Dom Pedro Casaldáliga renuncia à
Prelazia de São Félix do Araguaia


Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá

Na última semana, bispo de São Félix do Araguaia enviou ao Vaticano carta comunicando aposentadoria.

Quantas batalhas um homem tem de vencer para alcançar a paz? Ao longo das últimas décadas, em missões entre os desamparados da Europa, África e América Latina, Pedro Pla Casaldáliga enfrentou muitas delas e não se pode afirmar que as tenha vencido. A fome, a exclusão e o latifúndio, contra os quais colocou a vida em risco diversas vezes, ainda perduram como chaga pelos campos e cidades do mundo.

Foi, porém, com o coração tranqüilo que ele renunciou oficialmente, em carta enviada na última segunda-feira (17) ao Vaticano, às suas funções como bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia (região leste do Estado, 1.140 quilômetros de Cuiabá). Exigência do rito canônico aos que completam 75 anos, a aposentadoria de Dom Pedro Casaldáliga encerra 32 anos de uma atuação combativa e combatida, visceral.

De um lado, peões sem nome, grupos indígenas à beira da extinção e centenas de famílias de posseiros. De outro, megalomaníacos projetos de integração regional, patrocinados e amparados pela ditadura militar. Nessa imensa corda de interesses, que se estendia rumo Norte ao longo do rio Araguaia, Casaldáliga escolheu o lado em que ela sempre arrebentava.

Por conta disso, sofreu ameaças de morte, cinco processos oficiais de expulsão do país, teve amigos e companheiros de prelazia mortos, ou então presos e torturados. Foi chamado de agitador, comunista e enfrentou ainda setores da própria igreja, que discordavam de seu perfil de militante.

Um destino quixotesco que sua família jamais poderia antever naquele 16 de fevereiro de 1928, na pequenina Balsareny, cidade da província de Barcelona, Espanha. Filho de pecuaristas, Casaldáliga nasceu em um ambiente religioso e conservador.

"Tradicional, de direita, era uma família modesta de leiteiros, com
seis vacas suíças. É um pouco ironia da vida: eu que fui criado graças a umas vacas, depois tenha tido de lutar tanto contra o
latifúndio agropecuário", relembra o religioso, que recebeu em sua
casa a reportagem do Diário.

Ele conta que sua convivência com a perseguição política e a
violência teve início logo aos 8 anos de idade, durante os meses
seguintes à revolução espanhola de 1936 - no qual se juntavam
anarquistas e comunistas.

"Meu tio Lluis, irmão de minha mãe, foi morto pelos vermelhos aos 36 anos, pelo simples fato de ser padre. Meu pai também foi perseguido naquela época. Então a gente viveu desde o início, desde criança, o clima de perseguição por um lado e de um certo heroísmo por outro. E a memória e a presença dos mártires".

Aos onze anos, Pedro já anunciava o desejo de ser padre e, além
disso, missionário. A família, traumatizada com o assassinato de Lluis, deu todo o apoio à iniciativa do garoto, que iniciou seus estudos do seminário La Gleva, na cidade de Vic. Neste período, Casaldáliga tomou contato com a congregação Claretiana (de Santo Antônio Maria Claret), na qual ingressaria e permaneceria até hoje.

Foi ordenado padre aos 24 anos, em uma cerimônia conjunta que reuniu 900 jovens de todo o mundo em Barcelona, em 1952. Como primeira missão, seis anos ministrando dez horas de aulas diárias em um colégio de Sabadell, uma cidade industrial da região da Catalunha. Foi quando o jovem sacerdote começou a tomar contato com as grandes questões sociais.

"Tanto em Barcelona, como em Sabadell, e mesmo em Madrid, eu
trabalhei bastante com o pessoal do subúrbio e pude sentir o problema da migração e do desemprego", relata o bispo, que chegou naquele período a lançar a revista "Euforia!", cujo tom crítico incomodava seus superiores - e por isso, durou apenas oito edições.

