Deputada maranhense mostra dados
do crescimento da fortuna dos Sarney

A deputada estadual Helena Helluy, do PT do Maranhão disse que a candidatura da governadora Roseana Sarney à Presidência da República vai tornar realidade um sonho que acalenta há muito tempo: chamar a atenção do Brasil para a verdade sobre o Maranhão. No final da semana passada ela fez um discurso na Assembléia Legislativa do Estado analisando os acontecimentos. O teor do discurso da deputada você lê à aseguir:

Senhor presidente,
Senhoras deputadas,

Senhores deputados,

Senhores e senhoras da galeria

Companheiros da imprensa.

O deputado Joaquim Haickel me perguntava sobre o que eu iria falar. Respondi-lhe: "sobre o momento presente, em tempos de clone".

A pré-candidatura da senhora governadora Roseana Sarney já apresenta frutos e até ouço dizer que apresenta bons frutos. O Brasil está desvelando o Maranhão. Eu que, no ano passado, lamentava aqui desta tribuna que os fatos ocorridos em nosso estado não ultrapassavam o rio Parnaíba, vejo, agora, as revistas nacionais, a grande imprensa, o sul, o sudeste e as demais regiões conhecendo – ou se interessando por conhecer - efetivamente, o Maranhão.

E eu me permiti, senhor presidente, me inscrever, neste grande expediente, logo no início de nossas atividades, para fazer alguns registros. E os faço de forma bem tranqüila e procurando não mais do que suscitar o debate, o debate sério, o exercício do direito de crítica e, sobretudo, numa perspectiva e numa linha de formação, também, de opinião, dentro desta Casa e fora dela.

Gostaria de iniciar ressaltando, de logo, que parte da imprensa brasileira e, até mesmo, políticos democratas e progressistas se equivocam quando avaliam a pretensa candidatura da governadora Roseana Sarney à presidência da República, como se fora uma mera invenção dos homens que estão a sua volta, como se ela, mulher, não tivesse ciência de suas potencialidades e de seu próprio papel, enquanto representante de uma classe social - no caso, a classe dominante, mesmo que ela própria insista, por vezes, em razão de sua mídia, em tentar afastar-se dessa circunstância, bem como de seu próprio pai.

Não raro, irrompem denúncias contra o gerente de Planejamento de seu governo que, por sinal, é seu marido. Denúncias contra seu pai, denúncias contra seus assessores. Mas ela, a chefe do Poder Executivo, há mais de 7 anos, é apresentada como se fosse um produto de fora dessa trama política que envolve o Maranhão, há exatos 36 anos. É como se nada houvesse em toda essa história com a sua pessoa, com suas ações, com sua prática administrativa.

Como bem salienta a médica maranhense Fátima Oliveira, em bem elaborado ensaio, intitulado " Em nome do pai ... e do clã", Roseana Sarney "foi ungida por ele para ser a grande política do clã... Mulher que entra na política tendo como base ancestral, especificamente o patriarca, vai a qualquer canto ‘em nome do pai’ e do clã. A força que a move tem origem nas decorrências da opressão de gênero na vida familiar. Quem sabe o que é isso reconhece que pode destruir montanhas. Além do que, no caso em tela, há o reforço do patriarca que, mesmo no outono da vida, ainda é um ‘maribondo de fogo’ e conhece, como poucos, o "Norte das Águas’... Tudo junto representa uma força política considerável".

Pois bem. O que trago à baila é o desnudamento do que a governadora Sarney e seus marqueteiros tentam vender ao povo brasileiro, isto é, a marca de seu governo e o "fenômeno Roseana". Ainda recorrendo a doutora Fátima Oliveira, a governadora Roseana Sarney não pode ser "simplesmente Roseana", como tenta, exaustivamente. Sempre foi, e ainda é, Roseana Sarney, pois não rompeu com seu grupo político e social, não fez rupturas com as práticas desse grupo e não chegou ao poder em esquema de mérito pessoal e de propostas avançadas, em sintonia com demandas e reivindicações das causas populares e dos movimentos sociais - dentre eles, o de mulheres.

