Homens de Brasília.
Eles violam, estupram e matam

Daniel Alves

Domingos Gomes Fonseca matou a própria mulher com três facadas: ele confessou o crime


Algozes

Eu te encarcerava
Te acorrentava
Te atava ao pé do fogão
Eu te dominava
Te violava no chão

Eles, canção de Chico Buarque



Não existe violência contra a mulher. Existem violências. É como se fosse um pacote de maldades. Quem bate, não se limita a espancar. Surra, xinga, ameaça. No mais terrível dos crimes, o estupro, o criminoso faz muita mais do roubar o sexo. Ameaça com arma, agride, por vezes mata. Em 2001, 280 mulheres morreram assassinadas no Distrito Federal, mais de 70% mortas por homens. Aqui, eles contam suas crueldades: ''Estuprei sempre dentro do carro, sempre no Park way. Não lembro quantas, acho que foram quatro. Pegava no Plano Piloto. Eu abaixava a roupa apenas o suficiente para colocar o pênis para fora, mandava elas fazerem sexo oral, uma das vezes eu estava com uma camiseta estampada com a fotografia da minha esposa. Eu sempre usava aliança.''

Israel Guilherme dos Reis, 27 anos, policial militar, expulso da Polícia depois de violentar quatro mulheres no Distrito Federal, em
2002. Casado, baixinho e feioso, o homem que marcou com sangue, dor e desespero a vida de suas vítimas não deixa transparecer remorso.

''Eu parava o carro, apresentava um cartão como se quisesse saber um endereço, logo depois mostrava a arma e mandava entrar no carro.
Sempre ficava calmo para deixar a vÍtima calma. Uma delas falou que queria ser advogada para me prender, eu disse que se ela me
denunciasse, eu voltaria e a mataria. Eu usava a arma da Polícia".

O homem que usava farda e tinha poderes para prender qualquer
cidadão é um dos culpados pelos 368 estupros registrados no Distrito Federal no ano passado. No total, dá mais de um crime por dia e coloca a capital da República em terceiro lugar na contabilidade nacional de violência sexual ? em números absolutos, perde apenas para o Rio e São Paulo, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

As estatísticas ficam mais assustadoras quando se pensa que estuprar é apenas uma das formas de violência sexual contra a mulher. O chamado atentado violento ao pudor é tão freqüente e cruel quanto o estupro. ''No atentado, o criminoso faz toda espécie de perversidade com a mulher, apenas não penetra em sua vagina'', explica Iáris Ramalho Cortês, advogada do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, o Cfemea, uma das mais respeitadas organizações não-governamentais de defesa dos direitos da mulher.

''Sou casado, tenho uma filha de dois anos, nunca tive crise conjugal, pegava mulheres de programa, fazia sexo oral, anal e vaginal. Não perguntava a idade delas, não me interessava. Eu pagava R$ 20 e queria que elas fizessem tudo.''

Claudio Dias Lourenço, 25 anos, ex-policial militar, se transformou
no terror das garotas de programa da Asa Norte. Sua perversidade era tamanha que acabou abrindo um precedente jurídico importante. Cláudio contratava prostitutas, não pagava, amarrava as mulheres e defecava sobre elas. Fez isso com mais de 20. ''Elas chegavam na Delegacia imundas e aterrorizadas'', recorda a delegada Vera Lúcia, que coordenou o inquérito e terminou convencendo o Ministério Público de que Cláudio podia ser enquadrado com estuprador.

Ao contrário do que se imagina, estuprador não é necessariamente um homem forte e viril. É o oposto. Ele é baixinho, fraco, casado e tímido. ''É alguém que não se destaca'', resume a psicóloga Maria Xavier Viegas, 47 anos, há 16 trabalhando na penitenciária da Papuda, e autora de precioso estudo sobre o perfil do estuprador.

Aluna da pós-graduação em Política Criminal da Escola de Governo do Distrito Federal, Nazaré pesquisou os 583 condenados por estupro no DF entre 1985 e 2002. Desses, 16 estupraram e mataram. São poucos, porém parecidos. ''Mais de 56% tinha entre 19 e 26 anos, quase 70% não passava de 1,65m de altura, 71% eram casados e apenas 20% completou o ensino fundamental'', conta a psicóloga, convencida de que o estuprador homicida é quase um zé ninguém, um personagem sem brilho, de pouco carisma.

''Vários estudos já provaram que o estuprador tem problemas de
ereção e ejaculação precoce. Têm prazer na dominação e não no ato sexual. Por isso, muitos não conseguem estuprar, ficam no atentado violento ao pudor'', ensina a estudiosa, certa de que os assassinos matam para evitar que a vítima os denuncie.

''Matei porque ela estava me traindo. Fiquei com raiva porque ela não me contou e ainda soube pelos outros. Eu já estava desconfiado, pois ela vinha sempre visitar a irmã. O tal sujeito é meu vizinho lá e às vezes ela deixava escapar que havia encontrado com ele. Ainda lembro da cara dela, assustada, pedindo para não morrer.''

Domingos Gomes Fonseca, 46 anos, matou a própria mulher com três facadas, ontem, numa casa no Lago Sul, onde trabalhava como jardineiro. Ficou enfurecido quando um homem lhe disse que era amante de sua mulher. Ela negou, ele não acreditou. Encerrou o romance e a vida de Maria da Conceição, de apelido Veinha, com a lâmina de um facão. Deixou vivo o suposto amante da mulher. ''Ele disse ainda que era perigoso, que eu não poderia fazer nada. Preferi ir embora do que arrumar confusão'', dizia o homem, ora com ares de macho, ora com fisionomia de covarde.

CAMPEÕES DA COVARDIA EM 2002

Violência Sexual *

Taguatinga 98
Ceilândia 96
Brasília 75
Gama 52
Total Distrito Federal 828

* (estupro, atentado violento ao pudor, ato obsceno e tentativa de estupro)

Colaborou Guilherme Goulart


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Perau
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Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.