O contato com o Terceiro Mundo propriamente dito se deu no início da década de 60, quando Casaldáliga foi designado a fundar os chamados consilhos de cristandade na África. "Fui em missão na Guiné Equatorial, que à época ainda era uma colônia espanhola".

No final da década de 60, surgiram vagas para missionários no Centro Oeste do Brasil e também nos altiplanos bolivianos. A Casaldáliga, sempre disposto a tais empreitadas, não fazia diferença o destino. "Eu queria ir às missões, não importava muito o local. Foi o superior-geral dos claretianos quem me disse: olha Pedro, acho que o Brasil é mais decisivo, é um país de muito futuro e muito desafio como sociedade e como igreja".

Tinha então 40 anos quando desembarcou no Rio de Janeiro, em 26 de janeiro de 1968. Do país, só conhecia o pouco que a imprensa espanhola noticiava. "Conhecíamos informações genéricas: um país enorme, Amazônia, futebol, alguma referência literária e artística, carnaval, era o que se conhecia".

Seu objetivo era levar a igreja a uma nova frente de ocupação, numa inóspita faixa de 150 mil quilômetros quadrados entre Barra do Garças e a divisa com o Pará. Antes porém, teve de passar pelo Centro de Formação Intercultural da CNBB, destinado a missionários estrangeiros. "Esse curso nos dava, além de aulas de idioma, uma visão do país, o sofrimento no nordeste, a situação dos povos indígenas, uma certa idéia de latifúndio".

Cumprida esta etapa, sete dias de caminhão, cruzando pontes precárias e atoleiros, separavam o sacerdote de sua futura morada. Ao chegar em São Félix, se viu diante de um novo mundo, perdido e distante, onde se acirravam os conflitos fundiários e o Estado era uma figura ausente. "O que a gente via é que o problema não era só o latifúndio, mas um total desamparo administrativo".

Tal situação, agravada pelo acirramento da ditadura militar, tinha
como resultado violência e impunidade. Ao ser sagrado bispo, em 23 de outubro de 1971, à beira do rio Araguaia, Casaldáliga lança uma carta manifesto intitulada "Uma igreja da Amazônia contra o latifúndio e a marginalização social", em que denuncia fazendas, políticos a autoridades locais.

"Não havia fiscalização nenhuma. A Sudam era a prostituta do latifúndio, com o perdão das prostitutas. E o povo inerme, indefeso, não tinha organização, não tinha sindicato, enquanto as forças todas, políticas, judiciárias e militares estavam a favor do latifúndio. Você podia apelar a quem? A Deus e aos mortos", ao relembrar os 32 anos que o separam sua aposentadoria daquele documento inaugural.

Uma verdadeira declaração de guerra, com 123 páginas, que entraria para a história como o marco zero de sua polêmica atuação religiosa. "Nenhuma igreja pode viver isolada", propôs Casaldáliga, no documento. "Nem todos poderão entender esta atitude. É uma opção dolorosa, de pobreza, de risco e de escândalo evangélico. (...) Dizer
verdade é um serviço. E o propósito de dizer a verdade nos faz livres".

Avanço dos latifúndios fez surgir idéia de resistência

A situação encontrada na região do Araguaia e a necessidade de a igreja se posicionar diante do conflito instalado serviram para que Casaldáliga e outros bispos da chamada linha progressista arquitetassem o primeiro esboço do que seriam a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). "Foi aqui que surgiu a idéia", relata.

A percepção de todos à época, afirma Casaldáliga, é que o barril de pólvora que se havia instalado na região iria se repetir onde quer que fossem instalados grandes latifúndios agropecuários na Amazônia Legal. "Eu escrevi ao arcebispo de Goiânia dizendo era necessário que a igreja tomasse alguma postura".

Em 1972 se criou o Cimi, que trouxe às aldeias um novo modelo de atuação pastoral. Em 1975, veio a CPT, "para respaldar a luta do povo camponês e para estimular a sua organização", conta o bispo. "Na época, se não organizássemos nós, não organizaria ninguém".

