Medicina da selva já cura 800 doenças.

10/09/2004
Local: Rio Branco - AC
Fonte: Página 20
Link: http://www.pagina20.com.br/

Pesquisas científicas mostram que, na Amazônia, doenças são tratadas com cerca de 1,8 mil animais e plantas da floresta

Brasília: Gosma de lesma viva acaba com a mancha de pele. Ou líquido espumoso da perna de gafanhoto cura tersol. Ou mais ainda: bico assado de pica-pau com chá de marapuama livra qualquer um da impotência sexual.

Não estamos falando de nenhum sonho ou fantasia daqueles que gostam de mexer com bruxaria, dando asas à imaginação. Estamos apenas nos referindo a três das centenas de tratamentos que hoje são feitos na Amazônia para acabar com muitas das doenças existentes na região.

Os três remédios naturais referidos acima fazem parte dos catálogos de duas pesquisas científicas realizadas recentemente no Pará e em São Paulo, mostrando como cerca de 800 problemas de saúde são tratados no interior da Amazônia, usando-se cerca de 1,8 mil animais e plantas. As pesquisas foram feitas pelo Departamento de Entomologia do Museu Emílio Goeldi, do Pará, e pela Escola Paulista de Medicina, de São Paulo.

Bem distante da medicina tradicional, os remédios naturais da Amazônia, segundo constataram as duas pesquisas, são aplicados por velhas e velhos
curandeiros, que misturam ervas com animais, como réptil, mamífero, ave, peixe ou inseto, para tratar de doenças que vão desde uma simples dor de dente até câncer.

Os pesquisadores da Escola Paulista de Medicina, por exemplo, começaram uma pesquisa inédita no país para curar com três tipos de plantas da Amazônia os doentes terminais de câncer de bexiga, próstata e rim. Os nomes das plantas, segundo informou esta semana o botânico Silvio Panizza ao jornal Correio Braziliense, da capital federal, são guardados a sete chaves porque o segredo serve para não influenciar o pesquisador.

Ainda sem comprovação científica, uma vez que os estudos sobre elas ainda são incipientes, as receitas usadas no interior da Amazônia estão servindo até para médicos se curarem de males cujas soluções não são encontradas ou demoram para apresentar resultados na medicina tradicional.

Em Rio Branco, por exemplo, a imprensa chegou a publicar há alguns anos os efeitos milagrosos do ?lambedor? da Dona Neguinha, uma senhora da Estação Experimental que fazia um misturado de seis cascas de árvores da floresta com 12 ervas caseiras que curava até tosse em cachorro e vários tipos de problemas respiratórios apresentados por filhos de médicos da capital do estado.

Para realizarem sua pesquisa, os pesquisadores do Museu Goeldi percorreram 18 localidades de oito municípios do Pará, onde identificaram 200 doenças tratadas com as chamadas receitas populares. Só para asma, os pesquisadores identificaram 35 tipos de curas, onde se misturam bichos e plantas.

Segundo informaram os pesquisadores, as fórmulas geralmente são manipuladas por velhas sertanejas, as chamadas curandeiras, cuja maioria sequer sabe ler, não anda nas cidades e não gosta de falar muito sobre as suas curas. A pesquisa do museu paraense entrevistou 65 curandeiros e identificou 23 espécies de mamíferos, 10 de aves, oito de répteis, oito de peixes e 15 de invertebrados usados nas porções, além de 500 plantas.

A pesquisadora e botânica Elisabeth van den Berg, também do Museu Goeldi, comprovou que de 1,8 mil plantas investigadas, 30% são de origem indígena, 25% vieram da África e os restantes 45% têm origem variada. Em livro, a botânica escreveu que a medicina tradicional vai, aos poucos, se rendendo à medicina praticada por curandeiros do interior do país. A pesquisadora cita, como exemplo, o curare, a substância que os médicos usam atualmente como energia geral e que nada mais é do que uma erva indígena usada há tempos imemoriais nas aldeias.

Outro pesquisador paraense, Silvio Panizza, disse ao jornal braziliense que
a medicina tradicional só não se curva definitivamente para a cura pelas plantas e animais da floresta porque o poder dos laboratórios sobre os médicos ainda é muito grande.
"Existem interesses em jogo e há muita malandragem nesse mercado", disse.

Outra razão para a cura pelas plantas continuar marginalizada está também
no interesse de laboratórios internacionais continuarem faturando clandestinamente bilhões de dólares com a prática da biopirataria que costumam fomentar nas florestas tropicais de todo o planeta. Roubando as ervas e as plantas e o conhecimento das populações tradicionais sobre elas, esses laboratórios economizam muito para lançar seus novos produtos no mercado.

No Acre, as plantas e animais da floresta, que hoje também curam muitas doenças, devem ser estudadas por cientistas em conjunto com curandeiros índios e seringueiros da região na futura Universidade da Floresta, que será inaugurada no próximo ano, com sede na cidade de Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá acreano.

Romerito Aquino


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Matinta-perêra
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Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.