Mazagão Velho: 225 anos de
amor e devoção a São Tiago

Prossegue até domingo, 28, a Festividade de 225 anos de São Tiago, padroeiro do município de Mazagão, (36 quilômetros de Macapá). Mas, é Mazagão Velho, pequeno distrito da cidade, com cerca de 1, 5 mil habitantes que todos os anos recebe milhares de pessoas para participarem da programação em louvor ao santo.

O fluxo de fiéis, turistas, políticos e simpatizantes mudou a rotina da pequena cidade desde terça-feira, 16, data inicial da festa.

A festa é um marco histórico na vida religiosa e cultural das famílias residentes no Distrito. Calcula-se que até domingo, aproximadamente 10 mil pessoas tenham prestigiado a Festividade de São Tiago, que tem o apoio do Governo do Estado, via Fundação Estadual de Cultura (Fundecap). A instituição repassou R$ 25 mil para ajudar na realização da festa. A história conta o aparecimento de São Tiago como anônimo soldado que lutou heroicamente contra os Mouros. A festa enfoca vários personagens como: Atalaia, Jorge, Tiago, Bobo Velho, e Menino da Caldeirinha. Retrata também passagens na luta entre cristãos e muçulmanos, travada no Continente Negro. Whashigton Elias dos Santos, o ”Vava”, narrador oficial da festa, conta que desde a conquista das terras africanas, os lusitanos, fervorosos católicos, tentaram obrigar os muçulmanos a se tornarem cristãos e aceitarem a fé em cristo e o batismo de sua religião. Este fato provocou a reação dos servidores de Maomé, que mais tarde declararam guerra aos cristãos, liderados na época pelos capitães Jorge e Tiago.

OPINIÃO - Para Domingos Belo, residente em Mazagão, São Tiago, é símbolo de fé, de crença religiosa ao povo, não apenas de Mazagão, mas do Estado. Através da devoção a São Tiago, pessoas alcançaram milagres e bênçãos. A presença de turistas e religiosos de Macapá, Santana, de outras regiões do Estado e até de outras cidades brasileiras, contagiou a pacata Mazagão Velho. Jorge Boa, um dos moradores mais antigos da comunidade, também se emociona quando o assunto é São Tiago. Há trinta anos que Jorge atua como um dos soldados dos Cristãos. “Imagino a alegria que todos estejam sentindo nesse momento”.

Jaime José Pacheco, garante que o evento lhe deixa muito feliz, primeiro pela religiosidade vivenciada, segundo, pelo brilhantismo que a festa proporciona. Ele conta que todos os anos reúnem a família para reverenciar o santo. “Se hoje você observa essa programação, em anos anteriores a Festa de São Tiago era bem melhor, inclusive com a participação de mais gente”, comparou. Jaime Pacheco, diz que uma das conquistas dos organizadores da festa foi a transferência da missa campal para área externa da paróquia da cidade, garantindo uma maior participação dos fiéis.

Um dos momentos mais cobiçados da programação, além da batalha entre Mouros e Cristãos é o tradicional Baile das Máscaras, onde apenas os homens dançam usando máscaras e trajes feminino. O baile que acontece sempre no dia 24 começa às 22h, mas não tem hora para terminar. O baile de máscaras, segundo a história contada por Manoel Eleutério Pereira, um dos coordenadores do espetáculo, foi a maneira encontrada para comemorar a morte de autoridades cristãs que teriam morrido por envenenamento após receberem comidas em forma de presentes dos Mouros. A história relata que desconfiados as autoridades não comeram da comida envenenada e durante a noite se infiltraram no baile de máscaras para se vingar da perversa façanha dos Mouros.

TURISTAS - O carioca Paulo Afonso Lopes, que desembarcou nesta quinta-feira em Macapá e depois seguiu para Mazagão Velho, elogiou a tradição do povo amapaense pela manutenção da cultura e da religiosidade local. Paulo ficou sabendo da Festividade de São Tiago, através de um amigo de Macapá. “Aproveitei as minhas férias para conhecer essa festa. A cultura, a tradição e a própria população é interessante; estou gostando de tudo”.

Acompanhado de Nilma, Paulo ressaltou que é muito raro no país encontrar um povo que se preocupa tanto com sua cultura. Visitando o Amapá pela primeira vez, os dois acham que tiveram sorte por terem indicado um festejo tão forte do ponto de vista cultural e religioso. Paulo ficou admirado com a adaptabilidade do povo amapaense a natureza, principalmente no aspecto de preservar, ”Percebo que o povo aqui está realmente preservando tudo isso” . o carioca ficou encantado com a beleza natural de Mazagão Velho. Ele lamentou a falta de infra-estrutura como pousadas, restaurantes e banheiros públicos para os visitantes.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
COLABORAÇÃO EDGAR RODRIGUES