"Aqui nós temos concretamente dois direitos de terra: o de compra, que é titulado no papel, e o de posse, que é suado e escrito nos calos. Mas na hora da verdade você sabe qual prevalece. Com suas malandragens nos cartórios, o que acaba valendo é o direito do mais forte".

Ainda hoje, lamenta o bispo, acesso e o direito à terra continuam a ser uma ferida latino-americana. "A história da América Latina como tal, são 500 anos de latifúndio, de sesmarias, de capitanias, de oligarquias rurais. Sua história tem sido sempre uma aliança dos sucessivos impérios com as sucessivas oligarquias".

Católico, homem contratado para assassiná-lo desistiu

Pouco mais de três anos de atuação em Mato Grosso bastaram para que o sacerdote Pedro Casaldáliga tivesse sua cabeça colocada a prêmio pelos fazendeiros da região. E ele soube disso em primeira mão, por obra da consciência pesada de um pistoleiro. "Era muito religioso e ficou com receio e culpa por ter de matar um padre. Por fim desistiu e procurou a Prelazia", relembra o bispo, que não estava em São Félix naquele dia. "Um dos padres que lá estava o recebeu, ouviu seu relato e, na presença da polícia, colheu o depoimento".

No documento, até hoje guardado nos arquivos da Prelazia, o pistoleiro Vicente Paulo de Oliveira afirma que um empreiteiro da fazenda Bordon - cujos proprietários vinham tentando expulsar os
moradores do povoado de Serra Nova - teria lhe prometido mil cruzeiros, um revólver 38 e uma passagem para qualquer lugar do país.

"Ele pediu insistentemente que o matasse e me avisou que, se eu o denunciasse, me mataria", relatou o pistoleiro que, analfabeto, assinou o relato com a digital.

O bispo admite que houve momentos em que teve dúvidas sobre continuar ou não a caminhada. "Tive medo em alguns momentos sim, pois sou humano. Eu pensei muitas vezes que iria morrer, mas sempre me sustentou a esperança", diz ele.

O clima político em ebulição e o amparo da equipe da prelazia também o fortaleceram. "Sustentava-nos a coesão da equipe e o espírito de Deus. Além disso, havia um clima heróico, com os movimentos na Europa, as músicas de Geraldo Vandré. A causa, enfim, nos motivava muito".

Como escritor, teve 12 obras lançadas no Brasil e 10 fora

"Maldito seja o latifúndio - exceto os olhos das vacas; Maldita a Sudam, sua amante ilícita; Maldita para sempre a Codeara; Bendito seja Deus e a guerrilha da palavra; Bendita seja a terra por todos trabalhada; Bendito seja o povo, unido e com coragem! Bendito seja Deus e o seu povo e a Terra; Causa de minha irada esperança".

Os versos acima, escritos pelo bispo de São Félix em 3 de março de 1972, expõem um momento de profunda indignação e revolta com o desenlace violento de um conflito entre posseiros e a Companhia de Desenvolvimento do Araguaia (Codeara), no povoado de Santa Terezinha.

Revelam, também, a verve de escritor e poeta que cultiva desde a adolescência. Casaldáliga, ao longo dessa trajetória, teve 12 obras publicadas no Brasil, além de outras dez só disponíveis em língua estrangeira.

Em plena ditadura, muitos de seus escritos chamavam a atenção das autoridades pelo conteúdo considerado subversivo. Ao que ele respondia também em versos: "Chamar-me-ão de subversivo, eu responderei incisivo: o sou. Pelo meu povo que luta, pelo meu povo que trilha apressado caminhos de sofrimento", diz, em um trecho de "Canção da Foice e do Feixe", escrito também em 1972.

Para o revolucionário "Che" Guevara, morto em 1967 nas selvas bolivianas, também dedicou um poema. "Descansa em paz, amigo,
liberado da fadiga asmática de respirar; Aliviado das tensões da guerrilha; limpos de ódio os olhos em agonia; limpas as mãos de sangue (morrer é vencer desde aquele dia em eu alguém quis morrer por todos, morto como muitos)".