Ela é uma mulher das classes dominantes, que jamais traiu a sua classe e é improvável que o faça agora, pois sempre esteve a seu serviço. Não podemos culpá-la sozinha pelo fato de o Maranhão ser o menor PIB do país, mas chegamos onde estamos com a contribuição decisiva de mais de três décadas sob a batuta, sob a tutela sarneysiana. É inegável que é uma oligarquia que se mostra pintada de modernidade, cuja riqueza é avaliada, hoje, em R$125 milhões de reais e não seria oriunda dos antigos latifúndios, mas, oficialmente, vem de parques gráficos e de outros meios de comunicação sob o controle da família, após, exatamente, a ascensão de José Sarney ao governo do Estado, em 31 de janeiro de 1966, até então, um jovem político pobre.

A propósito, eis como se referia, em setembro de 1965, um grande empresário maranhense ao seu colega e amigo Edson Queiroz, no Ceará, em carta amarelada pelo tempo.

Dizia, então, o missivista a Edson Queiroz - tenho a carta em mãos, uma xerox antiga:

"Estou mandando aí o meu filho ..., para pleitear junto ao amigo uma ajuda para a candidatura José Sarney, já a esta altura tranquilamente eleito, segundo prognóstico geral, com larga maioria. É natural que este pedido é feito tendo em vista os seus interesses atuais nêste Estado e outros que poderão advir, em outros setores, e para os quais você terá, indubitavelmente, a melhor acolhida por parte do já Governador José Sarney.

"Para você ter uma idéia do estado de pobreza do nosso candidato, basta dizer que a sua declaração de bens foi a seguinte:

Patrimônio .............. Cr$ 13.000.000

menos dívidas ......... " 9.000.000

Saldo positivo ......... Cr$ 4.000,000

assim mesmo já incluindo nesse patrimônio parte de uma herança com que foi beneficiado por morte recente do seu sogro Dr. Carlos Macieira.

Estávamos em 1965 e atentemos para a reforma da moeda, logo em 1966. E, de lá para cá, quantos zeros foram cortados do nosso cruzeiro até virar o real...

Mas a questão central é que a senhora Roseana Sarney foi vendida, através da mídia, como se fora uma pessoa discriminada, mesmo sendo governadora por duas vezes. E, infeliz e equivocadamente, muitos políticos, cientistas políticos e a imprensa machista - no caso da imprensa, pode até ter sido propositadamente - consideraram tudo como "coisa de mulher" e, consciente ou inconscientemente, foram legitimando a estratégia política da governadora Sarney.

Mas, por iniciativa de parte da imprensa, a exemplo do matutino JORNAL PEQUENO, intelectuais e militantes, via Internet, corroboraram para que o mito dessa mulher universal fosse superado. A antropóloga Myreia Suaréz assinala, "apenas as mulheres compartilham a opressão de gênero, assim como negros e indígenas têm em comum a opressão racial/étnica". O que faz toda a diferença. A solidariedade de gênero não está acima das classes sociais e não suplanta outras questões que se relacionam no delineamento da condição de mulher. Quero dizer, Roseana não representa o conjunto das mulheres no Maranhão. Em outras palavras: não basta ser mulher, é preciso ter compromisso. Como assevera, ainda, a doutora Fátima Oliveira, que também é integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher:

"E quando aparece, lépida e fagueira, belamente ‘quase zen’, empunhando bandeiras das quais se omitiu quando era ‘primeira filha’ – mulher poderosa no governo Sarney; deputada federal e em seus dois mandatos de governadora, enfim durante toda a vida, apenas explicita que é perspicaz o bastante, muito mais que as velhas raposas da política, para ter compreendido que há, vincado na sociedade brasileira, o sentimento, ainda que difuso, de que as mulheres têm direitos e que a luta feminista em nosso pais nos últimos 30 anos foi capaz de mudar substancialmente a cultura e evidenciar que as demandas e a condição femininas podem tocar corações e mentes e fazer toda a diferença em meio ao mar de lama em que os ‘cabras machos’ jogaram a política!".

Porém, não passa de perspicácia para ampliar o velho poder de seu grupo político - desta feita, em âmbito nacional, ou alcançar o desejo de voltar para casa, o palácio do Planalto e lavar a honra do pai, que saiu de lá "em baixa", o que não será confundido com o desejo das mulheres, ou que se trate de pleitos das brasileiras, pois não representa uma "candidatura das mulheres".

Vamos mais adiante.

