Emprego no extrativismo da borracha
cresce 970% em quatro anos

Estudo revela que produção de borracha do Acre passou de 902
toneladas em 1998 para 3,7 mil toneladas no ano passado.

A borracha natural, que até o início da década de 80 foi o principal sustentáculo da economia do Acre, volta a ocupar lugar de destaque no cenário da produção do estado após quase duas décadas do acentuado declínio.

Segundo estudo estatístico divulgado ontem pela Secretaria Executiva de Floresta e Extrativismo, a produção acreana de borracha deverá chegar este ano na casa das quatro mil toneladas, o que representa um aumento de 443,4% em relação às 902 toneladas produzidas no ano de 1998. A se confirmar essa estimativa, a produção desse ano já vai representar 40% das 10 mil toneladas produzidas pelo Acre em 1984, ano em que o estado liderou o ranking nacional dessa matéria-prima.

O aumento da produção se deve particularmente ao estímulo que o atual governo do estado, em parceria com o governo federal, vem dando ao setor através da política de subsídio de preços aos produtores e da política de organização da cadeia produtiva, que começa no produtor e vai até o comprador final do produto.
Segundo o chefe do Departamento de Extrativismo da Secretaria, Mário Jorge Fadell, a política de subsídios do governo Jorge Viana para a borracha elevou seu preço de compra junto ao seringueiro de R$ 0,40 por quilo para R$ 1,40 esse ano.

"Isso fez com que os seringueiros, que deixaram de produzir borracha a partir de 1998, voltassem a produzi-la em maior escala nos últimos três anos", disse Mário Fadell. Até agora, de acordo com o técnico, mais de mil famílias de ex-seringueiros (cerca de cinco mil pessoas) deixaram as periferias das cidades acreanas e retornaram aos seringais para produzir borracha.

Pelo levantamento da Secretaria, a produção de borracha estimada para este ano já envolve um contingente de 6.667 famílias de seringueiros, o que representa aumento de 443,5% em relação ao contingente de 1.503 famílias empregadas em 1998, último ano da administração anterior. No ano passado, o número de famílias envolvidas com a produção de 3,7 mil toneladas de borracha foi de 6.260. Em 2000, 4.717 famílias foram responsáveis pela produção de 2,8 mil toneladas. E, em 1999, 2.087 famílias produziram 1,25 mil toneladas.
Em termos de ocupação produtiva, o levantamento da Secretaria de Floresta e Extrativismo demonstrou que a borracha está empregando este ano o total 16.500 pessoas, entre produtores (seringueiros) e os trabalhadores das usinas de beneficiamento e dos entrepostos de comercialização. Esse contingente significa um aumento de 970% na oferta de emprego no setor quando comparado com a ocupação gerada em 1998, que foi de apenas 1.700 pessoas. No ano passado, o setor empregou 12.800 pessoas; em 2000, a ocupação foi de 8.700 pessoas; e em 1999, no primeiro ano da atual administração, começou com 4.000
pessoas.

O aumento da produção de borracha e o crescimento do número de empregos que ele acarretou nos últimos anos ocorreram principalmente por causa da política de subvenção financeira instituída pelo governo Jorge Viana para o setor. Em seu primeiro ato como governador, tão logo assumiu o cargo, Jorge Viana sancionou a lei de autoria do Executivo que criou o subsídio estadual para a borracha e foi fixado em R$ 0,40 por quilo produzido pelos seringueiros.

Senadores - O incentivo de preços concedido ao produtor pelo governo estadual foi reforçado com a entrada em vigor do subsídio federal, instituído no valor de R$ 0,90 por quilo pago a todo comprador da borracha na Amazônia. A criação do subsídio do governo federal foi uma conquista política da senadora Marina Silva (PT-AC), que, a partir de 1999, passou a contar com a força política do senador Tião Viana (PT-AC), eleito no ano anterior. Juntos, os dois senadores consolidaram o subsídio do governo federal, que também foi fundamental para a recuperação do mercado de borracha do Acre.

Assim é que, a partir de 1999, foram carreados para o setor subsídios da ordem de R$ 323,2 mil, sendo R$ 305,2 mil pelo governo do estado e R$ 18 mil pelo governo federal (Ministério da Agricultura). Em 2000, o subsídio total subiu para R$ 2,4 milhões. No ano passado, chegou a R$ 3 milhões e este ano, até 30 de julho passado, já haviam sido liberados R$ 3 milhões e 96 mil. O volume de recursos concedido pelo subsídio no ano passado representou um aumento de 958,5% em relação ao total de recursos repassados no primeiro ano da atual administração.