Atuação social ganhou simpatia dos fracos e a ira de poderosos

Prelazia é uma diocese cujos recursos humanos e econômicos são poucos e muito limitados. Isso não impediu que Dom Pedro Casaldáliga e sua equipe de sacerdotes e agentes pastorais transformassem a Prelazia de São Félix do Araguaia num controvertido manancial de novas idéias e posicionamento crítico.

Sua proposta de atuação, que os opositores ainda hoje qualificam como político-partidária, vinha do pressuposto de que lutar pelo acesso à terra e a condições dignas de vida para todos era também parte da tarefa dos evangelizadores.

Casaldáliga conta que o amadurecimento dessa noção, duramente
combatida pelas ditaduras da América Latina ao longo de toda a década de 70, veio em 1968, quando foi celebrada um conferência de Bispos em Medelin, Colômbia.

"A igreja católica desta região tinha sido durante séculos, ou uma
igreja dependente das metrópoles, fundamentalmente Portugal e a Espanha, ou uma igreja muito romanizada. Não tinha o rosto latino-americano. Medelin abriu espaço para esta opção pelos pobres, pela cultura, pela América Latina".

Em São Félix, tal postura tinha de começar do zero, pela falta de uma comunidade constituída. "Era preciso estimular a participação e a organização do povo, que era nenhuma. Então resolvemos buscar um modelo de pastoral que atuasse de maneira completa, e não apenas com o trabalho de evangelização".

Foram definidas quatro linhas de atuação: saúde, educação, justiça e fé, por meio das quais se criariam os primeiros fundamentos dessa noção comunitária. A primeira medida foi a implantação do Ginásio Estadual do Araguaia. "É claro que substituir o governo pode acomodar o povo e isso não era o que queríamos. Mas é que as carências eram desesperadoras".

Em grupos de três ou quatro agentes de pastoral, conta Casaldáliga, foram empreendidas campanhas missionárias nos mais isolados núcleos de posseiros da Prelazia. "Íamos conhecendo o povo, suas lideranças, conquistando sua confiança. Também iniciamos um programa de alfabetização de adultos, a partir do método de Paulo Freire".

O trabalho deu resultados e logo a comunidade da Prelazia começava a ganhar em número e importância. O engajamento direto nas lutas pela manutenção das terras também contribuiu para estreitar os laços com os grupos de posseiros, índios e peões.

Ao mesmo tempo, o poder local já dava sinais claros de descontentamento, municiando o governo militar com informações sobre os "subversivos" da Prelazia. "Nós éramos comunistas, terroristas, estávamos envolvidos com a guerrilha no Pará. Se alguém estava se mudando para cá, diziam: cuidado com a Prelazia, cuidado com o Bispo", lembra.

No rastro de tais informes, logo viria a repressão. "Nós temos esse jornalzinho, Alvorada (a mais longeva publicação alternativa do país), que quem tivesse em casa era subversivo. Teve gente que apanhou por ter o Alvorada em casa".

O ginásio escolar sofreu intervenção e teve de ser fechado, sete
agentes pastorais foram presos, quatro padres sofreram tortura e todo o trabalho da Prelazia passou a ser acompanhado de perto, inclusive pela imprensa nacional - gerando episódios de pitoresca paranóia (ver matéria).

Hoje, passados 32 anos de sua criação, a Prelazia de São Félix continua a render espaço para a polêmica. Recentemente, sua bem-sucedida campanha contra a hidrovia Araguaia-Tocantins também serviu para consolidar a antiga pecha de que a presença de Casaldáliga seria um entrave ao desenvolvimento da região. "Não somos contra o progresso, mas também não somos favoráveis à injustiça. Faz 20 anos que cobramos o asfalto e ele nunca veio".

