A safra da pupunha
Fazenda inicia seleção genética para produção de mudas de frutos e sementes

Paulo Roberto Ferreira (de Santa Isabel do Pará)
Fotos: Rodolfo OLiveira

Começou a safra da pupunha na Amazônia brasileira. O fruto, bastante conhecido pela população rural e urbana, é mais consumido cozido com água e sal, acompanhado de café.

Nas margens das rodovias, feiras e supermercados a fruta é vendida em cacho. E nas ruas das cidades é comum a venda da pupunha já pronta para consumo. A pupunha está para a população amazônida como a castanha portuguesa está para os europeus e o pinhão para o sulista do Brasil. O valor nutricional da pupunha é equivalente ao do milho, embora superior em vitamina A. Os restaurantes e agroindústrias já estão produzindo pratos como purê, geléias, marmelada, compotas, bolos e canapês. Da farinha pode-se utilizar para fabricação de pão e ração animal. Tem uso também pela indústria farmacêutica e de cosméticos. A fruta é uma importante fonte de vitaminas, amidos, açúcares, graxas, proteínas e minerais. É um dos alimentos mais completos e melhor balanceados. Por isso mesmo, diversas tribos indígenas da América do Sul e Central faziam da pupunha a sua principal fonte de alimento, como massa para fazer mingau e farinha para comer com peixe. Tem, para muitas comunidades, a mesma importância que a mandioca para a população rural do Brasil. De olho nesse potencial, a Fazenda Fronteiras de Guadalupe, de propriedade do engenheiro florestal Williams Faraco, localizada no município de Santa Isabel do Pará, nas margens da PA-140, investe há doze anos no cultivo da
palmeira da pupunha. Ele conta com um pomar de mais de 4 mil matrizes, que ocupam uma área de 15 hectares. Faraco introduziu sementes de origem peruana, provenientes de ecotipos, sem espinhos no caule para produção de frutos e sementes na propriedade. Este ano teve início um trabalho de seleção, com identificação morfológica e marcação de matrizes,
onde serão coletadas sementes de alta qualidade, para a obtenção de mudas selecionadas, para comercialização. O programa visa a estimular o cultivo tanto de frutos como de sementes de plantas que se caracterizam pela qualidade e quantidade de produção. Na primeira fase deverão ser ofertadas entre 30 mil e 50 mil mudas com material de alta qualidade genética. Esse trabalho de seleção, coleta e produção de mudas em viveiro é acompanhado e supervisionado pelo engenheiro florestal Euclides Pecinatto, que tem uma vivência de mais de 15 anos no cultivo da pupunheira.


Fotos: Rodolfo OLiveira

A colheita visa à seleção das melhores sementes

Produtividade é maior que a do milho

O cultivo da pupunheira (Bactris Basipaes H.B.K.) remonta há vári- os séculos, nas Américas. É uma palmeira destinada a cumprir um grande papel como alimento por produzir frutos e palmito de excelente qualidade. Os frutos, quando jovens, possuem a coloração verde, mas quando em estado adulto ganham diferentes cores: amarela, vermelha, alaranjada, esverdeada e outras intermediárias. Apresenta várias formas, cônica ou elipsóide e diferentes tamanhos. O fruto grande pesa mais de 80 gramas; o médio varia de 30 a 80 gramas e o pequeno, entre 10 e 20 gramas. A composição química da pupunha apresenta diversidade, segundo a variedade, característica do solo, forma de cultivo, estado de maturação, condições ambientais e climáticas. Porém, é considerado como um dos alimentos tropicais de maior valor nutritivo, sendo um importante aporte vegetal na dieta humana. A pupunheira tem uma produtividade superior à do milho. Em um hectare, produz 30 toneladas de fruta, enquanto o milho, no mesmo espaço, gera no máximo 8 toneladas. Nos últimos anos tem-se intensificado a implantação de plantios tecnificados de pupunheiras para produção de frutos e principalmente de palmito. A qualidade do palmito de pupunheira, aliada à regularidade de produção, fornecimento e comprovação de origem, como matéria-prima de cultivos racionais e não degradadores do meio ambiente, vai gradativamente conquistando mercados exigentes, como o norte-americano e o europeu.

Países como a Costa Rica e a Colômbia despontam como os maiores cultivadores para produção de frutos, que a cada ano ganham mais espaço. Aqueles países já lançaram nos mercados locais e internacionais o produto nas mais variadas formas de preparo e industrialização, como geléia, compotas e o fruto cozido em embalagens tetrapak, com validade para seis meses, pronto para esquentar no fogão ou no forno microondas.


Doce Amazônia

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Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.