A governadora, em duas gestões - e isto somente a propósito de mulher - sequer, elaborou um plano maranhense de atenção à mulher e nem mesmo instalou o Conselho Estadual da Mulher. Não há, em nosso Estado, uma proposta governamental para enfrentamento da opressão de gênero. Quero dizer, durante dois mandatos, "esqueceu" de fazer uma lição de casa fundamental: elaborar e implementar políticas públicas com enfoque de gênero. Ao contrário, a governadora Sarney teve mais de 7 anos de governo para fazer isso e não quis fazer. É deplorável que, agora, se utilize, demagogicamente, de sua condição de mulher e tente usurpar o patrimônio de tantas lutas da quais se omitiu. Só para completar, sequer, teve tempo, disposição, disponibilidade para receber, pessoalmente, ao longo desses anos, as mulheres trabalhadoras e suas reivindicações. Não recebeu o Grupo de Mulheres da Ilha de São Luís, não recebeu a Pastoral da Mulher, não recebeu as Quebradeiras de Coco, não recebeu, enfim, aquelas que pensam, que agem, que interpelam, questionam e reivindicam.

Em verdade, Roseana é a mulher cuja história de vida desnuda o que ela é, agregada à visão de mundo que tem. Não pode ser moderna uma proposta de governo com a "grif" do PFL, com toda a sua história e seu ideal liberal velho, arcaico, carcomido, parceiro fiel da implementação do receituário neoliberal, neoliberal selvagem, que considera população supérflua as legiões de desprovidos de cidadania que ele mesmo cria. A retórica da senhora governadora é incompatível, portanto, com os princípios e a prática de seu partido e não encontra respaldo nem mesmo em sua prática político/administrativa.

As brasileiras e brasileiros devem tomar cuidado com candidaturas como a da governadora Sarney. Parafraseando o notável escritor Eduardo Galeano, em países como o Brasil, vota-se em um e governa o outro: governa o Clone. Isto é, o Clone faz, quando está no governo, tudo ao contrário do que o candidato havia prometido durante a campanha eleitoral. Aqui no Maranhão, nós ainda vivemos sob o impacto desse fenômeno. Roseana, em campanha, era uma, no governo é outra, é o Clone, como o ator global Murilo Benício.

A propósito, entre a Globo e a governadora Sarney, as relações não são de mera coincidência. Estas duas entidades são bem articuladas em tenebrosas alianças, basta que nos lembremos do Viva Educação e do famigerado tele-ensino. Cuidado, pois a presidenciável Roseana não é a número 1, como diz a propaganda. Ela é, sim, 2 em 1.

Realmente, mais do que nunca, estamos em tempos de Clone, que, deliberadamente, vem passear nas "barrancas do Tocantins" e nas "areias brancas", não mais de Tutóia, mas da antiga, interminável e saudosa "morraria" de Barreirinhas, onde, em 1965, deveria jorrar petróleo... anunciado com sensacionalismo, em chamas, nos comícios do então jovem e pobre José.

Enquanto isso, os assaltos continuam, de forma acintosa. Mais de 1 bilhão e 904 milhões de reais foram subtraídos de agências bancárias, no Maranhão, em 2001. E é dito que a violência foi resolvida no Maranhão e a segurança pública é mostrada como exemplar.

É este o Maranhão real, sem enfeites. É o Maranhão campeão de mortalidade de mulheres de câncer de colo de útero, campeão de hanseaníase, de malária, de febre amarela, de desemprego, de fome, de miséria. O Maranhão de adolescentes emasculados e mortos, de mulheres e de meninas vítimas de abuso sexual de toda ordem, do trucidamento do meio ambiente para atender aos interesses do grande capital. É o Maranhão do trabalho escravo e do trabalho infantil. É o Maranhão que enxota o trabalhador rural para outros estados. É o Maranhão da corrupção banalizada através dos desvios dos milhões pagos pela construção de estrada inexistente, dos milhões desviados da já esquecida USIMAR, dos milhões do Banco do Estado do Maranhão, do Programa comunidade Viva, dos quase 70 milhões de reais de Projeto Salangô. É o Maranhão da submissão e da subserviência.

Mas, apesar de tudo - senhor presidente, senhoras deputadas, senhores deputados, senhores da galeria, companheiros da imprensa - apesar de tudo, é possível construirmos uma sociedade diferente. E eu acredito nisto. E já antevejo e já espero o contra-ataque da aguerrida equipe governista. Obrigada.

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Beatriz Carvalho - Assessora de Imprensa
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[email protected]
Jornalista Beatriz Carvalho – Assessora de Imprensa
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Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
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Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Jurupary
Ente do mal. Demônio dos olhos de fogo que vive na floresta
Piracema
Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.