Comercialização - O aumento da produção de borracha e o crescimento do emprego no setor, segundo Mário Fadell, vieram acompanhados de uma política arrojada adotada pelo atual governo no apoio à comercialização do produto. Além de investir na organização dos trabalhadores seringueiros, no crescimento das cooperativas de produção e na implantação de tecnologia que permitiu a melhoria da qualidade e produtividade da borracha, a atual administração também garantiu a presença de compradores no estado. Hoje, 50% da borracha estão sendo compradas pela multinacional italiana Pirelli e os outros 50% por pequenas indústrias de artefatos de São Paulo.

Segundo Mário Fadell, a Pirelli já demonstrou interesse em comprar toda a borracha que for produzida no estado, mas isso só será possível depois que todas as usinas de beneficiamento aqui instaladas atingirem o padrão de primeira linha exigido pela empresa. Em homenagem ao ex-sindicalista Chico Mendes, que perdeu a vida por lutar pela preservação dos seringais acreanos, a Pirelli lançou no ano passado no mercado nacional o pneu Xapuri, um produto destinado a veículos utilitários que ela exibe como fruto da sustentabilidade da floresta acreana "A partir da melhoria do padrão de qualidade das usinas locais, toda a borracha produzida no Acre terá total garantia de mercado comprador", completou Fadell.

Recuperação - O secretário de Planejamento do estado, Gilberto
Siqueira, informou que a completa recuperação do mercado da borracha no Acre será garantida dentro de pouco tempo. "A borracha é mais um setor da economia acreana que vem sendo fortalecido nos últimos anos.
Junto com outros produtos da economia florestal do estado, a borracha tem contribuído para o aumento do número de empregos e para a geração de renda de nossa região", ressaltou o secretário.

Segundo ele, num segundo governo, o governador Jorge Viana vai
continuar priorizando o mercado produtor de borracha, que será mais um produto que os povos da floresta (seringueiros, índios,
ribeirinhos e outros segmentos da população regional) contarão para melhorar ainda mais suas condições de vida.

Borracha volta a ocupar posição de destaque

Mesmo tendo entrado em decadência a partir do meio da década de 80, a borracha até hoje continua sendo o símbolo maior da economia acreana.
Afinal, junto com a castanha, foi ela que garantiu, desde a segunda metade do século XIX, a ocupação e a exploração racional da floresta do estado.

Foi pela borracha, por exemplo, que o Acre entrou numa revolução armada que está completando 100 anos este ano. Foi através dela, também, que o estado alcançou posição de destaque na economia brasileira no início da década do século passado, quando essa matéria-prima, extraída da imponente seringueira, representou o segundo produto da pauta de exportação do país. Nessa época, a borracha extraída principalmente dos seringais acreanos gerou recursos para ajudar no crescimento de grandes cidades do Sul do país, como São Paulo, Rio de Janeiro e outras.

Foi ainda a borracha extraída pelos seringueiros guardiões da
floresta que, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudou na oferta de matéria-prima destinada à fabricação dos artefatos militares que permitiram os países aliados derrubar o império nazista de Adolf Hittler.

Sensibilizado não só pelo papel que a borracha desempenhou na
formação histórica do Acre, o governo atual procurou garantir a sua recuperação porque sabe que muitos segmentos da população do estado ainda dependem dela para sobreviver. São milhares de homens e mulheres que dela tiravam o seu sustento e que, após o declínio do setor, tiveram de ir morar nas periferias pobres das principais cidades do estado.

São estes mesmos homens e mulheres que ficaram sem ter o que fazer nos seringais ou foram sobreviver de subempregos nas cidades. Mas agora retornam aos seringais para produzir borracha e melhorar de vida a partir da recuperação de matéria-prima regional. Com isso, permitiram que ocorresse no Acre o fenômeno da inversão do êxodo rural, fato inédito na história contemporânea do país, onde as cidades estão cada vez mais inchadas e o meio rural cada vez mais esvaziado.

O retorno de milhares de ex-seringueiros para produzir na floresta
está garantido não só pela retomada do mercado da borracha, mas pela opção adotada pelo atual governo de fortalecer a economia agloflorestal do estado, incentivando também o aumento da produção de castanha, de guaraná, de farinha, de palmito, de essências florestais, de produtos fitoterápicos e de outras riquezas que estão sendo descobertas na floresta acreana.

O aumento da produção de borracha e do número de empregos que ela está ocasionando no meio rural acreano, agora revelados no levantamento da Secretaria de Floresta e Extrativismo, podem ser considerados também um marco comemorativo dos 100 anos da Revolução Acreana, protagonizada no início do século passado pelos seringueiros.


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Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.