Em 2005, o bloco pretende trazer Chico Buarque ao Amapá

Uma explosão de gêneros, raças, cores e sons inundou as principais ruas de Macapá na terça-feira, 24, onde se concentraram milhares de foliões tomados pela animação de pelo menos doze trios elétricos. Foi mais uma apresentação de “A Banda”, um bloco que já tem nada menos do que 39 anos de tradição, saindo sempre na terça-feira gorda de carnaval.

Em meio a profusão de osamas bin laden, sadams russein, georges bush e lulas, o que imperou mesmo foram travestis, gays, drags queens e homens, extravasando a fantasia de ser mulher: noivinhas de branco, freirinhas em uniformes pretos com babados e rendinhas, tigresas, peruas em patins, medusas, oncinhas, prostitutas futuristas... Todas ao ritmo de samba, forró, axé e em meio ao exagero dos "blushes", "pancakes" e batons de todas as cores e tendências, sem falar nos cílios postiços, nas sandálias de plataforma e nas perucas, a maioria surrupiadas dos guarda-roupas femininos.

Não faltaram travestis que ousaram o topless. Hormônio ou silicone? Não importa. "Estamos botando pra quebrar", gritavam a maquiadora Joice Carrado, 25 anos, e a cabeleireira Ohana de Levistein, 22. Os nomes, claro, são pseudônimos que caracterizam suas personagens. Entre uma investida e outra por entre os trios elétricos, lá iam elas, em busca dos seus trinta segundos de fama. “É o nosso jeito de mostrar que também somos sucesso”.

"Me abraça me beija, me chama de meu amor", passa cantando "Ricardo", 35, comerciante, fantasiado de prostituta. "O que vier é lucro", gritava ele, dizendo-se livre da aliança de casamento. "Sou a branca maluca desorientada", resumia Júlio, 30, cuja rotina se trava mesmo é entre blocos cirúrgicos e enfermarias, mas na Banda encarnou uma noivinha pouco desinibida.

Sem se fazer de rogado, o autônomo Manoel dos Reis, 41, meteu uma transada fantasia de cigana grávida, pintou a cara e botou o bloco na rua. Há 20 anos ele sai na Banda. "Hoje estou brincando de cigana", diz ele, perguntando à toda hora a direção da “Farmácia”, a carroça tradicional que distribuiu gratuitamente 425 litros de “batida de maracujá”- mistura de cachaça e suco da fruta. Para os mais afoitos, que teimam em atrapalhar a carroça ou as bonecas, tem a “morte lenta”, uma mistura elaborada por um químico com ingredientes não revelados, que em 15 minutos deixa a nocaute qualquer encrenqueiro. Outros amigos acompanhavam o autônomo na folia. O sobrinho Eduardo Valério, 28, laboratorista, com um exótico vestido de noite, é um deles.

Há também recato entre os foliões da Banda. Gertrudes dos Santos, 72, moradora da Feliciano Coelho, se empoleirava sobre uma mureta para ver as “marmotas”, como ela define. "De vez em quando eu também dou uma puladinha", brinca. Evandro de Araújo e a mulher Márcia comemoram o encontro na Banda há cinco anos. No colo, Guilherme, de 4 anos, o resultado do amor folião, que pelo menos desta vez, teve final feliz.

N’A Banda, tradição combina com folia, irreverência rima com gandaia e santo de casa faz milagre, sim. Quem duvida de qualquer dessas coisas não conhece o bloco (o maior da Região Norte), que provou mais uma vez, pelas ruas mais antigas da cidade de São José de Macapá, que a tradição está mais viva do que nunca. O mais incrível na Banda é que durante as quase quatro décadas da farmácia, das bonecas gigantes e das marchinhas tradicionais de carnaval, sempre vem promovendo um milagre: o da multiplicação dos foliões. Homens e mulheres, jovens e idosos, pais e filhos se juntaram mais uma vez para formar uma massa de mais de 70 mil pessoas, de acordo com a organização, que depois de inundar as ruas a reboque dos trios elétricos se represou na Praça da Bandeira e escoou para a praça Beira Rio.

Tudo ao som dos mais variados ritmos, ao sabor de cerveja e de “duelo” temperado pela coqueluche deste ano: o "lança espuma", um spray espumante que deixou muita gente de cabelo branco. Para compensar o banho de espuma, banho de mangueira, esse patrocinado pelo Corpo de Bombeiros, para a alegria da multidão suada. E para provar que a festa não tem idade, mesmo aqueles que não se arriscaram no meio da “muvuca” tiraram sua casquinha. "A Banda devia sair três vezes por ano", dizia dona Yolanda, 75 anos. Ela afirma que faça chuva ou faça sol, sai na varanda de casa na rua Leopoldo Machado e fica horas, junto com o marido Edmilson, 76, vendo toda a movimentação dos foliões.

No ano que vem tem mais. A festa da então quarentona promete quebrar todos os recordes. De acordo com José Figueiredo de Souza, o “Savino’, a Banda terá nada mais, nada menos do que a presença do compositor Chico Buarque de Hollanda, cuja música deu origem ao nome do bloco na década de sessenta.


Doce Amazônia

Doces e licores
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Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
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Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Matinta-perêra
Mulher velha que percorre distâncias à noite. Se afasta se alguém disser que lhe dará um pedaço de rolo de fumo. De manha ela vai buscar.
Cuíra
Diz-se de inquieto, ansioso,impaciente. Daquele que não agüenta a espera de alguma coisa que vai acontecer
Titica
Cipó muito usado para a fabricação de móveis. Chegou à beira da extinção.
Perau
Lugar perigoso do rio. Parte mais funda, onde o rio "não dá pé".
Timbó
Um tipo de veneno usado para matar peixes. Bate-se a planta na água, e o veneno se espalha. sem contrôle, mata.
Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.