Mazagão
Dados do município Características
Nome oficial Município de Mazagão
Lei de criação Nº 226, de 28 de novembro de 1890
Limites Norte: Amapari, Porto Grande e Santana
Sul: Vitória do Jari
Leste: Santana e Rio Amazonas
Oeste: Laranjal do Jari
Área 13.189 km2
População (IBGE 1997) 11.962 habitantes
Comunidades principais Mazagão (sede), Carvão e Mazagão Velho

Já foi citado que a população de Mazagão é originária do norte da África (Marrocos), que foi colonizada pelos portugueses que pensavam em expandir seus domínios a partir da construção de fortes e castelos. No entanto, as questões religiosas entre muçulmanos, mouros e cristãos portugueses, desaguaram numa sangrenta guerra santa, cujos custos oneraram em muito a Coroa portuguesa.

São travadas lutas acirradas entre mouros e cristãos e, nas breves tréguas, os mais antigos contam que surgia a imagem de um cavaleiro branco, identificado como São Tiago, que passou a ajudar os lusos a vencerem as grandes batalhas.

Os primeiros habitantes de Mazagão, no Amapá, foram 114 brancos e 103 escravos, que se transformaram nos primeiros agricultores desta região que faz parte do Estado. A primeira capital brasileira a hospedar os bravos mazaganenses africanos foi Belém. Eles permaneceram até junho de 1771, enquanto eram construídas moradias para receber esta população recém-chegada.

Por causa da decadência de Mazagão amazônica, visto as circunstâncias da situação sócio-econômica e política, por volta de 1915 o governador do Pará resolve incorporar esta vila ao município de Macapá. Este fato deixou seus moradores muito insatisfeitos, pois queriam continuar com sua autonomia político-administrativa. Surgiu assim um novo local para instalação da sede de seu município. A área escolhida para servir Mazagão Novo, fica situada a 30 quilômetros de Mazagão Velho e mais próximo à cidade de Macapá, em frente ao Furo do Beija-Flor, entre o rio Vila Nova e o braço esquerdo do Amazonas.

Através da lei estadual paraense nº 46, ficou decretada a transferência da sede, de Mazagão Velho para Mazagão Novo, oficialmente instalada no dia 15 de novembro de 1915

EDY WILSON SILVA



Bombons da Sol
Bombons de chocolate com recheio de frutas regionais.
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Pedidos pelos telefones 223 4335 e 9964 7433


Tia Neném
Lanches, sucos naturais e comidas regonais e nacionais.
Tacacá especial.
Tradição de 30 anos.
Cônego Domingos Maltez próximo da Eliezer Levy



 

Catinga de mulata
Catinga é cheiro ruim, mas "Catinga de mulata"é cheiro bom, tanto que virou nome de perfume nos idos dos anos cinquenta
Remanso
Ponto onde o rio se alarga, a terra forma uma reentrância e as águas ficam mais calmas
Bubuia

Aquelas minúsculas bolhas de espuma que se formam na corrente do rio. Viajar de bubuia é ser levado pelas águas. "De bubuia, título de canção popular.
Piracema

Época em que cardumes de peixes sobem os rios para a desova
Pedra do rio
Diz a lenda que que são as lágrimas de uma índia que chorava a perda do amado. É onde está a íagem de São José, na frente de Macapá.
Macapá
Vem de Macapaba, ou "estância das bacabas".
Bacaba
Fruto de uma palmeira, a bacabeira. O fruto produz um vinho grosso parecido com o o açai.
Curumim
Menino na linguagem dos índios, expressão adotada pelos brancos em alguns lugares.
Jurupary
O demônio da floresta tem os olhos de fogo, e quem o vê, de frente, não volta para contar a história.
Yara
É a mãe d'água. Habita os rios, encanta com a suavidade da voz, e leva pessoas para o castelo onde mora, no fundo do rio.
Pitiú
Cheiro forte de peixe, boto, cobra, jacaré e
outros animais.
Ilharga
Perto ou em volta de alguma coisa
Jacaré Açu
Jacaré grande.
Jacaré Tinga
Jacaré pequeno
Panema
Pessoa sem sorte, azarada. Rio em peixe.
Sumano
Simplificação da expressão"ei seu mano",que é usada por quem passa pelo meio do rio para saudar quem se encontra nas margens
Caruana
Espíritos do bem que habitam as águas e protegem as plantas os homens e os animais.
Inhaca
Cheiro forte de maresia, de axilas de homem, de peixe ou de mulher
Tucuju
Nação indígena que habitava a margem esquerda do rio Amazonas, no local onde hoje está localizada a cidade de Macapá.
Montaria
Identifica tanto o cavalo como a canoa pequena, de remo.
Porrudo
Grande, enorme, muito forte ou muito gordo
Boiúna.
Cobra grande, capaz de engolir uma canoa.(Lenda)
Massaranduba
Madeira de lei, pessoa grosseira, mal educada.
Acapu
Madeira preta, gente grossa mal educada.