Patrícia Bastos lança o CD Pólvora & Fogo
- o primeiro de sua carreira


Quem acompanha a produção musical amapaense já conhece, há pelo menos 10 anos, o talento da cantora Patrícia Bastos. Dona de uma das mais belas vozes da Amazônia, Patrícia nasceu em Macapá - neste ponto singular eqüidistante entre os trópicos. Ao nascer, antes mesmo de ver a luz do sol equatorial, ouviu o solfejo de uma canção de ninar emitido pela voz da mãe Oneide Bastos. Estava, naqueles primeiros minutos de vida, traçado o destino de quem nascera naturalmente para cantar. “Desde menina, quando minha mãe junto com meu pai se reunia com alguns amigos músicos numa rodada de samba ou numa simples seresta, eu sempre estava por perto atraída pela magia da música”, relembra, com um brilho nos olhos, a nossa Patrícia Bastos. Ela que, nesta sexta-feira, no Teatro das Bacabeiras, a partir das 21h, com uma gama de bons músicos e produção arrrojada, faz o show de lançamento do CD “Pólvora & Fogo” - o primeiro de sua carreira. Amanhã, às 23h, o espetáculo acontece no Ceta Ecotel, no distrito da Fazendinha.

Patrícia fez a coisa certa. Esperou a árvore fincar suas raízes na terra, se desenvolver, florescer e, quando chega enfim a propícia estação, realiza a colheita levando ao banquete o mais apetitoso fruto. A propósito, o CD tem canções tão lindas que - como diria o Jorge Mautner - até dá vontade de comê-las! “Pólvora & Fogo” é só o nome de uma delas (e que canção!) composta pelo Zé Miguel. Foi eleita para o título porque todo o disco apresenta uma ligeira tendência pop. Mas é um trabalho contemporâneo de música popular, onde desfilam também outros talentos da música tucuju como Osmar Júnior, Cléverson Baía, Enrico Di Micelli, Val Milhomem e Finéias. Na capa, Patrícia está em chamas e muito bem intencionada: “é o fogo da paixão de cantar a música que vem sendo feita no coração da floresta”. A verdadeira música de um outro Brasil. Esse Brasil amazônico que o Brazil não conhece.

A trajetória da artista amapaense
Patrícia Bastos começou sua formação vocal no Coral Vozes do Amapá e a formação musical erudita no Conservatório Walkíria Lima. Aos 17 anos passou a fazer aparições iniciais no estilo “violão e voz”, cantando MPB ao lado de Zé Miguel, Osmar Júnior e Vanildo Leal, entre outros. Foi vocalista principal da Banda Brind’s durante quatro anos, quando iniciou carreira solo e começou o projeto de gravação do primeiro CD. Participou de oficinas de canto ministradas pelas professoras Marina Monarca, Joana Cristina e Francine Lobo. Fez vários shows individuais com o projeto Patrícia Bastos e Banda, mostrando a versatilidade nos diversos estilos. Abordou o lado moderno da nova MPB, assim como ajudou a valorizar a música regional, sendo sempre bem aceita pelo público e crítica, em casas como China Town e Carinhoso. Em 1997 ganhou o I Festival Amapaense da Canção (Femac), com a música “Bárbaro Soneto”, de Ademir Pedrosa e Enrico Di Micelli. Em 2000 vence o Festival Internacional de Goiás (III Fest Sinhá), com a música “Valsa de Ciranda”, de Aroldo Pedrosa, Enrico Di Micelli, Helder Brandão, Aldo Gatinho e Joel Elias. Em 2001 conquista o prêmio de melhor intérprete do Festival de Tatuí - evento de maior prestígio de São Paulo - com a mesma música, onde arrancou elogios de Ana de Hollanda, Théo de Barros, Osmar Barutti e Alceu Valença, sendo qualificada como “voz de anjo”. Classificada para a final do 1º Circuito Paulista de Festivais, que reuniu os três primeiros lugares dos quatro mais importantes festivais paulistas, realizado em outubro do mesmo ano, no Theatro São Pedro, em São Paulo (capital), junto com Renato Motha, João Linhares, Rafael Altério e Bilora - compositores da nova MPB e que a batizaram de “Ave Cantadeira”.

