Afap dá nome de Chaguinha
ao novo espaço cultural

Macapá tem uma nova galeria de arte. O Espaço Cultural Francisco Chaguinha, foi inaugurado ontem no hall da Agência de Fomento do Amapá (AFAP), na Cândido Mendes, Centro, com a exposição Encantos/ Pigmentos Minerais. As obras do artista amapaense Pantaleão, telas e esculturas, são uma representação genuína dos produtos da biodiversidade regional. As telas expostas são trabalhadas em terra, argila e areia. Para a fixação o artista utiliza a resina da gurijuba e o leite do amapazeiro. O resultado é um belíssimo trabalho que retrata de forma excepcional a vida cabocla do amapaense.

Sávio Perez, presidente da AFAP, diz que a idéia da galeria surgiu da vontade de homenagear aquele que ele chama de grande empreendedor popular dentro do Amapá, Francisco Chaguinha. "Ele, tal qual a AFAP, pensou numa sociedade democrática, uma sociedade justa, fraterna e solidária. Nada mais justo do que homenagearmos essa grande figura do Amapá, o Chaguinha".

A primeira-dama e secretária de Estado, Janete Capiberibe, acha a iniciativa da diretoria da AFAP muito boa e acredita no sucesso desta primeira exposição e das muitas que virão. "Essa primeira vernissage é só o começo, logo outros artistas vão utilizar esse espaço. Muito bonito esse trabalho com terra de todas as cores e usando como aglutinante o grude da gurijuba e o leite do amapazeiro, tudo da terra. Além disso, a criação do Espaço Cultural Francisco Chaguinha muito nos honra, porque o Chaguinha era um vendedor de sonhos. Ver sua fotografia estampada em um órgão do governo é um orgulho. É uma iniciativa louvável".

Pantaleão falou que para essa exposição ele fez uma pesquisa que resultou em arte plástica. "Eu passei a pintar telas e a pigmentar minhas esculturas. É um trabalho que retrata basicamente o nosso caboclo, a vida ribeirinha do Estado. As esculturas são de material expressivo, arrecadados no meio ambiente. Na verdade é um resgate ecológico dessas sucatas que são transformadas em esculturas, ganhando toda essa plasticidade".

CHAGUINHA

Francisco das Chagas Bezerra, segundo história contada por Paulo Tarso Barros, da União Brasileira de Escritores (UBE), nasceu em Quixadá, no Estado do Ceará em 1907 e desembarcou em 1951, na época do governo de Janary Nunes. Chaguinha, como era conhecido por todos, defendia idéias socialistas numa época que o Amapá era uma região dominada por militares obcecados pela segurança nacional e incumbidos de defender os ideais do Golpe de 64. Recusou trabalhar no serviço público para não ter que abdicar das suas convicções. Desta forma, ele viveu e suportou o ônus de ser um trabalhador autônomo, um batalhador incansável pela sobrevivência.

Chaguinha, mesmo não tendo condições ou oportunidade de freqüentar uma escola, trazia consigo uma privilegiada inteligência e uma invejável capacidade de discernimento. Leu muitos livros, conversava bastante e sabia refletir sobre o seu assunto predileto: a política. Com isso amealhou incontáveis amigos e seguidores de seus ideais. Foi preso, discriminado, difamado – no tempo em que assumir a ideologia comunista era correr o risco de perder a vida.

Para aqueles que o conheceram ficou a lição: um homem nem sempre necessita de poder, estudos, fortuna ou fama para ser tornar respeitado. Às vezes, só precisa ser coerente, digno, honesto e simples. Essas palavras foram ditas por Paulo de Tarso em homenagem a Chaguinha, por ocasião de sua morte em 23 de setembro de 1998.

Encantos/Pigmentos Minerais estará em exposição até o dia 22 de fevereiro e poderá ser visitada no horário normal de expediente da agência. Vale a pena conferir e quem sabe adquirir uma obra de arte de um artista genuinamente amapaense.


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Jurupary
Ente do mal. Demônio dos olhos de fogo que vive na floresta
Piracema
Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.