Índios da Yawanawa, no Acre,
acessam a internet
com a antena da Star One

CIBELE GANDOLPHO

A chegada da internet às tribos indígenas brasileiras pode significar muito mais do que apenas fazer com os índios interajam com o mundo. Pode ser sinônimo também de sobrevivência. Na época de seca nos rios da Amazônia, uma viagem de poucas horas se transforma em dias devido às dificuldades no acesso. E remédio para algum índio doente pode levar dias para chegar.

Para minimizar estas dificuldades, várias tribos indígenas se interessaram pela idéia de se integrarem ao povo branco para facilitar suas atividades. Uma parceria do Comitê para Democratização da Informática (CDI), a empresa de soluções via satélite StarOne e a Comissão Pró-Índio do Acre resultou no projeto "Rede Povos da Floresta", que pretende interligar aldeias indígenas de todo Brasil pelo computador.

Segundo Rodrigo Baggio, fundador e diretor executivo do CDI, as primeiras aldeias a se integrarem ao projeto são a Ashaninka, no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre; a Yawanawa, que ocupa a terra indígena Rio Gregório, no Acre; e a Sapucay, em Angra dos Reis (RJ). Na próxima fase, a aldeia de Xacriabá, em São João das Missões, em Minas Gerais, estará recebendo o acesso à internet.

Comunidade virtual ? "Não queremos dar computador para índios para eles ficarem brincando", comenta Baggio. A idéia é fazer com as aldeias criem uma comunidade virtual, defendam seus direitos. "Esses índios ficam isolados o tempo todo e vão às cidades mais próximas apenas de duas ou três vezes por ano. Quando precisam de alimentos ou remédios para malária, por exemplo, a ajuda demora muito a chegar porque primeiro alguém da aldeia tem de ir na cidade pedir. Com a internet, tudo isso pode ser feito por e-mail, por exemplo", diz o diretor.

A idéia também é que, numa comunidade virtual, os índios possam se mobilizar e se organizar pela defesa de seus direitos. "Algumas etnias já têm e-mail e eles trocam mensagens sobre assuntos de seu interesse. Teve uma aldeia que viu na internet um problema de uma tribo da África e perceberam que eles tinham os mesmos problemas e poderiam achar soluções juntos", comenta Baggio.

Outro fator importante para a chega da internet nas aldeias é que essas tribos são verdadeiros produtores de urucum e artesanato "Eles querem conseguir uma abertura para a venda de seus produtos pela rede mundial."
Capacitação ? Os índios também estão aprendendo a utilizar a tecnologia. Em paralelo ao projeto, foi criado um programa de supervisão junto à Comissão Pró-Índio para o acompanhamento dos trabalhos de adaptação das comunidades e ampliação da rede.

Segundo Baggio, na fase inicial do projeto "Rede Povos da Floresta", alguns índios passaram uma semana no Rio de Janeiro tendo cursos básicos sobre como internet.

Entre as ações deste grupo está incluída a capacitação dos índios residentes nas aldeias, que ficam responsáveis pelos equipamentos, pela tecnologia e pelo próprio acesso à internet dos demais.

Um dos índios que se empenhou em trazer a tecnologia para as tribos foi Joaquim Tashka Yawanawá, representante internacional da etnia Yawanawa. "A internet para nós é uma ferramenta como o machado e o arco. Eu não aprendi a caçar e a pescar porque saí da minha tribo muito cedo. Fui morar nos Estados Unidos. Mas, se você me der uma tarde num computador com internet, eu trago um projeto que pode mudar a vida do meu povo. Eu faço a ponte entre eles e o homem branco", diz.

Perto da fronteira com o Peru, com costumes bem mais diferentes que os Yawanawá, está o povo Ashaninka, que no começo, receberam a idéia com desconfiança. Eles são descendentes dos Incas, uma civilização antiga que vivia na América do Sul. "A gente quer aprender toda essa tecnologia que está chegando à nossa aldeia para ter esse mundo de comunicação. "É muito importante para nós saber o que está acontecendo fora daqui e transmitir a nossa vivência", explica o membro da liderança Ashaninka, Denki Pinhanta.

Tecnologia ?Para conseguir acessar a internet no meio do "nada", cada aldeia conta com computadores interligados à internet por meio de uma antena de 1,8 m de diâmetro, que é responsável por captar o sinal do satélite. A instalação nas aldeias do Acre contou ainda com o apoio da Heliodinâmica, empresa especializada em sistemas de energia solar que foi responsável pelas placas para captação de energia solar, e com recursos de infra-estrutura parcialmente financiados pela Embaixada da Finlândia e pela EDS Foundation.

Baterias solares alimentam os computadores nas aldeias.
Cada dia de sol gera energia suficiente para quatro horas de eletricidade. Mais informações sobre o projeto "Redes Povos da Floresta" podem ser encontrados no site do CDI www.cdi.org.br.


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Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.