Em seguida, o projeto do CD tornou-se uma realidade, após uma seleção criteriosa do repertório, valorizando os compositores amapaenses. O projeto começou em Macapá, através do músico e arranjador Edilson Dutra, continuado com o apoio do professor arranjador e instrumentista Aluísio Laurindo Júnior, gravado no Estúdio Polifonia (J. Quest), em Belo Horizonte, com Perón Rarez. Participaram da gravação do CD músicos consagrados que formam parte das bandas Skank e J. Quest, além de instrumentistas que já gravaram com figuras da importância de Milton Nascimento, Flávio Venturini e Lô Borges. A qualidade da interpretação de Patrícia foi novamente super comentada e solicitado o lançamento do CD na capital mineira. Este ano, Patrícia participou e conseguiu premiações no V Femac, na II Bienal Internacional de Música de Belém (PA), no Festival de Boa Esperança (MG), e no consagrado FEMP, em São José do Rio Pardo (SP), com a música “Ave Madrugada”, dos compositores Enrico Di Micelli e Leandro Dias, classificando a música para a finalíssima, dentre 1200 canções inscritas do País inteiro, empatando na categoria melhor intérprete, com o compositor e cantor cearense Eudes Fraga. O evento rendeu maior conhecimento para a cantora, que conquistou novos elogios, de músicos como Lula Barbosa, Ivo Lancelotti, Sérgio Augusto e Fabrício dos Anjos, e críticos como Sinésio Ximenes Júnior e Toninho Spessoto - este último crítico da MTV, que classificou o CD “Pólvora & Fogo” simplesmente como “primoroso”.

Serviço

Ingresso - para cada apresentação: R$ 10,00
CD “Pólvora & Fogo” - Patrícia Bastos: R$ 20,00

Patrícia Bastos, a sabiá da planície

Quando Caetano fez “Sou seu sabiá”, que a cantora Marisa Monte gravou usando o pronome no feminino, a canção tocou Patrícia Bastos. Lembro que ela vivia cantarolando quando nos preparávamos para ir ao Festival de Goiás, em outubro de 2000.
Aliás, antes mesmo da canção, Patrícia já era a sabiá da planície.
Em Valsa de Ciranda, ao compor o verso “música de pássaros da Amazônia”, imaginava o timbre cristalino dela fazendo soar cada sílaba.
E fomos a Itumbiara.
Oito mil pessoas lotavam o Ginásio Arco Íris.
No palco, um naipe de cordas, um toque sutil de piano e a percussão amazônica de Davi, o camaleão. Geandra - a bailarina - incorporava a musa Ciranda. No violão, Aluísio Laurindo Júnior, autor do arranjo, e no ar a voz em soprano da cantora maior da floresta. Emoção à flor da pele. Vencemos o III Fest Sinhá.
Depois foi a vez de São Paulo. Tatuí, a capital da música, o verdadeiro destino.

Teatro Procópio Ferreira e uma orquestra sinfônica de quase 50 músicos. No júri, entre outras estrelas, o maestro Osmar Barutti, o compositor Théo de Barros e as cantoras Célia Cruz e Ana de Hollanda.

“Um anjo de Deus quando dança / a valsa ‘O Danúbio Azul’ / a ópera de Maria Callas / a poesia de Florbela Espanca / o canto de Bidu Sayão...”, ouvia-se a voz mágica e precisa de Patrícia Bastos.

Silêncio na platéia. Último acorde. E o Teatro veio abaixo.
Barutti, nos bastidores, quis saber “quem é o anjo”? Célia e Ana (a irmã do Chico Buarque): “que perfeição!”.

Valsa de Ciranda conquista o quarto lugar, e Patrícia, ovacionada, o prêmio de melhor intérprete do X Festival de MPB de Tatuí - 2001.

Em meio àquele céu cintilante, sinceramente, alguma coisa acontecia no meu coração.


Aroldo Pedrosa
compositor

Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
Deliciosos,
Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433


Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.