Tia Irene entrega momento às mãos de Deus

Irene Maria Paula Franceschini, 84 anos, freira da congregação Irmãs de São José. Há três décadas ela empresta sua vitalidade à missão de implantar e consolidar a Prelazia de São Félix do Araguaia. Foi testemunha e também a protagonista de alguns dos momentos mais dramáticos de sua história.

Ficou sob a mira de metralhadoras, foi interrogada e fichada pelo
Delegacia de Ordem Política e Social (Dops). "Os militares queriam
que admitíssemos uma ligação com a guerrilha do Araguaia. Mas não sabíamos nada disso, pois a guerrilha acontecia no Araguaia, mas centenas de quilômetros ao norte", relata a freira. "Só que, para eles, era como se a Prelazia fosse vizinha do conflito".

Segundo ela, foram muitos os sermões sob a supervisão de soldados armados. Mas a primeira a sofrer restrições foi escola mantida pela Prelazia. "Diziam que nós politizávamos demais os alunos. Então apareciam de surpresa, armados, em busca de evidências de subversão. Nunca encontraram qualquer coisa".

Uma dessas evidências seria uma rádio clandestina com a qual a ditadura acreditava serem feitos os contatos entre o grupo de Casaldáliga e a guerrilha. "Vasculharam a caixa-dágua, reviraram tudo, invadiram a sala dos professores. Até o meu piano ficou sob
suspeita".

Em um destes episódios, quando ocorreu a prisão dos agentes pastorais, ela conta ter ficado sob a mira de quatro soldados armados com metralhadoras. "Naquele dia eu tive muito medo. Mas minha única reação foi oferecer a eles um café", sorri.

Os agentes da repressão também queriam saber detalhes sobre o
processo de alfabetização de adultos. É que a palavra que inaugurava os estudos era MATA, em alusão às áreas de floresta em que a maioria trabalhava. "Era uma palavra de estrutura simples e integrada à realidade dos alunos. Para a ditadura, no entanto, estávamos é ordenando que eles matassem alguém".

Se recuperando de uma isquemia cerebral que lhe deixou limitados os movimentos, Tia Irene, como é mais conhecida, deixou a "linha de frente" há 14 anos. Desde então ela se dedica a ordenar as dezenas de milhares de documentos, cartas, estudos e recortes de jornal que compõem o arquivo da Prelazia - ver matéria.

Sobre a aposentadoria de Casaldáliga, e a chegada de um novo bispo, ela diz confiar em Deus. "Não vou negar que tenho uma grande preocupação quanto a este momento", admite Tia Irene. "Mas entrego tudo às mãos de Deus. Afinal de contas, foi ele quem criou esta Prelazia".

Mulher acha melhor ver o padre Marcelo na televisão

O rapaz aparenta ter menos de 18 anos e acaba de saber o tema da reportagem. Logo afirma: "O povo comenta por aí que São Félix não vai para a frente por causa dele. Essa história da hidrovia, por exemplo, ele é que fez a cabeça do pessoal", afirma.

Um senhor, quarenta e cinco anos, empresário vindo de Goiânia há menos de dois anos, acha que o bispo perdeu o "momento". "Ele ficou ultrapassado porque é muito rígido. Minha mulher mesmo não vai às missas dele. Prefere ver o padre Marcelo na tevê".

Para a irmã Irene Franceschini, são tão velhas quanto infundadas as alegações de Casaldáliga faça apologia do atraso. "A verdade é que, se não houvesse a Prelazia, acho que São Félix nem existiria mais", diz Irene.

Segundo ela, o fato de a cidade não estar situada em um ponto de passagem rodoviária é um dos motivos concretos da estagnação. "São Félix é o fim da linha. É por isso que outros povoados cresceram mais: são caminho para o Pará".

A falta de indústrias, com uma processadora de polpa de frutas que se instalou recentemente na região, também ajudar a compreender o processo. "O fato é que sempre trabalhamos com o povo. E com ele criamos um jeito novo de fazer e de ser igreja. E isso cria muitas inimizades".

Rodrigo Vargas


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Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.