Artigo sobre a "paralisia" da
arte provoca contestações

Um artigo enviado por Chico Terra, denunciando uma suposta paralísia da arte no Amapá provocada pelo governo do PT, publicado aqui neste site, provoca a reação de profesores e artistas que não concordam com as afirmativas feitas. Para melhor compreensão, aqui vai o artigo que provocou o debate e os que foram escritos em função dele. Para tirar conclusões.

Tópico: A paralisia na cultura amapaense
Postado por: Chico Terra
Data/Hora: 17/01/03 12:18:20

A primeira providência do governo PT no estado foi o de acabar com todos os projetos culturais. Fim de tarde no meio do mundo, Quarta lilás, Quinta cultural, Projeto camaradagem, Tambores no meio do mundo entre outros, foram p'ras cucuias. Agora o governo Waldez anuncia um corte de 30% no orçamento do estado, onde a cultura novamente vai ficar a ver navios. Claro que saúde, educação, segurança, alimentação são essenciais e mais que uma necessidade, são um direito do cidadão, mas como diz a canção governador, " A gente não quer só comida " e sem trabalho, como os artistas irão comer ?


Tópico:
Re:A paralisia na cultura amapaense

Postado por:
Arthur Leandro

Data/Hora:
20/01/03 13:30:25

Minha compreensão sobre a matéria é de que não há política clara neste estado na área cultural.
Você fala que a primeria providência do PT foi acabar com os projetos culturais, vamos listá-los novamente:

1- Fim de tarde no meio do mundo (música);
2- Quarta lilás (música);
3- Quinta cultural (música);
4- Projeto camaradagem (?);
5- Tambores no meio do mundo (música);
6- Outros (?).

Porque somente projetos musicais? Como foram elaborados e executados tais projetos? São fruto de uma política cultural abrangente? democrática? com participação popular? Não. Não. Não e não!

Todos esses projetos tinham "donos". Pequenos grupos que tiveram projetos apresentados à FUNDECAP e/ou outros setores do governo Capiberibe, e sabemos que apenas projetos adequados ao PDSA (? - que continua a não ser tão claro pra mim), daqueles que cantam "igarapé com boto" ou "tucupi com tamuatá" é que tinham veias de financiamento do Estado quando Capiberibe foi governador.

Mas o que é a música amapaense? ou o que é a arte amapaense? Igarapé com boto!?!

Pergunto: para a mesma área de música, havia projetos para apresentação de orquestras nas cidades do interior? ou mesmo nas praças da periferia de Macapá e Santana? Um projeto que visasse popularizar a música erudita (praticada no Conservatório Walkíria Lima), e que oportunizasse a população desse conhecimento?

O governo Capi investiu no reggae, comum nas praças do Jardim Felicidade e em alguns guetos no Pacoval........

Mais uma vez : NÃO! Ao governo Capi interessava APENAS (e o apenas é o detalhe complicador) popularizar uma proposta musical tida como estética regional (como se fosse fácil caracterizar isso) e que parecia ser fruto do PDSA, e o fez unicamente através da música (sem investimento maior nas linguagens visuais, gestuais, cênicas e tecnológicas), de fácil circulação através da indústria radiofônica. Isso é a política cultural que quero que seja empregada verba pública? A resposta é óbvia...

Quero sim mais verbas para a cultura, e a responsabilidade do Estado sobre ela, mas o Estado não é a proposta de seu governante - eu não deposito minha capacidade crítica nas urnas, é responsabilidade nossa, ao governante cabe executa-la.

Quero também poder intervir nesse processo através do Conselho Estadual de Cultura e de outro órgão de assessoria/fiscalização que até agora ninguém falou: o Fórum Amapaense de Cultura, com participação maciça de artistas e agentes culturais.

Quero investimento na formação, nas escolas Walkíra Lima e Portinari (e a abertura de uma escola de teatro e circo), para que elas tornem-se mais dinâmicas e atuantes e saiam da condição de gueto de meia dúzia de "professores" que nada fazem.

Quero investimento em intercâmbio com artistas de outras regiões, porque linguagem artística, quando verdadeiramente o for é universal.

Quero uma política clara de financiamento da produção local e inserção da mesma no circuito nacional.

Você ainda pergunta o que os artistas vão comer (e eu leio "o que os músicos vão comer?" porque os 'outros' tão passando fome há muito tempo), comam cultura....!!! a música que você cita continua com "a gente quer comida, diversão, balé, a gente não quer só comer a gente quer comer e fazer amor". Digo eu, digiram cultura! mendiguem! Mas não percam a dignidade que nos faz artistas.

Não quero é interferência do poder público sobre o que o artista deve ou não deve fazer... Isso é imposição oficial de gosto, e interferência de um programa de governo na estética. Arte é território livre, arte é política e subversiva por natureza. Liberte-se!

