter uma vista de 360º. Dali tive a certeza de ter muita coisa a se descobrir neste Amapá".

Jeandreson é um dos integrantes da comunidade local nas Expedições. Com 22 anos, ele se prepara para o vestibular em Biologia, um sonho que alimenta desde os 9 anos, quando entrou para o grupo de escoteiros Veiga Cabral. Ele é um aficionado por botânica e, com toda sua experiência pelas florestas do Estado, diz ter aprendido como se sentir parte da natureza. "Na floresta, você percebe o seu papel e precisa prestar atenção para não fazer parte da cadeia alimentar daquele sistema."

Essa sensação é atestada por outros participantes, que registraram as pegadas e a vocalização das onças mas não arriscaram um encontro cara-a-cara com o animal. "A presença de mamíferos, como as onças pintadas e as onças pardas, indica a saúde da floresta, pois esses bichos só existem quando há fartura de outros mamíferos de médio e pequeno porte. Eles estão no topo da cadeia alimentar e são os primeiros a desaparecer em fortes processos de perturbação", explica Bernard. Para garantir a observação dessas espécies, foi usado um sistema de armadilhas fotográficas, distribuídas ao longo de toda a área de pesquisa. Essas imagens estão sendo tratadas e logo poderão revelar alguns dos hábitos desses felinos e de outras espécies que tenham se exposto aos sensores das câmaras durante a estada dos pesquisadores na Flona.

A Floresta do Amapá tem 412.000 hectares e abrange terras dos municípios de Amapá, Ferreira Gomes e Pracuúba. "Os dados obtidos durante as Expedições serão repassados ao Ibama e vão servir de base para a concepção dos Planos de Manejo das unidades de conservação do Corredor do Amapá", afirma Agenor Gedoz, analista ambiental da instituição, que acompanhou toda a Expedição. "O Plano de Manejo da Flona do Amapá vai definir os usos adequados dos
recursos naturais existentes na área. Esses usos podem ir desde a pesquisa até o ecoturismo e o extrativismo sustentável. Neste momento, estamos encorajando a participação de toda a sociedade com a formação do Conselho Consultivo da Flona."

"Esta foi a primeira de 15 Expedições Científicas ao Corredor. No dia 11 de setembro, a equipe sai rumo ao Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o maior parque de florestas tropicais do mundo, com a certeza de voltar com novas e importantes descobertas", conclui Bernard.

As Expedições Científicas ao Corredor de Biodiversidade do Amapá são lideradas pela organização não-governamental Conservação Internacional, em parceria com o Iepa, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Ibama-Amapá, e tem a participação do Exército Brasileiro. Os trabalhos de inventário representam um investimento de R$ 700 mil. Além disso, todo o material coletado entrará para a coleção do Iepa viabilizando novas pesquisas no Estado.


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Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.