Libertando-se e liberando-se poderemos construir uma proposta da nossa categoria e impor ao governo do Estado, aí o Estado (e não o Waldez) estará investindo em uma política cultural proposta por nós, que espero possa ser mais abrangente do que a farofa de ovo que o Capi botou na boca dos músicos para calar os passarinhos....

Tá feito o chamado.

Arthur Leandro
Artista, Prof. da UNIFAP, Arquiteto e Urbanista/ UFPA, Mestre em História da Arte/ UFRJ, Doutorando em Artes Visuais/ UFRJ

Tópico:
Re:A paralisia na cultura amapaense

Postado por:
Maikon Richardson

Data/Hora:
21/01/03 10:16:56

É engraçado ver "alguns" artistas reclamando nesse momento, por que nesse tempo todo não deram nem um "pio" sobre a falta de incentivo, ou sobre o descaso que sempre aconteceu nesta cidade? será que era por estarem aquecidos com os privilégios oligarquicos, que por sinal, nesta cidade é muito forte, fulano é sobrinho de Beltrano que é.... e assim vai. Ai eu pergunto Onde estão esses artistas na hora de nos mobilizamos para reividicar espaços, recursos, cobrar do governo que respeite a constituição federal e o próprio artista? Será que é porque querem continuar num "Ostracionismo" ou é muito comodo ficar esperando aulguns colocarem suas caras para levarem tapas e serem linchados por reivindicarem seus interesses engantos os gostosões ficam na rede se balançando?

Vamos relembrar alguns fatores da nossa história cultural.

Somente em 1991 é criada Universidade Federal do Amapá , constituindo de fato o primeiro investimento para o campo social e cultural da cidade. Porém, a universidade chega e aqui reproduz a rigidez do controle ideológico, ao invés de promover a liberdade de pensamento, passando 11 anos sob intervenção política e administrada por pessoas indicadas pelas oligarquias do Estado, os quais, por manterem laços de parentesco, atrasaram a organização social e favoreceram negociações individuais, baseadas no forte controle ideológico. Neste sentido é compreensível que os investimentos públicos não tenham favorecido o desenvolvimento de um circuito artístico na cidade. Como vimos, nunca foi interesse a criação de Galerias , Museus ou Centros Culturais, que pudesse estimular e difundir o fazer artístico. O resultado é a falta de referências e de intercâmbio que faz do artista fruto único de seus próprios investimentos , e como qualquer trabalhador, sobrevive do seu trabalho vinculado à comercialização de suas obras com as pessoas que detém o poder político e/ou econômico, o que subordina o artista a um jogo de influências que acabam por interferir no processo criativo e resultam na mercantilização da arte. Essa visão transforma a obra em “produto cultural”, ou, como diz Mario Pedrosa em seu livro Mundo, Homem, Arteem crise (1986: P.257), “as leis do mercado capitalista não perdoam: A arte uma vez que assume valor de câmbio, torna-se mercadoria como qualquer presunto”.
Este “presunto” tem como principal mercado, as programações eventuais como: as feiras de Artesanato, autos de natal, Expofeiras, etc...que aparentemente fizeram supor uma efervescência cultural durante o governo de João Alberto Capiberibe [1994-2002], mas na verdade, disfarçaram a miséria de investimentos culturais que visassem a qualidade da produção artística. A meu entender, não há um processo continuado de trabalho e pesquisa artística arraigada a um compromisso ético com a função social da arte. Criam uma série de ilusões que mascaram a realidade da produção cultural. A maior dessas ilusões é supor a existência de um circuito local. A produção visual é descontinua e no máximo gera subempregos temporários na ‘decoração’ desses mesmos eventos - do carnaval à Feira do PDSA.

E ainda aparecem pessoas que só querem reclamar, esse é o momento de ficar de boca calada, pois a culpa é de todos aqueles que sempre se beneficiaram achando que esse beneficio nunca ia acabar, essa é a culpa de todos aqueles artistas que nunca tiveram a intenção de se unir param estimulara a culltura e sim de apenas vender seu trabalho como as "conservas" enlatadas no super mercado.

Mas ainda há esperança, por que não criar um forum de discussão? por que não nos reunirmos para desenvolver nossas propostas? Quando digo reunir não é para falar mau do "que" ou "quem" fez ou deixou de fazer, Porque isso não leva a lugar nenhum. Querem investimento? produção? Salões de Arte? Espetáculos? Festivais? então se unam porque separados nunca Mudaremos.

Maikon Richardson
Artista Visual


Doce Amazônia

Doces e licores
de frutas regionais.
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Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433

Tia Neném
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Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.